Basílio se emociona ao rever a camisa usada na decisão de 1977

Angelo Martins, Rafael Bullara e Vinícius Perazzini

- É maravilhoso e emocionante saber que no dia 13 do dez eu estava com isso no corpo.

A frase acima é de Basílio, herói do Corinthians contra a Ponte Preta naquela noite de quinta-feira em 1977, ao deparar com a camisa número 8 que vestiu no gol histórico que findou jejum de 23 anos sem títulos.

Na semana em que Timão e Ponte se encontram para o primeiro jogo da decisão, que acontece neste domingo, em Campinas, o Pé de Anjo foi até o acervo do colecionador Paulo Gini para rever o modelo usado por ele na noite histórica. A final que mudou a vida de Basílio será reeditada 40 anos depois. Coisa do destino?

- Acredito, sim (em destino). Mas jamais imaginava. Eu trabalho na Rádio Capital e quando terminou o jogo (contra o São Paulo) eu fiquei olhando e falei: "Nossa, como o destino reserva as coisas para nós". Foi contra o São Paulo que a gente se classificou e a Ponte já estava classificada no sábado. As coincidências são muitas - disse, com o manto preto e branco nas mãos.






A camisa histórica está com Paulo Gini desde 2010, quando o colecionador a comprou do próprio Basílio. A exemplo do gol chorado contra a Macaca, não foi nada fácil convencer o ex-jogador a se desfazer da relíquia.

- Eu já tinha visto algumas matérias na casa do Basílio com a camisa por causa de 1977 e eu sou um garimpador de itens usados por jogador. Fiiquei enchendo o saco dele durante uns cinco anos. Eu ligava para ele a cada seis meses e falava que esta camisa tinha que vir para minha coleção, que cuidaria bem dela. É uma peça super-histórica. Sou corintiano e todo corintiano se considera roxo. Tenho coleção de quase toda a história do Corinthians e achava que cuidaria bem dela - conta Paulo Gini.

Além da camisa do terceiro jogo daquela decisão, o acervo conta também com a usada por Vaguinho na segunda partida da final. Até um modelo de Carlos, vestida pelo então goleiro da Ponte Preta no mesmo ano, faz parte dos itens.




A presença do valioso objeto merece um lugar especial no espaço em que Paulo guarda camisas, chuteiras, bolas, luvas e flâmulas. Uma caixa de madeira com vidro serve para adequar e proteger a camisa 8 autografada com a data de 13 de outubro de 1977. É o "xodó".

Desde a venda, há sete anos, Basílio não tinha mais visto a camisa.

- Muito fera. Sempre quis essa cena, sabia? - disse Paulo na hora de posar para a foto com Basílio, que prontamente respondeu:

- Opa, que legal, Paulo!

A história de uma nova decisão para o Corinthians começa a ser escrita a partir deste domingo e a chance de uma nova peça estar em breve nas prateleiras catalogadas com o distintivo do clube de coração de Paulo é grande. Resta saber se haverá e quem será o herói em caso de mais uma conquista.







Camisa Basílio

Paulo exibe as camisas do Timão em sua coleção (Foto: Eduardo Viana)

CORINTHIANS DOMINA COLEÇÃO

Paulo conta com cinco mil objetos na sua coleção e 800 deles são do Corinthians. Todos os itens são de jogo e a cada pequena mudança na camisa do clube é motivo para que um novo manto faça parte da lista.

- O Corinthians tem usado uma média de 40, 45 camisas diferentes por ano. Com detalhes diferentes. Eu tento pegar uma de cada - comenta Paulo.

Neste domingo o time estreará o uniforme preto e branco, feito justamente em homenagem ao título de 1977.

Paulo esteve no Japão em 2012 para acompanhar o Mundial de Clubes e de lá retornou com a camisa usada por Cássio e uma das bolas da final contra o Chelsea. Meses antes, a camisa da final da Libertadores contra o Boca Juniors entrou na coleção. Outro item raro é o modelo único preto que o Corinthians usou diante do Real Madrid, em 2000, no Mundial disputado no Brasil. Paulo o classifica como "mosca branca".

PAIXÃO FALA MAIS ALTO

Depois do rebaixamento no Brasileiro de 2007, Paulo Gini decidiu que não faria esforço para pegar nenhum modelo que o time vestisse no ano seguinte. Mas a paixão pelo clube e pela coleção fez com que ele mudasse de ideia meses depois.

- Eu tenho a do ano do rebaixamento. Vou falar que eu não queria pegar a camisa do ano seguinte que caiu. Fiquei seis meses sem pegar nada do Corinthians. Estava puto, triste e falei: "A coleção vai ter um buraco". Depois eu corri atrás e vi que não tinha nada a ver, na verdade é tão histórico quanto ano de conquista. O bom é que ficou mais barato este ano (risos).













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