Bando de Loucos: Carille, um Monstro

Durante meses, o corinthiano viveu um medo. Uma incerteza de um treinador com longevidade que houvesse potencial para conduzir o Corinthians por grandes vitórias. Com a negativa dos nomes, Fábio Carille acabou efetivado, com a companhia do auxiliar Osmar Loss.

Fábio Carille sabe muito bem o que é Corinthians. Está desde 2010 no clube sendo auxiliar de Mano Menezes, Tite e demais nomes.

Entende a cobrança. Sabe o tamanho do leão que vai enfrentar.

Por isso, se preparou. Fez cursos, se reciclou, estudou.

Foi atrás de como buscar a perfeição defensiva, grande calcanhar de Aquiles do clube em 2016 após a saída de Tite, usou de verdade a Base (tão pedida pela Fiel) e buscou um nome que pudesse fazer o ataque funcionar. No caso, Jô.

Fabio Carille Corinthians Linense Paulista 29032017

Outra questão que incomodava bastante a torcida do Corinthians em 2016 era ser saco de pancada em clássico e ser muito vulnerável a derrotas em jogo grande.

Carille acabou com isso.

O Corinthians de Carille, com a bola rolando, simplesmente não perdeu NENHUM clássico e, com bola rolando, não foi derrotado nenhuma vez em confrontos decisivos, de mata-mata. Virou o terror dos rivais estaduais e um time bem chato de ser eliminado. Exceto nos pênaltis, Fábio Carille obteve sucesso em todas as etapas de mata matas. Deu o azar de ser eliminado no Internacional (nas penalidades. Bola rolando, nada feito).

O resultado não poderia ser melhor.

Fábio Carille - Corinthians - 4/03/2017

(Fotos:Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

Levou o Corinthians para a Final do Paulista contra a Ponte Preta (revivendo 40 anos depois de 1977), engatilhou uma classificação na Sul-Americana fazendo 2x0 na tradicional Universidad de Chile no jogo de ida e fez atletas “comuns”, como Gabriel, Pablo, Balbuena e Jô jogarem muita bola contra adversários bastante superiores.

Melhor: Não tem vaidade em esconder a deficiência, que é a criatividade na hora de atacar. Sabe conviver com ela.

Entende que o time ainda é pobre na criação de jogadas e que depende que seu adversário tenha a bola. Assumidamente reativo. Quase Bilardista, faz o Corinthians ser extremamente frio, paciente e com a certeza de que irá matar o adversário a qualquer momento. Não importa se apenas com 1x0 ou empatando pra classificar.

Fábio Carille nos devolveu o respeito.

Fez o Corinthians voltar a ser temido em clássicos.

Está a dois jogos de ser Campeão Paulista.

Se será, eu não sei.

Mas tenho certeza absoluta que o Corinthians volta a fazer algo que não fez em nenhum momento após Tite sair: voltou a competir em longo prazo, com tendência de melhora.