À sombra dos 'grandalhões', ato pró-Bolsonaro vira reunião de delinquentes

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O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Foto: Andre Borges/NurPhoto (via Getty Images)
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Foto: Andre Borges/NurPhoto (via Getty Images)

Se o Brasil fosse uma escola, Jair Bolsonaro seria o aluno preguiçoso e insolente que passa a aula no celular e, ao ser reprovado, declara guerra ao professor, aos coordenadores, à direção e a tudo o que ele identifica como “sistema”.

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Vingativo, ele se torna, numa conjunção de fatores e promessas, o representante dos estudantes sem se dar conta de que não é o dono da escola nem pode botar fogo no parquinho só porque quer.

Os bilhetes de suspensão são mastigados um a um. Antigos amigos se afastam.

Mas ele permanece obstinado em transformar a escola em seu playground particular. 

A confiança vem da amizade com o grandalhão da sala. Um grandalhão com posse de arma.

Não sei se o grandalhão já percebeu, mas é em nome dele que o jovem indisciplinado, esperto mas intelectualmente limitado, passa os dias provocando alunos, professores e direção.

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Em seu último ato de ameaça com o rompimento institucional, Bolsonaro disse neste domingo (3) estar do lado do povo e das Forças Armadas.

A primeira parte da história é mentirosa. 

Bolsonaro teve a maioria dos votos em 2018, mas de lá para cá se esforçou tanto que conseguiu minar seu capital político e o apoio de setores da sociedade que abandonaram o barco um a um. 

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Mesmo com 33% de aprovação, ele decretou que “povo” é tudo aquilo que está com ele. Quem não está é corrupto, comunista ou traidor. Cabe tudo neste balaio, do ministro demitido por fazer o seu trabalho ao símbolo da Lava Jato.

A segunda parte da frase é uma incógnita. 

Em declarações recentes, o presidente falou em “minha PF” e “minhas Forças Armadas”. Aparentemente confunde a Presidência com um jogo de War.

Bolsonaro não sabe ou finge não saber que as urnas lhe deram um mandato de quatro anos, não uma capitania hereditária como direito divino e vitalício. 

Direção e corpo docente já pediram, por favor, que faça o seu trabalho. Já cansaram de exigir modos em notas de repúdio. Preferem não usar a carta de expulsão à mesa, provavelmente com medo de o mau aluno (já chamado por Geisel de “mau militar”) transformar a instituição escolar em uma barricada vigiada por um cabo e um soldado.

Ao tomar posse, Bolsonaro prometeu ser implacável contra a corrupção e a criminalidade. Hoje seu governo flerta com a banda mais fisiológica do centrão e abriga de ministros inaptos a suspeitos de uso de caixa 2 e candidatos-laranja. 

Nas ruas, os delinquentes vestem verde e amarelo, promovem balbúrdia, buzinaço em hospitais, enfiam o dedo na cara de enfermeiras, agridem jornalistas e ameaçam parlamentares e juízes. O ódio tem até assento e gabinete no Palácio.

Toda vez que é repreendido, porém, Bolsonaro faz troça: ele faz o que quer porque diz ser amigo do grandalhão. Em nome dele, jura que pode fazer qualquer coisa, até descumprir ordem judicial.

Enquanto não se distanciar nem desautorizar o mau aluno em público, o grandalhão será sempre lembrado como cúmplice dos atos irresponsáveis cometidos pelo presidente sob as juras de sua proteção.

Em tempo, esse país à deriva chegou no mesmo dia a 7.051 mortos na contagem oficial de vítimas do coronavírus. E daí?, diria sua autoridade máxima. Ou mínima.

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