Audiência da Globo cai com Stock Car. Ou seja: público perdeu show de Galvão Bueno

FELIPE NORONHA
Grande Prêmio

De acordo com o site 'Notícias da TV', a audiência da Corrida do Milhão da Stock Car no último domingo (25), na TV Globo, foi a pior dentre os quadros do Esporte Espetacular. Foram 9.7 pontos durante a prova (cada ponto no Ibope em SP representa pouco mais de 200 mil pessoas), contra os 10.3 de média do programa e os 11.3 de uma entrevista com Gabriel Medina.

Esse é um modo de ver a situação.  Outra, é que a audiência foi muito mais do que com as transmissões nos SporTV 2 ou 3, para onde a categoria foi relegada em 2019. Mas o objetivo desta análise é utilizar uma terceira versão: a de que quem mudou de canal perdeu um show de Galvão Bueno.

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Galvão Bueno na Corrida do Milhão 2019 (Foto: Duda Bairros/Vicar)

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O narrador voltou à Stock Car após 15 anos: não comandava uma transmissão desde 2004, quando recebeu pedido para que não mais participasse já que seu filho, Cacá Bueno, disputava a categoria. Em 2019, ele não se importou com isso (Cacá segue, é claro, no grid), para sorte de quem acompanhou a prova. Voltou - e em grande estilo.

Primeiro, nos bastidores: podem falar mal na internet, ou em rodas de amigos, mas pessoalmente ninguém é capaz de não pedir uma 'selfie', ou de ficar olhando Galvão com aquele rosto de espanto, de "é ele mesmo?".

Depois, na transmissão: quem fala mal que perdoe os repórteres do GRANDE PRÊMIO que estavam em Interlagos, mas estão errados. Galvão Bueno entende muito - de narrar, da Stock Car, de carisma.

Galvão Bueno no paddock de Interlagos na Corrida do Milhão 2019 (Foto: Duda Bairros/Vicar)

Desde o começo Galvão soube trazer emoção a uma prova que foi boa, mas que teve como destaque disputas mais para trás no grid - já que Lucas Di Grassi e Ricardo Maurício dispararam na frente. 

Na primeira escapada da prova, de Felipe Fraga, começou seu show com um "voltou para bater?!" que misturou uma exclamação de susto e um grande entendimento do que poderia ocorrer, já que o piloto da Cimed conseguiu retornar à pista no meio do pelotão, mas em um espaço bastante apertado - Fraga foi muito bem, inclusive, em voltar sem toques nos adversários.

Depois, uma sequência sobre Rubens Barrichello que mostrou que sim, ele estudou bem para a Corrida do Milhão. Se o regulamento da prova era diferente, Galvão provou logo cedo que havia entendido: o #111 largou em 11° e o narrador aproveitou o avanço rápido do piloto para ao mesmo tempo elogiar como Barrichello sabia economizar pneus e combustível, ao mesmo tempo em que explicava ao público, também formado por pessoas menos acostumadas ao automobilismo, já que não é sempre que a categoria passa na Globo, que isso era fundamental para a corrida.

Rubens Barrichello (Foto: Duda Bairros/Vicar)

Barrichello chegou ao nono posto e começou a brigar com Ricardo Zonta e Nelsinho Piquet, logo à frente. Esta zona do grid era considerada a favorita à vitória, pelas questões exatamente de combustível e pneus no pit-stop. Na hora, Galvão mandou o público "ficar de olho" no trio. 

Mas Barrichello teve problema na bomba de combustível e precisou abandonar a prova. Péssimo para o piloto, que briga pelo título - mas bom para mais um grande momento de Galvão. Ele foi o primeiro a perceber que Barrichello estava emocionado no cockpit, algo que o próprio confirmou ao GP após a corrida, e ainda mandou abraço ao ex-F1 quando foi entrevistado pelo Globo (algo chamado de "ao vivaço" no mundo das gírias).

Galvão ainda fez o comentário aguardado sobre como Marcel Coletta, "de apenas 17 anos, ainda não pode dirigir". Essa estava cantada, mas o narrador fez de forma natural. Tanto quanto a incrível narração do aquecimento dos mecânicos da Shell: um momento curioso, mas banal, que Galvão tornou animado com um "olha o aquecimento, amigo!" naquele tom típico e famoso que o consagrou.

No final, ainda narrou com maestria, percebendo na hora o que estava acontecendo, a ultrapassagem irregular de Lucas Di Grassi sobre Ricardo Maurício, saindo dos limites da pista e passando sobre a entrada dos boxes. 

Se alguém assistindo à corrida não havia entendido que era algo fora das regras, percebeu na hora que Galvão foi sagaz: "Não pode! Não pode! Nunca vi alguém fazer isso!".

Os repórteres e fotógrafos do GRANDE PRÊMIO em Interlagos, de forma unânime, pedem: Galvão, narre sempre a Stock Car.

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