Bebel Gilberto rompe silêncio sobre briga familiar em torno do legado do pai

Maria Fortuna
·2 minuto de leitura
Bebel Gilberto lança novo disco no próximo dia 21

RIO — A imagem de Bebel Gilberto aparece no Zoom emoldurada por uma proteção de tela cheia de desenhos de cachorro. Desde junho, a cantora é “mãe” de Ella, como se define, uma shih tzu de quatro meses. A bichinha pula no colo quando a dona conta que a chegada da companheira veio curar um trauma de infância. Menina, Bebel tinha um poddle. Um dia, foi dormir fora de casa e, quando voltou, sua mãe, a cantora Miúcha, tinha doado o cão.

O amor de Ella também veio aplacar outros vazios de Bebel, que ainda processa as perdas que viveu nos últimos tempos. Primeiro, foi o melhor amigo, o compositor Mario Vaz de Mello, que morreu enquanto falava com ela ao telefone. Depois, a mãe. Em seguida, o pai, João Gilberto, cuja partida completou um ano no mês passado.

A jornada pela dor refletiu na escolha das canções de "Agora", disco que ela lança no dia 21, quatro décadas após estrear ao lado do pai (cantando “Chega de saudade”, aos 14 anos, em um especial de TV) e duas décadas após seu primeiro álbum (“Tanto tempo”, que vendeu quase três milhões de cópias).

Nesta entrevista, ela diz viver um momento de libertação aos 54 anos, apresenta sua versão para a novela familiar em torno do legado do compositor e lembra a relação com o pai.

— Só papai atendia às minhas ligações de madrugada — emociona-se. — Não aguento mais brigar! Quando ele era vivo, era uma obrigação. Não dormia sem saber se ele tinha jantado ou avisar à cuidadora que não adiantava esconder o remédio na comida porque ele percebia. O que me dói é ser questionada. Como eu não ia cuidar de um senhor que está nas minhas mãos? Como colocaria a cabeça no travesseiro? Eu estava cuidando dele e cagando para o dinheiro. Além do mais, calcula-se que papai devia mais que R$ 20 milhões, posso até herdar essa dívida!