Bethe admite não conhecer todas regras do MMA e revela apagão após UFC Fortaleza

Bethe Correia enfrentará Marion Reneau no UFC Fortaleza - Tobias Bunnenberg

Bethe Correia não deixou o octógono de Fortaleza muito feliz. Atuando diante de Marion Reneau, seu duelo terminou com um empate que não agradou a nenhuma das atletas e fez com que a paraibana ficasse com um histórico recente de apenas uma vitória nas últimas quatro vezes em que se apresentou no maior torneio de MMA do mundo. Em conversa exclusiva com a Ag. Fight, a brasileira fez uma autoavaliação sobre o que ocorreu nos 15 minutos de peleja contra a americana.

Bastante sincera e aparentando tranquilidade, Bethe admitiu que o cansaço falou mais alto no último assalto, justamente a etapa em que ela passou mais sufoco e chegou perto de ser nocauteada. A paraibana reviu a luta e disse que “ligou o automático” para não deixar o cage com a derrota e suportar até o fim.

“Assisti a luta. Eu sou muito crítica comigo mesmo. Sempre acho que poderia ter dado mais e ter feito algo melhor. Mas é normal. Quando eu assisto uma luta minha eu me critico muito. Procuro mais os erros do que os acertos. Tecnicamente, ficou claro que os dois primeiros rounds em venci mesmo. No terceiro round eu estava completamente cansada. Por isso, talvez, fiquei com a guarda baixa. Logo no início do round o chute entrou. Cambaleei as pernas e fiquei completamente desacordada em pé. Eu estava nocauteada em pé. Fiquei no automático. Quando treinamos muito, mesmo apagado conseguimos fazer as coisas no automático. E eu fiquei assim até o final do round”, afirmou a brasileira.

A surra aplicada por Marion no último round foi bastante traumática para Bethe. Prova disso é que a paraibana sequer lembra direito de como foi a luta. Saindo do octógono, ela admitiu que teve que buscar informações sobre o que tinha ocorrido com Patrício ‘Pitbull’, um de seus treinadores e companheiro de academia.

“Lembro que quando acabou a luta, o médico disse para fazer exames para ver se não tinha nada grave. Indo para o hospital eu perguntei ao Patrício: ‘Como eu cheguei ali por baixo da Marion?’. Ele perguntou se eu não me lembrava e eu disse que eu não me lembrava de nada. Ele contou a luta e o terceiro round e eu não me lembrava de nada. Único flash que eu tive é que ela estava nas minhas costas e eu consegui bater nela. Mas até ali eu não lembrava de nada. A minha vontade de ganhar era tão grande que mesmo inconsciente eu estava lutando pela vitória. Vejo UFC e às vezes as pessoas se entregam tão mais rápido. Foi uma experiência incrível e aprendi muito com essa luta”, contou.

Bethe Correia não ficou feliz com o resultado de empate ao final dos 15 minutos de luta. Apesar disso, ela admitiu que não tem grande conhecimento da regra para dizer se realmente os árbitros laterais foram justos ao aplicarem um 10 a 8 contra ela no último assalto.

“Eles acreditaram que ela me dominou total e deram 10 a 8. Eu concordo que o terceiro round foi para ela, mas não sei se tanto assim. Eu não conheço bem os critérios de julgamento do MMA”, concluiu.

Com o resultado, Bethe agora possui dez vitórias, duas derrotas e um empate na carreira. Aos 33 anos, a brasileira já chegou a disputar o cinturão dos galos (61 kg) quando perdeu para Ronda Rousey em agosto de 2015.