Atlético-MG troca recorte de jornal por ingresso e vê programa de sócio minguar

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Com campanha ruim no Brasileirão, jogos no Independência estão cada vez mais vazios (Bruno Cantini/Atlético)
Com campanha ruim no Brasileirão, jogos no Independência estão cada vez mais vazios (Bruno Cantini/Atlético)

Com recorte de jornal em uma mão e R$ 5 em outra, o torcedor do Atlético-MG consegue um ingresso para o duelo com o Santos, neste domingo, às 16h, no Independência, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. Se por um lado a ação da diretoria tenta levar um grande público para o estádio, para ajudar o time na luta contra o rebaixamento, por outro lado é mais uma ação que contribui para o enfraquecimento do plano de sócio torcedor do clube, que deve ter queda no faturamento pelo terceiro ano consecutivo.

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O programa Galo na Veia foi lançado em 2012 e rapidamente atingiu a cota máxima liberada pela diretoria. Com Ronaldinho em campo e um time que brigou pelo título brasileiro daquele ano, 5,4 mil atleticanos pagavam R$ 200 por mês para terem acesso garantido a todas as partidas do clube como mandante. Pouco mais de R$ 1 milhão nos cofres do Atlético a cada 30 dias.

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Em 2013 veio a conquista da Copa Libertadores e outras modalidades, acabando o limite de associados. Apesar do título continental, foi em 2016 que o Galo na Veia atingiu seu auge. De acordo com o balanço financeiro do clube, foram R$ 18,5 milhões arrecadados somente com o pagamento de mensalidades. Em campo o Galo contava com grandes nomes, como Victor, Leonardo Silva, Marcos Rocha, Rafael Carioca, Robinho, Fred, Lucas Pratto e outros mais.

Mas foi o último grande momento do programa de sócio torcedor do Atlético. Desde então o clube tem faturado cada vez menos com o Galo na Veia. Apesar de ter atingido a marca de 100 mil sócios em 2017, algo bastante celebrado pelo clube em outubro daquele ano, o balanço financeiro mostrou que a arrecadação com sócios caiu de R$ 18,5 milhões para R$ 16,3 milhões.

Queda que se acentuou em 2018. Fora da Copa Libertadores, pela primeira vez em cinco temporadas, a ausência de grandes nomes na escalação e o time que não brigou por títulos fizeram o Atlético arrecadar R$ 13,6 milhões com o Galo na Veia. Número que deve ser ainda menor em 2019. O balanço financeiro será apresentado e votado somente em abril do ano que vem, mas internamente a expectativa é de uma nova baixa.

O orçamento do Atlético para 2019, aprovado pelo conselho deliberativo no fim do ano passado, não apresenta uma projeção específica para o Galo na Veia. O programa de sócio do clube aparece junto de bilheteria e renda de competições. A previsão atleticana é de arrecadar R$ 43,4 milhões com os três itens somados.

Do limite para menos de mil GNV Pretos

A modalidade mais cara de sócio do Atlético é o Galo na Veia Preto. Limitado a 5,4 mil torcedores, por causa da capacidade do setor especial Ismênia, da Arena Independência. Quem opta por esse plano paga R$ 220 por mês e tem acesso a todos os jogos do clube como mandante. Se na época de Ronaldinho existia fila e até anuncio em jornal em busca de vagas, agora o Atlético não tem mil associados nesta modalidade.

Com outros dois planos de R$ 35 e R$ 13 mensais, respectivamente, que dão ao torcedor a preferência para a compra de bilhetes via internet e com descontos, e ingressos cada vez mais baratos, o formato atual do Galo na Veia Preto está com os dias contados. Nesta temporada, por exemplo, o ingresso médio do Atlético custa R$ 27. Para 2020, a diretoria alvinegra estuda mudanças para a modalidade.

Bilheteria mais que dobrou em 2019

Apesar de a temporada não ser boa para o Atlético, que fracassou em todas as competições que disputou e vai muito mal no Campeonato Brasileiro, a torcida tem correspondido. Em comparação com o ano passado, a arrecadação do clube com a bilheteria mais do que dobrou. Em 2018 o valor bruto com venda de ingressos foi de apenas R$ 8,1 milhões. Restando seis partidas para fechar 2019, o Galo já arrecadou R$ 17 milhões brutos com a venda de bilhetes.

Além da elevação da média de público, que subiu de 16,4 mil no ano passado para 18,4 mil nesta temporada, o ticket médio do Galo também subiu, de R$ 16 para R$ 27, explicam como o Atlético mais do que dobrou o valor arrecadado com ingressos.

Veja mais sobre futebol mineiro no Blog de Victor Martins

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