Band assume transmissão da F1 com time ex-Globo e desafios da pandemia

LUCIANO TRINDADE
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Atual campeão Lewis Hamilton guia sua Mercedes no Bahrein em 2021. Foto: Mazen Mahdi/AFP via Getty Images
Atual campeão Lewis Hamilton guia sua Mercedes no Bahrein em 2021. Foto: Mazen Mahdi/AFP via Getty Images

Os efeitos da pandemia de Covid-19 na prática do jornalismo em todo o mundo estão entre os desafios que a Band terá após adquirir os direitos de transmissão da F1 pelas próximas duas temporadas, 41 anos depois de tê-los pela última vez.

A categoria deixou a Globo após a não renovação do contrato entre as partes, que vigorou até a temporada 2020, e se mudou da emissora carioca para a paulistana. Boa parte dos profissionais agora na Band inclusive tem anos de experiência na antiga casa da F1 no Brasil, que mostrou todos os oito títulos de pilotos brasileiros na história.

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A abertura da temporada 2021 será neste fim de semana, com o GP do Bahrein. Os treinos livres de sexta-feira (26) serão exibidos pelo canal por assinatura BandSports. No sábado (27), a Band transmitirá a primeira classificação do ano —as demais ficarão na TV fechada, a exemplo do que a Globo fazia com o SporTV. A corrida, às 12h de domingo (28), será na TV aberta.

Com a promessa de passar todas as 23 provas da temporada, a Band afirma que exibirá a cerimônia dos pódios até o fim, algo que a Globo deixou de mostrar nos últimos anos.

Este será o campeonato mais longo da história da F1, o que exigirá mais deslocamentos de pilotos, equipes e profissionais de imprensa justamente num momento em que há uma série de restrições de viagens para diversos países.

"A pandemia é muito instável, e com isso há variações nos protocolos de segurança de cada país. Em um lugar, você pode precisar fazer um isolamento de dez dias, no outro são cinco, depois pode ser de 14 dias. Esse será o grande fator de complicação para todos nós", diz Mariana Becker, repórter recém-contratada pela Band após 25 anos na TV Globo, 13 deles na cobertura automobilística.

Depois do GP do Bahrein, a categoria desembarcará na Itália, para a etapa de Ímola, no dia 18 de abril.

Enquanto o país asiático apresenta média móvel de 722 novos casos de Covid-19 nos últimos sete dias, o europeu teve média móvel de 21.683 casos no mesmo período, dados registrados até segunda-feira (22), segundo a Universidade Johns Hopkins (EUA).

A F1 foi o primeiro grande evento esportivo internacional retomado em 2020, em meio à crise sanitária. No paddock, onde circulam todos os envolvidos com a categoria, várias medidas foram adotadas, sobretudo a redução no número de pessoas trabalhando, além de todos serem frequentemente testados para a Covid-19.

Em 2020, cada escuderia pôde enviar até 80 colaboradores para cada etapa, dos quais até 60 poderiam atuar na operação dos carros.

Equipes de TV passaram a contar com até três profissionais (repórter, produtor e câmera). Jornalistas de rádio e mídia escrita tiveram de adotar o trabalho a distância, com entrevistas por videoconferência.

Mariana Becker é a nova repórter de F1 na Band; ela trabalhou durante 25 anos na Globo - Divulgação/Vira Comunicação
Mariana Becker é a nova repórter de F1 na Band; ela trabalhou durante 25 anos na Globo - Divulgação/Vira Comunicação

Becker conta que o distanciamento afetou a rotina de trabalho de todos. "A busca pelo furo ficou em milésimo lugar. Ao mesmo tempo em que tinha essa dificuldade de trabalhar, pessoas estavam morrendo. Então, você não quer competir contra três, quatro, enquanto outros não podem estar ali. É desleal."

Mesmo para quem seguiu trabalhando no paddock, o acesso se tornou limitado. Antes era comum os pilotos e os chefes das equipes conversarem informalmente com os repórteres após cada bateria de treinos, o que deixou de ocorrer.

Além disso, entrevistas presenciais são feitas com protocolos de segurança, como distância de 1,5 metro entre o jornalista e entrevistado, um microfone para cada um para que não haja compartilhamento, assim como o uso obrigatório de máscaras.

"Os próprios pilotos estavam diferentes no começo [da pandemia], mais afáveis, você percebia que eles te olhavam mais no olho, perguntavam se estava tudo bem. Eles estavam a fim de ter essa conversação", afirma Mariana Becker.

Além da jornalista gaúcha, a Band contratou vários profissionais que estavam acostumados a fazer a cobertura da F1 pelos canais da Globo, como o narrador Sérgio Maurício, Reginaldo Leme (que comentou a categoria por quatro décadas na emissora, até 2019) e os ex-pilotos Max Wilson e Felipe Giaffone, que também irão comentar as provas.

A emissora contratou para atuar como produtora na cobertura in loco a jornalista Julianne Cerasoli, colunista do portal UOL, com experiência na cobertura da categoria desde 2011.

Para Sérgio Maurício, que costumava narrar treinos e algumas corridas no SporTV, outro desafio para a equipe será apresentar a F1 para um novo público.

"Na TV aberta é preciso ter um cuidado maior, porque o público é muito rotativo e não necessariamente especialista. Uma transmissão mais didática, mas com muita informação e com os principais lances", diz o narrador. "Temos de acostumar e reacostumar o público da Bandeirantes com a transmissão da F1."

Como ver o GP do Bahrein de Fórmula 1

Sexta-feira (26), 8h30 - 1º Treino livre - BandSports e F1 TV Pro*

Sexta-feira (26), 12h - 2º Treino livre - BandSports e F1 TV Pro*

Sábado (27), 9h - 3º Treino livre - BandSports e F1 TV Pro*

Sábado (27), 12h - Treino classificatório - Band, BandSports e F1 TV Pro*

Domingo (28), 12h - Corrida - Band e F1 TV Pro*

*A assinatura da plataforma de streaming F1 TV Pro custa R$ 28,90 por mês