Beijos e abraços abrem debate sobre comemorações de gol na Bundesliga

AFP

O chefe do governo da Baviera, Markus Söder, pediu à Bundesliga que insista na cumprimento do protocolo de saúde no futebol, após a rodada de sábado (16) ser marcada por vários beijos e abraços de jogadores em campo na comemorações dos gols, o que desrespeita as recomendações feitas pelas autoridades alemães.

A Bundesliga retomou sua competição no sábado após mais de dois meses de suspensão forçada pela pandemia do coronavírus, mas sem público nos estádios e sob rigoroso protocolo sanitário para minimizar os riscos de contaminação.

"O futebol cumpre uma função básica como modelo a seguir, então é preciso seguir as instruções e prestar mais atenção na semana que vem", declarou Söder ao canal esportivo Sport1 neste domingo (17).

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A Bundesliga se tornou o primeiro grande campeonato europeu de futebol a retomar sua competição após a parada provocada pela COVID-19.

As autoridades haviam pedido aos jogadores para que evitassem qualquer contato desnecessário, principalmente na comemoração dos gols, mas em alguns casos estas normas foram ignoradas.

O jogador Marko Grujic, do Hertha Berlim, recebeu um beijo na bochecha do companheiro Dedryck Boyata no sábado, após marcar o primeiro gol de sua equipe na vitória por 3 a 0 sobre o Hoffenheim.

"Não gostei", admitiu Söder sobre a situação, embora tenha destacado o sucesso da retomada do futebol. "Foi melhor que o esperado", declarou o ministro-presidente de um dos Länder, regiões federativas que na Alemanha têm autoridade e autonomia para definir as medidas sanitárias a serem adotadas em seus territórios e até proibir a realização de eventos esportivos.

No início do mês, o Hertha Berlim puniu o jogador marfinense Salomon Kalou por publicar um vídeo em que cumprimenta com as mãos um colega antes de um treino.

Em outro jogo de sábado, alguns jogadores do Borussia Mönchengladbach se abraçaram após cada um dos três gols na vitória sobre o Eintracht Frankfurt (3-1).

"Os jogadores precisam obedecer as regras", insistiu Söder.

- Sem punições -

A liga Alemã de Futebol (DFL) anunciou que não punirá os jogadores que não respeitarem o protocolo nas comemorações, por considerá-las parte do jogo.

O técnico do Hertha Berlim, Bruno Labbadia, defendeu seus atletas: "Fomos testados tantas vezes (para COVID-19) que podíamos nos permitir isso", brincou, após sua primeira partida no comando da equipe da capital.

"Se não pudermos nem comemorar gols, então está tudo acabado", completou.

Armin Laschet, presidente de outra uma importante região alemã, a Renânia do Norte-Westfalia (com seis clubes na Bundesliga), também destacou o sucesso da volta aos campos: "Era exatamente a volta prudente e responsável que todos queríamos. Se tudo continuar indo bem, a competição poderá continuar", declarou ao jornal "Bild".

Laschet felicitou o comportamento dos torcedores, que respeitaram as recomendações das autoridades e não se reuniram nas proximidades dos estádios: "os torcedores e as torcidas organizadas reagiram de maneira responsável. É a prova de que sabem o que está em jogo".

O político, porém, lembrou que é cedo para afirmar quando os torcedores poderão voltar aos estádios: "Com o coronavírus não se pode negociar. O razoável é ir passo a passo, não podemos exagerar, esta foi somente a primeira rodada".

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