Em boa fase, Jô minimiza reforços de rivais: “Nunca vi ganhar só no papel”

Um dos responsáveis pela boa fase do antes criticado Corinthians, o centroavante Jô ainda reluta em se deixar levar pela melhor campanha do Campeonato Paulista. Os gols marcados nas vitórias por 1 a 0 sobre Palmeiras e Santos, no entanto, já lhe enchem de segurança para rebater quem o via tecnicamente abaixo do colombiano Borja, reforço palmeirense, ou do argentino Lucas Pratto, do São Paulo.

“No futebol, nunca vi ganhar só no papel, com extracampo. Nem vou ver. Você tem que chegar ali dentro e mostrar o seu valor”, bradou Jô, na manhã desta segunda-feira, após realizar um treinamento regenerativo no CT Joaquim Grava. “Respeito todos os atacantes que chegaram aos outros clubes, mas também tenho uma história no futebol. Quando a bola rola, são 90 minutos para cada um correr atrás do seu”, complementou.

Jô, de fato, já construiu uma história no esporte. Revelado pelo Corinthians em 2003, ele se tornou o atleta mais jovem a ter defendido o clube, com 16 anos na época. Foi campeão paulista naquele ano e brasileiro em 2005, passando posteriormente por CSKA, da Rússia, Manchester City e Everton, da Inglaterra, Galatasaray, da Turquia, Internacional, Atlético-MG, Al-Shabab, dos Emirados Árabes Unidos, e Jiangsu Suning, da China. Em 2014, foi reserva de Fred na fracassada campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

Recontratado pelo Corinthians no final do ano passado, Jô retornou ao clube do coração ciente de que não ganharia “só no papel, com extracampo”. Ainda mais porque estava longe de desfrutar do prestígio de outros tempos – assim como o seu time, muito cobrado por torcedores depois de não conquistar nem sequer uma vaga na Copa Libertadores da América em 2016.

“Ainda é começo de temporada, então fica difícil analisar. Mas já estamos mostrando que tudo é possível para a gente. Nada se resolve falando. Eu poderia muito bem chegar aqui e ficar irritado pelas críticas que sofremos no começo do ano ou achar que somos o melhor time agora. Não é assim. A análise deve ser feita no final do ano”, ponderou Jô, apesar de enaltecer bastante a evolução da equipe dirigida por “Carrile”, como pronuncia o nome do técnico Fábio Carille.

No processo de melhora do Corinthians, o próprio centroavante já esteve em baixa. Virou reserva do amigo Kazim após marcar apenas um gol – de pênalti, na vitória por 1 a 0 sobre o São Bento – nos primeiros compromissos do ano. “É claro que ninguém quer ficar no banco, mas não vamos desrespeitar quem está entrando. Quando você tem um jogador da mesma função de qualidade, como o Kazim, acaba trabalhando mais para jogar. Todo o mundo tem concorrente e precisa mostrar futebol para o Carrile. É algo positivo para o Corinthians”, disse.

Hoje, Jô é novamente titular. E já não rivaliza apenas internamente com Kazim, mas também em badalação com Borja e Pratto. “É claro que fico feliz por ter marcado gols em clássicos. Na minha primeira passagem, só tinha feito contra o Palmeiras. Mas parabenizo o grupo todo, que tem mostrado um crescimento legal. Todo o mundo está sorridente, mesmo sabendo que não pode relaxar”, afirmou o prata da casa corintiano.