Bauza não tem sido o mago que se esperava na seleção da Argentina

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Quinto lugar nas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Três vitórias em jogos oficiais desde que assumiu o comando. Três derrotas e dois empates. A Argentina está correndo o sério risco de ficar fora da Copa do Mundo sob o comando de Edgardo Bauza. Cotado como o salvador de um time perdido desde o início da competição, “El Patón” ainda não conseguiu tirar do elenco o futebol que se espera.

Não que seja exclusivamente culpa do treinador. Desde que chegou ao cargo, no ano passado, Bauza teve de pensar em uma fórmula para recuperar a moral dos jogadores. É verdade que antes da Copa América Centenário, a Albiceleste vinha de quatro vitórias seguidas e estava nas cabeças das Eliminatórias. Mas a queda diante do Chile, na final, abalou os ânimos. Sobretudo os de Messi, que ameaçou se aposentar da seleção e voltou atrás antes mesmo da estreia de Bauza.

Foi do craque o gol contra o Uruguai, a primeira vitória da nova era que se iniciava na Argentina. Mas nem mesmo Messi pôde evitar o fiasco dos quatro jogos seguintes. Empates contra Venezuela e Peru por 2-2 expuseram a fragilidade defensiva da seleção, algo que Bauza aparentemente dominava em sua carreira por clubes. A consistência lá atrás permitia que suas equipes tocassem a bola com calma e chegassem ao ataque. Bons trabalhos pela LDU, pelo San Lorenzo e pelo São Paulo o credenciaram ao posto mais importante do futebol argentino.

Empates não tiraram a Argentina do bolo. O que se mostrou crucial mesmo foram as duas derrotas para o Paraguai (em casa) e contra o Brasil (uma surra por 3-0). Imponente dentro de seus domínios, a equipe de Bauza voltou à ação e derrotou bem a Colômbia por 3-0, superou o Chile na última Data Fifa e por último acabou derrotada pela Bolívia, em La Paz.

Contra a parede. São 22 pontos dos argentinos e 20 dos equatorianos, que estão logo atrás. Para a próxima rodada, em agosto, Bauza e seus comandados terão o Uruguai pela frente, em Montevidéu. Uma derrota pode significar dormir na sexta posição e portanto fora da Copa, com mais três jogos restantes. A sorte deles é que a Argentina encerra sua participação contra Venezuela (casa), Peru (casa) e Equador (fora). Sequência que pode render sete pontos. Para isso, é preciso que eles cheguem sem precisar vencer os equatorianos em Quito. Um jogo de vida ou morte neste contexto tem muito mais probabilidade de derrota, e daquelas bem sofridas.

O ataque da Argentina como um todo não tem impressionado na competição. Em 14 jogos, foram apenas 15 gols marcados. A defesa também não transmite muita confiança, com a média de um gol sofrido por partida. Esperar que Bauza faça mágica com uma equipe limitada pode até funcionar dentro de uma Libertadores, mas treinar uma seleção nacional sem a vivência diária de um clube é uma missão muito mais complicada do que parece. Mesmo porque, a fase dos atletas oscila muito na maior parte do ano e é difícil ter o mesmo foco representando o seu país em outro contexto.

Outro ponto que pode ajudar a entender a má fase é Gonzalo Higuaín. Em nove jogos pelas Eliminatórias, ele marcou só uma vez, no empate contra o Peru no primeiro turno. Como goleador e responsável por empurrar a bola para a rede, o atacante da Juventus está devendo. Por este motivo, o rodízio entre ele, Agüero e Pratto tem sido efetuado na equipe.

Contra a Bolívia, na última terça, Bauza teve um problemaço. Forçado a escalar uma equipe mista e dependente de Di María, o técnico também se viu sem Messi pela primeira vez. Suspenso por xingar um bandeirinha no jogo contra o Chile, o camisa 10 e capitão viu de fora a angustiante derrota por 2-0 na altitude boliviana.

O meio-campo e o ataque da Argentina foram uma verdadeira incógnita para quem não acompanha de perto estes atletas: Pizarro, Banega, Pérez, Di María, Pratto e Correa. Agüero entrou só na segunda etapa e Dybala, mesmo em grande fase pela Juventus, sequer entrou. A falta de Mascherano como volante também amplificou o drama argentino na marcação.

Diante disso, Patón se viu em novo dilema. Sem suas principais estrelas, a proposta de jogo fica muito comprometida. A ausência de Messi (inicialmente pelos próximos três jogos) pode pesar muito na forma como os atletas encaram os adversários. E a pressão só tende a aumentar até o desfecho da competição. Talvez seja a hora de dar uma chance maior para Dybala, trocar Higuaín por Agüero (sabemos que decisões não são o forte do camisa 9 da Juventus) e fechar a casinha para não sofrer mais gols fora de casa. É importante continuar somando pontos até o fim.

Em condições normais, a Argentina pode somar sete pontos em 12 possíveis em sua tabela. Entretanto, sem Messi, as coisas ficam mais complicadas. Depender de alguém é ruim, mas pior ainda é não ter a quem recorrer em momentos de apuro.