Bahia investe em corpo técnico e quer chegar ao topo da formação de atletas no Brasil

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Roberto Braga é ex-diretor de planejamento da Ferroviária e professor de cursos da CBF Academy (EC Bahia)
Roberto Braga é ex-diretor de planejamento da Ferroviária e professor de cursos da CBF Academy (EC Bahia)

Por Eryck Gomes (@EryckWaydson)

Quando a situação de uma equipe não é muito boa, dirigentes costumam articular para contratar algum jogador que “lote o aeroporto”. O momento do Bahia não pede tal manobra, mas nada que impeça o clube de continuar se reforçando - e não só dentro de campo. Sem alarde, o Tricolor de Aço tem se planejado para o longo prazo. A fim de qualificar o trabalho de desenvolvimento de jovens, trouxe Roberto Braga, ex-Ferroviária-SP, para ser o coordenador técnico das categorias de base. Com um projeto já encaminhado no setor, a meta da instituição agora é aumentar o número de atletas da casa no time principal e transformar-se num modelo de formação no Brasil.

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Natural de Araraquara-SP, Roberto Braga tem 33 anos e é um estudioso do futebol. Formado em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e mestre em Ciências da Motricidade pela mesma instituição, Roberto atuou como coordenador pedagógico do Núcleo de Ensino da Universidade do Futebol, entre 2012 e 2016. Na Ferroviária, de 2016 a 2019, passou por duas funções, Diretor de Planejamento e Desenvolvimento e Coordenador das Categorias de Base. A admiração pelo trabalho que vem sendo desempenhado no Bahia foi um dos fatores que contribuíram para a mudança de ares.

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- O Bahia tem um plano ambicioso e isso me motivou a vir para cá. É um projeto muito estruturado, onde a integração entre base e profissional é muito boa. O Marcelo Vilhena, nosso gerente, tem um projeto bastante sólido. Isso é o que mais me atraiu. O desejo do Bahia é estar de fato entre as principais bases do Brasil. Brigar frente a frente com Palmeiras, São Paulo, Grêmio, Inter, Flamengo… os maiores do Brasil, esse é o nosso principal objetivo. E o clube tem esse potencial. Se consolidar como o maior do Nordeste e poder de fato ser um dos melhores do país.

A função de coordenador técnico das categorias de base exige algumas tarefas. Roberto ficará responsável pelo alinhamento de todas as comissões técnicas e por tudo referente ao desenvolvimento dos jogadores, dentro e fora do campo. Além do trabalho nas quatro linhas, manterá contato constante com os setores de nutrição, psicologia, fisiologia e fisioterapia. Em resumo, todo o necessário para otimizar o processo de formação dos jovens no Bahia.

- O clube já tinha uma ideia, conceitos bem encaminhados. A minha função tem sido dialogar com as comissões e criar processos aqui. Processos de treino, de ideia de jogo, e isso é feito sempre com a ajuda de muitas mãos. Vamos integrar todas as muito boas ideias que existem e colocar a serviço de um projeto, um processo de formação de jogadores. Estamos a poucos dias de uma transição de CT, e aí será um centro de nível nacional e internacional. Isso vai trazer para o Bahia, dentro do projeto que o clube está traçando, mais um salto. Junto com a qualidade dos profissionais que temos, de pessoas engajadas, esse equipamento de qualidade que virá é a consolidação do projeto ambicioso que vem sendo praticado.

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E quando se fala em desenvolvimento de jogadores, a atenção com o extracampo é indispensável. Roberto, inclusive, destacou o que o Bahia já vem fazendo neste ponto. 

- O Bahia tem uma atenção ao desenvolvimento humano que é raro em um clube. Hoje, para você ter ideia, temos dois psicólogos. Uma psicóloga social, que cuida mais dessa parte de relação com as famílias, processo de adaptação do menino que vem de fora morar aqui, e um psicólogo de campo, ajudando a lidar com os desafios de desempenho. Temos uma pedagoga fantástica, que acompanha os garotos na escola, oferece passeios, projetos, tudo de maneira integrada com o nosso psicólogo social. Temos nutricionista, programas de jovem aprendiz, onde os meninos saem do treino e têm tarefas para conhecer melhor o clube, entender onde ele está. Também há passeios culturais mensalmente. O Bahia se dedica muito e tem feito um bom trabalho. Como costumo dizer, o jogador passa duas horas no campo e 22 fora dele.

Formação de atleta baseada em quatro pilares

O início de trabalho no Bahia tem sido pautado por diversas reuniões. O intuito é aprimorar processos e deixar o projeto entre os vários setores o mais afinado possível. De imediato, quatro pontos servirão como guia para toda a cadeia de formação.

- Uma é, talvez a principal, a irreverência. Isso é uma marca do povo baiano, das pessoas daqui, e não podemos perder. É algo que nos diferencia como futebol brasileiro, e, mais ainda, localmente. Isso com responsabilidade, profissionalismo, mas sendo agressivo, ousado, de querer fazer algo diferente. Outro é o orgulho de jogar no Bahia, representar um clube desse tamanho, dessa magnitude. Não só a instituição, mas uma torcida muito apaixonada. Tem também a vibração, que é do nosso hino, que nos diferencia. Essa competitividade. E tem a coragem. Queremos jogadores corajosos, que queiram jogar, ter a bola. Vamos focar no atleta que gosta do jogo, de ter a bola. São quatro pontos macro que vão direcionar toda a cadeia de formação de jogadores. 

Durante os três anos que passou na Ferroviária-SP, Roberto estruturou um projeto de desenvolvimento de jogadores e teve participação direta na conquista do Certificado de Clube Formador. Como diretor de planejamento, participou do trabalho que resultou no título da Copa Paulista, em 2017, e do vice na mesma competição, em 2018. No mesmo ano, houve o retorno à Série D (o clube não disputava uma divisão nacional desde 2002). Na atual temporada, a equipe chegou às quartas do Campeonato Paulista.

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