Bastidores do mundo do surfe eternizados por brasileira


Diretora de fotografia, com trabalhos no Canal OFF desde 2011, filmmaker, fotógrafa e produtora, Ju Martins acompanhou, durante um ano, os passos da surfista Silvana Lima, uma das representantes do Brasil nos Jogos de Tóquio-2020 - adiados para o ano que vem por conta da pandemia do coronavírus.

Quando o projeto foi pensado, o surfe sequer era esporte olímpico. Ele só foi confirmado como estreante em Tóquio em agosto de 2016, mesmo ano em que Ju e Silvana se juntaram para documentar a vida e os desafios da surfista no WQS (a divisão de acesso do surfe profissional), ao lado da também surfista Claudinha Gonçalves - produtora de conteúdo e de elenco do Canal OFF - e do renomado fotógrafo Iaponã Neuronha.

- Acompanhei a Silvana durante um ano, quando ela saiu do CT (Championship Tour, a divisão de elite do surfe). Ela se desqualificou em 2015, e em 2016 a gente já estava com esse projeto de documentar a temporada para que ela pudesse voltar para o CT em 2017, e foi o que aconteceu. Foi uma super conquista. Hoje a Silvana não é apenas um dos maiores ídolos do surfe no Brasil, ela representa toda uma história de superação e força do surfe feminino, sendo um exemplo para várias atletas e gerações - diz Ju Martins.

Um dos objetivos do documentário - a meta é lançá-lo no ano que vem - é contar a história de uma das surfistas mais importantes do Brasil e, de quebra, o cotidiano nem sempre glamouroso, mas de muita entrega, de quem vive da modalidade no país.

Depois de trabalhar por 3 anos como designer industrial em uma empresa de purificadores de água no Brasil, em 2010 Ju mudou radicalmente de vida. Foi para a Indonésia morar em um barco e lá sua paixão pelo oceano, pela natureza e pela fotografia aumentou ainda mais. Ela passou 8 anos viajando o mundo à procura de ondas e lugares intocáveis desde o Sri Lanka, passando pela Patagônia Argentina, África até a ilha de Hainan, na China.

Atualmente Ju Martins é sócia-proprietária da Arte Girassol, especialista em conteúdos audiovisuais e no momento está trabalhando em um documentário com o Phil Rajzman, bicampeão mundial de longboard. Ela foi uma das primeiras mulheres cinegrafistas a trabalhar com áudio visual no surfe e se especializou em três técnicas: panning, zooming (efeitos que enfatizam o movimento na cena), e a fotografia aquática.

- Quando comecei, quase não tinham mulheres trabalhando nesse nicho do surfe como fotografas/cinegrafistas, fui uma das primeiras mulheres, senão a primeira, a aplicar o panning e o zooming em fotografias no Brasil, há muitos anos atrás, e era bem interessante, porque as pessoas ficavam intrigadas no bom sentido, por muitas vezes não saberem se era uma foto ou se era uma pintura. Na Exposição "Mulheres em Movimento", no Rio, em 2013, na Galeria de artes Urban Arts apliquei essas técnicas e as pessoas ficaram muito curiosas, achavam que era pintura, quando na verdade era uma foto. Na fotografia aquática eu tento dar uma pegada mais artística. Hoje, a fotografia aquática já disseminou e tem muita gente fotografando, inclusive mulheres inspiradoras que eu admiro muito, que entram em mares fortes para captarem a parte da ação no surfe. Eu busco captar a ação, claro, mas dentro dessa ação dou um toque mais artístico, mais poético. Tento explorar essas técnicas e isso é um diferencial. É o que define o meu olhar - conta Ju.













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