Autor de hit da Argentina na Copa diz que música sintetiza o futebol no país

DOHA, QATAR (FOLHAPRESS) - O goleiro Emiliano Dibu Martínez pulava, alucinado, sobre a mesa. Outros jogadores batiam em latas de lixo, na borda das cadeiras ou batiam palmas. Lionel Messi pulava e seguia a letra.

A Argentina tem um hit na Copa do Mundo e isso já se tornou uma tradição da equipe no torneio.

"O mais difícil é a música cair no gosto das pessoas. Quando isso acontece, tudo fica mais fácil. Que Messi tenha dito gostar tanto dela significa muito para mim", afirma Guillermo Novellis, vocalista da banda La Mosca Tsé Tsé.

A versão que ele fez para a seleção, versão de "Muchachos", uma das músicas mais conhecidas do seu próprio grupo, para homenagear Messi e a equipe na Copa do Qatar, espalhou-se na delegação e entre torcedores.

O próprio Messi disse que o elenco costuma cantá-la no ônibus, a caminho dos jogos e em momentos de comemoração.

Um deles aconteceu após a vitória sobre o México por 2 a 0 neste sábado (26). O vídeo da festa ao som da canção foi postada nas redes sociais e chamou a atenção. Isso já havia ocorrido no ano passado, quando a alviceleste derrotou o Brasil para conquistar a Copa América, no Maracanã.

"É muito especial para mim que tenha se transformado em uma música de arquibancada, como acontece com outras na Argentina. A gente tentou sintetizar na nova versão tudo o que representa o futebol para nós", completa Novellis .

O hit chamou a atenção no Brasil por ter provocação ao time de Tite. Trecho da letra diz que "as finais que perdemos, por quantos anos as chorei, mas isso terminou porque no Maracanã a final com os brazucas voltamos a ganhar, papai", em referência à decisão continental.

"Estamos acostumados a que a Argentina tenha um tema musical no Mundial. Isso já aconteceu antes. Que seja uma canção nossa [da banda] me enche de alegria. Oxalá que termine bem, com o título", afirma Novellis ao considerar a menção à Copa América de 2021 algo normal, sem intenção de desmerecer o Brasil.

Por se tornar popular na delegação concentrada em Doha, ela se espalhou entre os torcedores e virou o hino argentino no Qatar. É sempre entoada, mesmo que um pequeno grupo de argentinos se reúna em lugar qualquer da capital qatariana. Apareceu nas arquibancadas do estádio Lusail depois que Messi abriu o placar na vitória sobre o México e nas linhas de metrô após a partida.

Para o vocalista, ela sintetiza o futebol argentino porque fala do sonho em voltar a conquistar a Copa ("rapazes, agora voltamos a sonhar, quero ganhar a terceira, quero ser campeão mundial"), a Guerra das Malvinas, Diego Maradona e Messi ("Diego no céu nés podemos ver com don Diego e a Tota torcendo por Lionel").

"Muchachos" já é uma música popular, com outras letras, em adaptações das organizadas de Boca Juniors e River Plate, cada uma provocando o rival. A que uniu todos foi a feita pelo próprio autor da original, desta vez para a seleção.

A febre das canções de Copa na Argentina ganhou força a partir de 2014. Foi quando o "Brasil, decime que se siente" (Brasil, me diga como se sente), composta por um grupo de amigos que foi ao Rio de Janeiro acompanhar o Mundial, espalhou-se e passou a ser cantada em todos os jogos. Maradona foi filmado fazendo o mesmo, assim como os atletas, então concentrados na Cidade do Galo em Vespasiano, próximo a Belo Horizonte.

A letra era ainda mais provocativa ao Brasil porque citava o gol de Claudio Caniggia que eliminou o time verde e amarelo da Copa de 1990, na Itália. E ainda terminava com a afirmação de que Maradona foi melhor do que Pelé.

Naquele ano, a Argentina chegou à final e perdeu para Alemanha. Em 2022, precisa da vitória (ou empate, a depender do resultado entre Arábia Saudita e México) para ir às oitavas de final.