Belarus segue como último bastião do futebol europeu e brasileiro revela temor pelo coronavírus

Colaboradores Yahoo Esportes
·4 minuto de leitura
Gabriel Ramos durante partida do Campeonato de Belarus (Divulgação)
Gabriel Ramos durante partida do Campeonato de Belarus (Divulgação)

O último bastião do futebol europeu naquela que é tida por muitos como a última ditadura da Europa. Esta é a Liga de Belarus, único campeonato de primeira divisão do velho continente que segue com suas atividades em meio à pandemia do coronavírus.

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O campeonato teve início no dia 19 de março (a temporada é jogada até novembro por causa do inverno) e a partir desta sexta-feira terá a sua terceira rodada em um momento em que o número de contágios é de 304 e são quatro as mortes registradas.

E já na abertura da rodada estará em campo um brasileiro. Trata-se de Gabriel Ramos, meio-campista do Torpedo Belaz, um dos quatro líderes do torneio.

Em entrevista ao Yahoo Esportes, ele disse ter medo de toda a situação envolvendo a doença, mas que não tem escolha.

“Com certeza temo pela minha saúde e dos outros jogadores também. Mas como a liga aqui não parou, e segue jogando normal, dentro de campo acabo esquecendo, entre aspas, o que acontece para não interferir na concentração”, disse Gabriel, um dos sete brasileiros que atuam no país do Leste Europeu.

A sequência do campeonato de Belarus tem muito a ver com a postura do presidente Alexander Lukashenko. Ele já afirmou que vodka e sauna matam o vírus e que trabalhar ajuda o organismo. Além disso, há alguns dias jogou hóquei no gelo e afirmou que o frio matava o vírus. Até mesmo por isso, o Ministério da Saúde do país não fez nenhuma recomendação para que o torneio seja paralisado.

“Li o que o presidente falou sobre vodka e sauna e na minha opinião ele foi infeliz nas palavras. Não sei como a população tem agido com as palavras, mas creio que ele se arrepende de ter falado isso. Ele é presidente e tem que dar exemplo”, disse Gabriel.

Somadas as duas primeiras rodadas do torneio, 19.432 espectadores estiveram em 16 partidas, uma média de 1.214 por jogo. Média esta que no campeonato passado todo foi de 2.470. Ainda que os portões estejam abertos, alguns grupos de torcedores organizados publicaram comunicados nesta semana falando em boicote e não irem aos estádios para evitar se contagiar. Ainda não é claro se a medida será adotado por todos.

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“Até agora surpreende. Por conta da pandemia, é meio que assustador ver pessoas indo ao estádio normalmente. Ainda que tenha gente com máscara é impressionante”, avaliou Gabriel, que está morando sozinho em Belarus.

“Como o país não parou, corremos risco dobrado. Mas eu não tenho feito muita coisa não, é preciso ter muito cuidado. Minha rotina é do treino para casa e algumas saídas ao supermercado. O clube mesmo pediu para evitarmos restaurantes e local de grandes aglomerações”, disse o jogador de 24 anos com passagens por Bahia, Cuiabá e Dinamo Tbilisi (GEO).

Em sua temporada de estreia na Liga de Belarus, o brasileiro espera chamar a atenção de equipes de maiores centros europeus e até mesmo da vizinha Rússia.

E o coronavírus, neste aspecto, pode acabar se tornando um aliado. Por ser um dos raros campeonatos ainda em andamento no mundo, emissoras de TV de diversos países tem comprado os direitos de exibição. E sites e jornais do planeta tem escrito sobre o torneio.

Na Rússia, por exemplo, o canal aberto Match TV (principal de esporte no país) exibe ao menos quatro partidas por fim de semana e disponibiliza as demais gratuitamente em seu site. Emissoras dos Bálcãs, Índia e Israel também têm exibido o torneio.

“Por ser a única liga sendo jogada na Europa, com certeza todos clubes estão de olho. Com certeza a visibilidade aumentou bastante. E isso motiva”, disse ele que nesta semana ganhou no clube a companhia do compatriota Lipe Veloso.

A Liga de Belarus é disputada por 16 times e o atual campeão é o Dinamo Brest.

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