Ausência de Rafaela Silva afeta planos e demandará superação do judô brasileiro nos Jogos de Tóquio

Jonas Moura
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Sem poder contar com a campeã olímpica Rafaela Silva, o judô brasileiro terá de se superar para manter o histórico de conquistas das últimas décadas. A carioca, que levou o ouro na categoria até 57kg na Rio-2016, não conseguiu reduzir a suspensão de dois anos por doping e está fora dos Jogos de Tóquio, adiados para o ano que vem. Com isso, o país perde duas grandes chances de medalha.

A atleta ocupa atualmente a sexta colocação no ranking mundial da categoria até 57kg e era considerada uma das favoritas ao ouro, e também poderia garantir uma vitória na competição mista por equipes, que estreará nos Jogos. Na disputa, cada país escala três homens e três mulheres.

A judoca foi flagrada em exame durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019, com uso de fenoterol. Com isso, perderá a medalha de bronze individual conquistada no Campeonato Mundial do ano passado, e o Brasil ficará sem o bronze conquistado na prova por equipes do mesmo evento.

As possíveis "substitutas" de Rafaela são atletas vistas com bom potencial pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ), mas ainda muito distantes da campeã olímpica. Ketelyn Nascimento, de 22 anos, ocupa a 43ª posição no ranking, enquanto Jéssica Pereira, que também foi suspensa por doping, é apenas número 56 da lista. Tanto a entidade quanto o prometeram prestar o apoio que for possível a atleta.

Essa não é a única dor de cabeça do judô brasileiro para os Jogos de Tóquio. Outro nome importante da equipe e dona de seis medalhas em Mundiais e dos bronze nos Jogos de Londres-2012 e Rio-2016, Mayra Aguiar sofreu uma lesão no ligamento do joelho esquerdo há dois meses e, após passar por cirurgia, só deve voltar a competir em março, a poucos meses do megaevento.

O Brasil conquistou até hoje 22 medalhas no judô em Jogos Olímpicos. É o esporte individual que mais rendeu pódios ao país até hoje. Sem Rafaela, Mayra será o maior nome da delegação no evento. Outras chances de medalha estão na categoria +78kg, em que Maria Suelen Altheman e Beatriz Soares trava uma disputa acirrada. Ambas aparecem entre as seis melhores do mundo. Dono de dois bronzes olímpicos, Rafael Silva é mais um nome cotado ao pódio, na categoria +100kg, Mas ele ainda disputa a vaga com David Moura, vice-campeão mundial em 2017.

Confira a nota da CBJ em defesa de Rafaela Silva

A Confederação Brasileira de Judô lamenta os efeitos da decisão proferida pela Corte Arbitral do Esporte no julgamento da atleta Rafaela Silva, confirmada, nesta segunda-feira, 21.

Rafaela é uma das maiores atletas do país, única judoca brasileira campeã mundial e olímpica, em carreira construída à base de muito suor, disciplina, coragem e, sobretudo, superação.

Uma das principais lições que o nosso esporte ensina é aprender a cair, levantar e seguir. Rafaela Silva e o judô brasileiro levantarão ainda mais fortes. Juntos, estamos preparados para vencer as dificuldades.