Austrália pede ao Catar que descriminalize relações LGBTQIA+

Austrália se posicionou em vídeo divulgado nas redes sociais da seleção de futebol. Foto: Nikku/Xinhua via Getty Images
Austrália se posicionou em vídeo divulgado nas redes sociais da seleção de futebol. Foto: Nikku/Xinhua via Getty Images

A seleção australiana de futebol, conhecida como "Socceroos", solicitou ao Catar nesta quinta-feira (27) que implemente reformas de direitos humanos, incluindo a descriminalização das relações entre pessoas do mesmo sexo, antes da Copa do Mundo que começa no próximo mês.

Em vídeo de cerca de três minutos publicado nas redes sociais dos "Socceroos", vários dos jogadores da seleção nacional manifestam a sua preocupação com o tratamento dado aos trabalhadores imigrantes, após denúncias sobre a morte de milhares deles, que trabalharam na construção de infraestrutura no Catar 2022.

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O meio-campista Denis Genreau salientou que a seleção australiana apoia integralmente "os direitos das pessoas LGBTQIA+".

"Mas no Catar, as pessoas não são livres para amar a pessoa que escolhem. Responder a essas perguntas não é fácil e não temos todas as respostas ", acrescentou no vídeo que já foi visto por mais de 170.000 pessoas no Twitter.

Outro pedido foi que o Catar deixe "um legado duradouro", implementando reformas mais fortes em favor do respeito às comunidades sexualmente diversas e aos trabalhadores migrantes.

"Isso deve incluir a criação de um centro de recursos para imigrantes, soluções eficazes para aqueles que tiveram seus direitos negados e a descriminalização de todas as relações entre pessoas do mesmo sexo", comenta o também meio-campista Jackson Irvine.

De acordo com uma investigação de fevereiro do ano passado do jornal britânico The Guardian, estima-se que cerca de 6.500 trabalhadores da Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka tenham morrido desde que este país conservador foi premiado com a organização da Copa do Mundo em 2010.

Os jogadores asseguraram ainda que esta declaração pública surge após consulta a vários órgãos do futebol australiano, bem como à FIFA, Amnistia Internacional e Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Por seu lado, a Federação Australiana de Futebol emitiu nesta quinta-feira (27) um comunicado em que reconhece que embora o Catar tenha implementado "reformas legislativas e tenha feito progressos significativos", espera que as autoridades do país cumpram a promessa de garantir a segurança da comunidade LGBTQIA+ depois da Copa do Mundo.

“Como o esporte mais multicultural, diverso e inclusivo do nosso país, acreditamos que todos devem poder se sentir seguros e ser verdadeiramente quem são”, diz o comunicado da Federação, referindo-se à Copa do Mundo do Catar 2022, onde se espera que os capitães de várias equipes europeias usem tarjas de capitão com as cores do arco-íris e a inscrição "One love".