Boca blinda ônibus para visitar River e evitar incidente de 2018

BRUNO RODRIGUES
Folhapress
***ARQUIVO***BUENOS AIRES, ARG, 01.09.2019: Jogadores de River Plate e Boca Júniors em lance de disputa de bola, em partida válida pela Super Liga 2019/20, no Estádio Monumental, em Buenos Aires, na Argentina. (Foto: GabrielSotelo/Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 1788372
***ARQUIVO***BUENOS AIRES, ARG, 01.09.2019: Jogadores de River Plate e Boca Júniors em lance de disputa de bola, em partida válida pela Super Liga 2019/20, no Estádio Monumental, em Buenos Aires, na Argentina. (Foto: GabrielSotelo/Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 1788372

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os dois clubes de maior torcida na Argentina repetem nesta terça-feira (1º), às 21h30 (SporTV), o confronto que definiu o campeão da Libertadores do ano passado. Boca Juniors e River Plate se reforçaram para chegar à semifinal de 2019 e reeditarem o duelo que ficou marcado por violência na última final. 

No caso do Boca, vice em 2018, além do italiano Daniele De Rossi, 36, o reforço foi pesado e blindado.

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Depois de o elenco ser apedrejado na chegada ao Monumental, em novembro de 2018, no jogo de volta da decisão, o clube mandou blindar o ônibus utilizado pela delegação.

O veículo, que pertence à empresa FlechaBus, é o mesmo utilizado em 2018, mas com os vidros reforçados para evitar o incidente que lesionou Pablo Pérez, então capitão do Boca, e o juvenil Gonzalo Lamardo, que acompanhava o plantel.

Motorista do clube há 10 anos e torcedor "desde a barriga da minha mãe", Darío Ebertz acredita que os jogadores estarão bem protegidos para o clássico desta terça em Buenos Aires.

"O ônibus tem todos os vidros blindados, suporta pedradas. A parte de fora até lasca, mas não passa nada para dentro. O que bate, volta", conta Ebertz, 55, conhecido como "Gringo", à Folha de S.Paulo.

Ele diz que o carro ganhou o apelido de "La Bestia" (A Fera, em espanhol), alcunha de sua autoria.

Era Ebertz o homem responsável por levar a delegação do clube ao Monumental no dia 24 de novembro do ano passado, data do confronto de volta pela final da Libertadores. 

A Conmebol quis realizar a partida no dia seguinte. Mas o Boca bateu o pé alegando que não havia segurança e nem condições de jogo. Pablo Pérez, por exemplo, foi a uma clínica no sábado para tratar o olho lastimado pelos cacos de vidro e o gás de pimenta lançado pela polícia para dispersar os torcedores do River que estavam próximos do ônibus.

Alguns milhares de torcedores do River Plate chegaram a entrar no Monumental e esperaram a bola rolar no domingo (25), mas foram avisados após cerca de seis horas da abertura dos portões que a final seria adiada mais uma vez.

O presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, tentou a anulação do jogo e que o clube fosse declarado campeão. Do lado do River, o mandatário Rodolfo D'Onofrio reclamava a necessidade de se disputar o clássico no Monumental, apesar dos incidentes.

A solução que a Conmebol encontrou foi transferir a partida para Madri, no estádio Santiago Bernabéu, a casa do Real Madrid (ESP).

Após sair atrás no placar, os comandados de Marcelo Gallardo conseguiram a virada e venceram o rival por 3 a 1. O jogo de ida tinha terminado empatado em 2 a 2. Com a vitória na Espanha, o River garantiu o tetracampeonato da América.

Os rivais voltaram a se encontrar no Monumental de Nuñez no último dia 1º de setembro, pela Superliga Argentina. A partida terminou 0 a 0 e sem incidentes.

"A operação policial foi muito boa, não aconteceu nada. Afastaram as pessoas do caminho que pudessem fazer algo com o ônibus", diz Ebertz.

Boquense fanático, Darío Ebertz transportou nesses últimos dez anos alguns dos maiores ídolos do Boca Juniors, como Juan Román Riquelme e Martín Palermo. Com Riquelme, que viajava na cabine com ele, compartilhavam o mate.

"Como torcedor do Boca, ter o gosto de levar o plantel já realiza todos os meus sonhos", diz o motorista, que espera por um clássico seguro na casa do rival.

As autoridades argentinas, porém, estão em alerta. O que preocupa agora são os enfrentamentos recentes entre torcedores do River, em ataques de facções inimigas da principal barra brava clube, a "Los Borrachos del Tablón". No último dia 18, contra o Godoy Cruz, pela Copa Argentina, membros da torcida entraram em conflito e a polícia interveio na confusão. No fim de semana seguinte, seguidores do time foram detidos em uma operação policial.

Para o clássico desta terça-feira, a polícia Buenos Aires mobilizará pouco mais de 1000 mil agentes para o Monumental de Nuñez e seus arredores.

"Oxalá que um ataque como aquele do ano passado não aconteça nunca mais. Que ganhe o Boca, e que seja tudo em paz", afirma o "Gringo", o motorista de La Bestia.

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