Bayern vai ganhar as próximas 20 Bundesligas, mas a Champions League é um assunto diferente

Às vezes, na Alemanha, as coisas são muito fáceis para o Bayern de Munique. Na verdade, ali tudo é muito fácil para o clube mais poderoso. No último sábado (29), os bávaros garantiram o 27º título alemão com uma goleada por 6 a 0, fora de casa, sobre o Wolfsburg.

David Alaba abriu o placar com um golaço de falta, e depois Robert Lewandowski somou dois tentos à sua coleção. A vitória já parecia estar garantida, mesmo quando Mario Gomez teve uma grande chance de diminuir a contagem para os ‘Lobos’. Jogador com passagem vitoriosa justamente pelo Bayern, Gomez estufou as redes mais de 100 vezes ao longo de quatro temporadas defendendo o gigante de Munique.

Em seus últimos momentos na Allianz Arena, Gomez viu o seu prestígio na equipe titular diminuir quando o clube comprou Mario Mandzukic junto ao Wolfsburg. É algo corriqueiro para o Bayern, tirar os grandes destaques dos outros clubes alemães. O próprio Lewandowski, principal goleador da equipe atual, era ídolo do Borussia Dortmund antes de trocar o amarelo pelo vermelho. Em outros países, esse tipo de transferência seria impensável. Mas é algo normal, e esperado, na Bundesliga.

Sebastian Rudy 09112016

Sebastian Rudy, destaque do Hoffenheim (Foto: Getty Images)

O Hoffenheim, por exemplo, faz uma grande temporada e está prestes a garantir, pela primeira vez em sua história, uma vaga na Champions League. Entretanto, já sabe que dois de seus destaques [o defensor Niklas Sule e o meio-campista Sebastian Rudy] já deixaram tudo certo para defenderem o Bayern. Até porque a equipe de Munique contrata, praticamente, quem quiser na Alemanha, e quando tiram o máximo de determinado atleta, passam adiante.

Por isso, o Bayern é sempre favorito para o título alemão. Muito provavelmente, levantarão a salva de prata [como se chama o troféu] na próxima temporada e deve seguir assim pelos próximos 20 anos. Mas isso não será o bastante para treinadores, jogadores, dirigentes e torcedores. Se você é o Bayern de Munique, a Bundesliga é uma obrigação: o desafio é conquistar a Champions League. Sem sucesso europeu, Ancelotti ou qualquer outro treinador não vai durar muito na Bavária.

Philipp Lahm Bayern München Champions League 05.25.2013

Lahm, com o troféu da Champions League em 2013 (Foto: Getty Images)

Trazer a Champions League para casa é um desafio diferente. O Bayern consegue avançar da fase de grupos praticamente em todas as temporadas, mas o desafio cresce a partir das oitavas de final: na última vez, a eliminação veio com derrota de 6 a 3, no placar agregado, para o Real Madrid.

Neuer, Boateng, Lewandowski... o Bayern conta com alguns dos maiores jogadores do mundo. E embora tenha garantido a permanência de Thiago Alcântara, um dos grandes destaques do time, os bávaros terão que encontrar substitutos à altura para Xabi Alonso e Philipp Lahm, que se aposentam no final da temporada.

O Bayer pode comprar jogadores de seus rivais domésticos, mas precisa olhar para outros destaques europeus. Segundo o jornal SportBild, Carlo Ancelotti terá cerca de 100 milhões de euros para gastar em contratações e nomes como Antoine Griezmann, Paulo Dybala, Marco Verratti, Alexis Sánchez, Kyle Walker e Kylian Mbappe estariam na mira. Todos os citados deixariam o elenco bávaro mais forte, mas contratar jogadores como os do Hoffenheim não vai mudar o nível do Bayern. Sem Lahm e Alonso, a diretoria do clube terá de trabalhar. O título alemão de 2017-18 já é quase garantia, mas primeira Champions League desde 2013 ainda está longe de chegar.