Barbeiro que fez Corte do Hexa viraliza e participa de ação com patrocinador da seleção

Desde que o Brasil estreou na Copa do Mundo, há uma semana, a bandeira do país ganhou um lugar inusitado. O verde e amarelo está literalmente na cabeça (e no cabelo) dos moradores da Fazenda da Barra 3, em Resende, no Sul Fluminense. Isso desde que o barbeiro Washington Rodrigo Santos da Conceição lançou a criação: Corte do Hexa.

O penteado, que inicialmente foi batizado de Cabeça do Brasil, leva cerca de duas horas e meia para ficar pronto. Primeiro, é preciso cortar o cabelo; depois, descolorir e, finalmente, começar o processo de pintura, utilizando as cores da bandeira brasileira. O corte de Washington viralizou e, além dos milhares de seguidores que conquistou nas redes, a ideia também chamou a atenção do Itaú, patrocinador da seleção brasileira.

Aos 24 anos, Washington ainda tenta processar toda a repercussão da sua invenção, mas comemora o sucesso.

— Não esperava que fosse viralizar dessa forma. Quando bateu 10 mil seguidores no TikTok, comemorei. Começou a subir muito o número de seguidores, a galera começou a comentar e a me procurar. Muita gente mandando mensagem. Foi uma loucura. Está sendo até hoje — vibra Washington, que passou de 600 para 25 mil seguidores no TikTok e de 11 mil para quase 15 mil no Instagram.

A ideia do corte surgiu há dois meses e o objetivo do barbeiro era atrair clientes para a Copa. Ele decidiu, então, desenhar a bandeira e testar o molde na própria cabeça:

— A bandeira é uma geometria: um círculo, um losango e um retângulo. Desenhei eles na folha de papel e comecei a posicionar na minha cabeça para ver como ficaria mais legal. Já estava com ideia de fazer a bandeira há algum tempo por ser ano da Copa. Comprei o material e, assim que chegou, perguntei no Instagram se tinha alguém que topava fazer algo diferente no cabelo.

Um cliente se interessou e quis saber mais. Washington disse apenas que seria a bandeira brasileira, mas não deu muitos detalhes. O barbeiro fez o corte, a pintura e gravou todo o processo. Assim que postou, o vídeo viralizou.

Quando a Copa começou, Washington reeditou o vídeo e postou novamente. Foi um sucesso.

— Da primeira vez que postei, há dois meses, não tinha colocado meu arroba. Muita gente compartilhou, mas não tinha meu nome. Quando chegou o início da Copa, fiz nova edição e postei o vídeo novamente com meu arroba. Então, a galera começou a me procurar — lembra.

Uma semana após a estreia do Brasil, Washington foi procurado pelo Itaú. Até esta quinta-feira, ele e os moradores de Resende participam de uma ação com o banco que está patrocinando a pintura dos cabelos de quem mora na região.

A rotina de Washington durante esse período de Copa do Muindo é trabalhar 12 horas por dias, das 9h às 21h, principalmente na véspera de um jogo do Brasil. Mas, no início, ele ficava o dia inteiro esperando a clientela. O começo na profissão foi cedo, aos 18 anos, depois que fez um curso de barbeiro na associação de moradores.

— Um amigo meu estava fazendo curso e me chamou para fazer com ele. Quando iniciei, o curso já tinha passado da metade. Fiquei só dois meses. Nunca tinha pego numa máquina — conta Wshington, que sonhava ser agente da Polícia Rodoviária Federal.

Assim que concluiu as aulas, passou a cortar cabelo de alguns amigos e de familiares. Logo depois, começou a fazer um curso remunerado na área de logística e, com a renda que recebia, comprou sua primeira máquina profissional:

— Quando o curso acabou, comecei a cortar cabelo em casa por R$ 10. Coloquei uma plaquinha, mas ninguém ia. Não confiavam.

Ele, então, começou a distribuir currículos. Até que foi cortar cabelo com o professor do curso de barbeiro e recebeu sua primeira oportunidade.

— Fui cortar cabelo com meu professor e depois iria entregar currículo. Ele perguntou se eu queria cortar cabelo com ele e eu topei. Três meses depois, ele montou um lugar para eu trabalhar com ele. Fiquei lá por nove meses. Com o dinheiro que ganhava, consegui comprar cadeira, espelho e juntei dinheiro para alugar o espaço onde trabalho há cinco anos e meio — orgulha-se.

Hoje, o Corte do Hexa custa R$ 100 e Washington faz cerca de cinco por dia.

— Véspera de jogo, todo mundo quer fazer.