Baixada Santista implementa lockdown de 13 dias

Redação Notícias
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Agência Brasil
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O Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) aprovou nesta sexta-feira (19), a implantação de lockdown nos nove municípios da região: Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente. As restrições valem por 13 dias, de 23 de março e 4 de abril.

De acordo com a decisão, será permitida a circulação de pessoas e veículos para a compra de remédios, atendimento ou socorro médico de pessoas ou animais, embarque e desembarque em terminal rodoviário, atendimento de urgências e necessidades inadiáveis, bem como a prestação de serviços permitidos em decreto municipais. Uma força-tarefa com a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal vai fiscalizar a circulação de pessoas e veículos.

"São medidas duras mas que, infelizmente, temos que tomar agora para preservar vidas. Os especialistas em Saúde nos passaram um quadro assustador no encontro realizado quinta-feira", afirmou o presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista e prefeito de Santos, Rogério Santos.

Confira algumas das medidas anunciadas:

  • O transporte público municipal funcionará com horário reudizo pela manhã e ao final do dia, apenas em dias úteis;

  • As feiras livres estão proibidas;

  • O setor hoteleiro só atenderá clientes corporativos, com todas as áreas de lazer e recreação fechadas;

  • Serviços de drive-thru estão suspensos;

  • Bancos poderão funcionar apenas em serviço de autoatendimento;

  • Supermercados, padarias, açougues e mercearias poderão funcionar com capacidade de até 70% dos produtos essenciais (alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal) até as 20h;

  • Aos sábados e domingos, supermercados, padarias, açougues e mercearias só poderão funcionar na função de delivery

Porto de Santos é o maior do Brasil e será afetado

Com mais de 7 milhões de metros quadrados, apesar de ser conhecido como Porto de Santos, o local abrange também as cidades de Guarujá e Cubatão. A maior parte, no entanto, fica em Santos e será afetada com o lockdown.

O porto de Santos é o principal porto brasileiro, e o maior complexo portuário da América Latina. Possui uma grande variedade de terminais de carga para diversos produtos, que realizam a movimentação de granéis sólidos (principalmente de origem vegetal), líquidos, contêineres, carga geral e passageiros.

Doria ameaçou lockdown no estado todo, mas voltou atrás

Na manhã da quarta-feira (17), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), havia comentado que poderia endurecer medidas de combate ao coronavírus. No entanto, durante a coletiva do governo estadual, se esquivou ao ser questionado sobre um lockdown, ou seja, um confinamento.

"De maneira muito respeitosa, preciso responder a você e aos outros jornalistas: quem pauta as decisões do governo de São Paulo não é a imprensa, muito menos nessa área de saúde. É o Centro de Contingência do Covid-19, eles que nos pautam daquilo que devemos e não devemos fazer, e quando devemos fazer", disse Doria. Em seguida, o governador passou a palavra para Paulo Menezes e João Gabbardo, coordenadores do Centro de Contingência.

Doria afirmou que está preocupado com a situação de São Paulo, mas que não garantiu que seriam implementadas novas mudanças. "Eu não disse que 'certamente', eu disse que 'eventualmente' essas medidas poderiam ser adotadas", respondeu aos jornalistas. "Apenas reconheci que o estado é grave, que temos uma situação bastante dramática no estado de São Paulo e em todo o Brasil."

Segundo dados apresentador pelo secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, o estado de São Paulo tem 89,9% dos leitos de UTI ocupados. Na Grande São Paulo, o índice é de 90,6%. O índice de isolamento social ficou em 44% na última terça-feira, (16).

Durante a fase emergencial, na região metropolitana, o número de usuários do transporte público caiu 61%, segundo dados das concessionárias.

Para Paulo Menezes, os efeitos da fase emergencial, que já está em vigor desde segunda-feira (15), só serão sentidos nas próximas semanas. Por isso, considera que é preciso esperar para pensar em restringir ainda mais as medidas.

Segundo Doria, cada munícipio tem a liberdade de tomar medidas mais restritivas para frear o avanço da covid-19. É o caso de Araraquara, Rio Preto e Ribeirão Preto, por exemplo. "O que não pode ser feito é afrouxar as medidas", explicou o governador.

Fase emergencial

Desde o último dia 15, São Paulo vive a fase emergencial do Plano SP. A nova medida vale por duas semanas, até dia 30 de março. Na fase emergencial, não poderão haver atividades esportivas, lojas de material de construção terão de fechar, assim como os serviços de retirada de todos os setores. O campeonato Paulista de futebol também será suspenso. Os jogos serão paralisados entre 15 e 30 de março.

Os cultos religiosos também estão suspensos, mas as igrejas vão continuar abertas para aqueles que quiserem rezar de forma individual.

Drive-thrus e serviços de delivery de restaurantes e outros estabelecimentos comerciais podem funcionar 24 horas por dia.

Há ainda um toque de recolher entre 20h e 5h. Não será permitido circular durante o período, a não ser que seja estritamente necessário. Aglomerações estão proibidas e as máscaras são obrigatórias em ambientes internos e externos. Durante o período, paulistanos não poderão frequentar praias e parques.

Maior colapso sanitário da história

A situação de colapso se repete em praticamente todos os estados do Brasil. De acordo com o Boletim do Observatório Covid-19, divulgado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o país vive o maior colapso sanitário da história do país.