Bola sobre a linha? Gol do Japão alimenta debate sobre VAR

Lance de gol do Japão sobre a Espanha

Por Nick Mulvenney

DOHA (Reuters) - O polêmico terceiro gol da Inglaterra na final da Copa do Mundo de 1966 é frequentemente citado como o tipo de incidente que o VAR resolveria, mas a vitória do Japão sobre a Espanha na quinta-feira desencadeou um novo debate sobre "estava sobre o linha?"

O passe de Kaoru Mitoma para Ao Tanaka dar ao Japão uma vantagem de 2 x 1 foi inicialmente julgado pelo árbitro como sendo fora do campo de jogo, mas sua decisão foi revertida após uma longa consulta ao VAR.

Imagens do lance imediatamente inundaram a Internet, aparentemente mostrando grama verde clara entre a bola e a linha antes que Mitoma pudesse dar o passe para seu companheiro de equipe.

O árbitro espanhol aposentado Iturralde González, no entanto, disse que tais incidentes nem sempre são claros a olho nu e expressou sua total confiança na tecnologia da Fifa.

"É uma questão de perspectiva, tornando as imagens muito complicadas. A perspectiva que fica nítida é de cima", disse.

"Se (a bola) estiver um pouco dentro do campo, está em jogo. Cada um pode tirar e usar a foto que quiser, não importa, mas a bola não saiu."

Embora as regras exijam que parte da bola esteja na linha para permanecer em jogo, isso não significa que ela deva tocar o solo, pois a curvatura da bola sobre a faixa branca também conta.

Assim como o gol de Geoff Hurst em Wembley há 56 anos, o país mais impactado pela decisão foi a Alemanha, que teria se classificado para as oitavas de final se a partida Japão-Espanha tivesse terminado empatada em 1 x 1, mas os alemães acabaram eliminados.

A Fifa, que se recusou a comentar o incidente nesta sexta-feira, investiu pesadamente na tecnologia do VAR desde que a introduziu na Copa do Mundo, há quatro anos, na Rússia.

A bola da partida agora contém um chip que transmite dados para a sala de operações do VAR 500 vezes por segundo, enquanto 12 câmeras em cada estádio rastreiam 29 pontos no corpo de cada jogador.

O ex-meia escocês Graeme Souness disse que a Fifa precisa ser mais transparente nas decisões do VAR.

"Existem 80 milhões de alemães agora enlouquecidos, esperando por uma imagem que mostre que a bola não saiu", afirmou ele à ITV. "Por que criar confusão e não esclarecer imediatamente?"

Embora a maioria aceite as evidências quando e se elas forem produzidas, outros estão preocupados com a forma como o VAR está sendo usado nesta Copa do Mundo sobre decisões marginais feitas por árbitros sobre incidentes nos quais a tecnologia não estava envolvida anteriormente.

Robert Wurtz, considerado por muitos o melhor francês a apitar, disse que a Fifa corre o risco de prejudicar os árbitros.

"Quando eu tenho que decidir sobre um pênalti no quinto minuto e digo 'É pênalti', e então o VAR me diz 'Não, não é pênalti', então minha autoridade se foi", disse ele ao jornal L'Alsace.

"Então, como posso ter o respeito dos jogadores pelos 85 minutos restantes?"

(Reportagem de Nick Mulvenney, reportagem adicional de Julien Pretot, Fernando Kallas e Aadi Nair)