Basílio torce de forma contida antes de celebrar reedição de final

Basílio chegou cedo a Itaquera na tarde de domingo. Cerca de duas horas antes de a partida contra o São Paulo começar, o ídolo do Corinthians já estava na posição 78 (guardou a 77 para um amigo) da cabine de imprensa do estádio, para atuar como comentarista da Rádio Capital. Ali, distribuiu cumprimentos e entrevistas. Todos queriam saber como o herói da conquista do Campeonato Paulista imaginava a reedição de uma final estadual com a Ponte Preta.

“No ar, eu não posso falar que o Corinthians já passou pelo São Paulo. Vamos com calma, né?”, sorria o contido Basílio, embora confiante na classificação corintiana, sempre que era requisitado a fazer projeções para a decisão.

O algoz da Ponte Preta há quatro décadas tinha outras preocupações antes de o clássico entre Corinthians e São Paulo começar. Basílio se encarregou de arrumar ingressos para a partida para os amigos Wladimir, seu companheiro na campanha vitoriosa de 1977, e Biro-Biro.

“Wlad? Só consegui ingressos para você. O Biro vai ter que se virar. Vou desligar o telefone agora porque a transmissão vai começar. Um beijo”, disse, divertindo-se ao avistar o chamado “Esquenta da Fiel” do lado de fora do estádio. “Bota a sua cara preta lá, Wlad, que vão te colocar aqui para dentro”, gargalhou.

Antes de desligar o seu telefone celular, Basílio ainda foi interpelado mais uma vez na cabine de imprensa. Ganhou de presente a nova camisa preta com listras brancas do Corinthians, que homenageia a conquista de 1977. Imediatamente, tirou o casaco de lã amarelo que vestia e testou o modelo no seu corpo. “Ficou bonito, hein? Vou comentar uniformizado”, avisou, antes de mudar de ideia. “É melhor tirar. Vão falar que sou parcial. Parcial, eu?”, disse o corintiano.

Com uma caneta estilizada do Corinthians, Basílio, então, anotou as formações escolhidas pelos técnicos Fábio Carille e Rogério Ceni e iniciou o seu trabalho fora de campo. Não sem deixar de se impressionar com o mosaico com a inscrição “tu és orgulho” formado no setor leste de Itaquera durante a execução do Hino Nacional Brasileiro. “Que coisa linda! Tira uma foto e manda para mim por WhatsApp, por favor”, pediu a um colega da rádio em que trabalha, uma vez que o seu celular já estava desativado.

O comentarista Basílio previu uma “goleada por 1 a 0” do Corinthians no clássico, mas quase mudou de ideia após se enervar com os erros de passe do time dirigido por Carille. Deixando o microfone longe da boca, não se conteve com um escorregão do meia Rodriguinho e chutou o ar com o seu pé de anjo: “P…! Já não sabe que essa m… de gramado é molhada antes do jogo? Mas tudo bem. Ele está nervoso”.

Cauteloso para comemorar o gol do centroavante Jô, já que o assistente Alex Ang Ribeiro cogitou assinalar impedimento na jogada, Basílio não se deu por satisfeito com a vantagem de 1 a 0 no marcador ao intervalo. “O Corinthians é uma decepção muito grande”, chiou, antes de ir ao banheiro e retornar para comentar a etapa complementar do Majestoso.

O avançar do tempo minimizou a frustração de Basílio com o futebol pouco propenso ao ataque do Corinthians. Sorridente, já sem lamentar as falhas da equipe da casa, o ídolo até deu de ombros para o gol que o centroavante argentino Lucas Pratto anotou para o São Paulo. Afinal, o empate por 1 a 1 também servia para que a histórica decisão do Campeonato Paulista de 1977 fosse reeditada em 2017.

“É uma coincidência muito feliz para nós, que vivemos tudo aquilo sem imaginar que seria, até hoje, um dos maiores títulos da história do Corinthians”, vibrou Basílio, já sem se conter, antes de usar a sua caneta com o escudo corintiano para concluir as anotações sobre a semifinal, religar o telefone celular e passar a ser ainda mais procurado para falar sobre a nova decisão entre Corinthians e Ponte Preta.