Atletas olímpicos apostam nas redes sociais como fonte de patrocínio

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Darlan Romani tem bastante procura por posts patrocinados no Instagram. Foto: Instagram/Darlan Romani
Darlan Romani tem bastante procura por posts patrocinados no Instagram. Foto: Instagram/Darlan Romani

Por Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

O advento tecnológico ganhou ênfase no início dos anos 2000 e tornou-se responsável pelas recentes mudanças nas formas de consumo, relacionamento, trabalho, estudo, saúde e, principalmente, no universo da comunicação esportiva.

O programa Bolsa Atleta criado pelo Governo Federal no ano de 2005 representou 80% dos 302 desportistas presentes na deleção do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio. Os valores repassados aos profissionais variam conforme a categoria, fator que não impede a potencialização das redes sociais.

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Com a crescente das redes sociais, os atletas têm enxergado o Instagram, Twitter, Facebook ou outros aplicativos como uma forma de monetizar. Por exemplo, o arremessador de peso Darlan Romani ganhou mais de 300 mil seguidores durante os Jogos Olímpicos de Tóquio.

“Está muito legal, porque as pessoas têm interesse em conhecer o atletismo e o arremesso de peso. Recebemos muitos vídeos de brincadeira, de pessoas arremessando algumas coisa e marca a gente. Isso acontece porque as pessoas querem conhecer mais a modalidade. Perguntam como assistir e acompanhar os resultados”, respondeu o atleta.

É aí que contribui para o lado “digital influencer” do atleta. A cada propaganda com texto curto e interativo, “likes” e comentários geram engajamento para uma empresa e profissional, ou seja, a velocidade tão exigida atualmente para obtenção de lucro.

“Hoje para conseguir um patrocínio as redes sociais contam muito e eu tento conciliar isso com o foco nos meus objetivos. A cada dia que passa venho tentando intensificar isso para realmente levar para o futuro e também poder mostrar o nosso dia a dia para quem nos acompanha”, disse a nadadora do Pinheiros e da Seleção Brasileira Jhennifer Alves.

Nadadora do Pinheiros e da Seleção Brasileira Jhennifer Alves. Foto: Instagram/Jhennifer Alves
Nadadora do Pinheiros e da Seleção Brasileira Jhennifer Alves. Foto: Instagram/Jhennifer Alves

É justamente essa interação com o público que desperta o interesse das empresas em associar suas marcas aos atletas. “O destaque para as redes sociais é que, diferente de alguns outros ativos, permite uma interação muito mais próxima e intensa com o público, mas para que tanto o dono do ativo quanto a marca tirem o melhor proveito, é necessário entender que o conteúdo apresentado seja autêntico, tenha relevância para o público e esteja contextualizado”, explicou o professor de cursos livres da escola THE 360 Vinicius Manfredi.

THE360
THE360

Vinícius explicou o que leva uma empresa a ter interesse em patrocinar um atleta (conforme imagem acima). “Um patrocínio pode auxiliar a marca em vários pontos. Você pode ir desde o conhecimento de marca até o outro extremo, com a empresa trabalhar a história do atleta. A marca pode ganhar muita coisa, desde a visibilidade, até eventos que você pode aproximar o cliente com o atleta. Tem muitas oportunidades de benefícios. O que o grande público espera é que a marca consiga patrocinar não só o atleta na “boca” da Olimpíada, mas em todo o ciclo”, comentou o professor.

Mesmo com essa tendência no mercado, fazer a captação destas empresas é uma tarefa difícil. Rodrigo Passos é coordenador de Projetos da RSP Sports e contou que os departamentos de marketing das empresas ainda têm dificuldades na hora de escolher os atletas que desejam vincular às suas marcas.

“Prospecção no Brasil é algo muito complicado. Boa parte do marketing das empresas não entende como funciona o esporte. Depende da modalidade. Na natação, o atleta treina das 8h ao meio-dia e depois de 15h às 19h. E são muitas competições. Não sobra muito tempo para rede social. Hoje em dia a empresa quer os atletas nas redes sociais”, explicou Rodrigo.

O coordenador acredita que essa é uma tendência do mercado, mas que precisa ainda passar por uma evolução. “Para um atleta de alto rendimento não tem como conciliar treino, família e postagens, pois eles precisam viver. Tem empresas que querem muitas postagens e pagam muito pouco. Por mais que falam que é fácil, não é. Demanda tempo preparar uma foto ou um vídeo. É uma tendência, mas precisa ser revisto”, afirmou Rodrigo.

Para Amir Somoggi, sócio-diretor da Sports Value, a tendência é que esses valores, que hoje são baixos, cresçam nos próximos anos. Ele explicou que um estudo da empresa Nielsen projetou que em 2023 o valor de mídia dos atletas – em todo o mundo e todos os esportes - ultrapasse a casa de US$1,2 bi (R$6,5 bilhões aproximadamente). Em 2020 esse valor foi de US$314 milhões (R$1,7 bi).

“O atleta, daqui a pouco, vai mandar nas redes sociais. Porque as novas gerações são muito ligadas ao ídolo. O garoto de 16 a 23 anos, conforme vão crescendo, o ídolo vai crescendo. A rede social é a conexão do fã com o ídolo. O patrocinador percebeu isso. A questão do atleta é escolher bem. Se o atleta for uma pessoa legal, que olhe para outras questões além da prática esportiva, tendem a crescer o número de seguidores”, explicou Somoggi.

Nadadora do Flamengo e Seleção Brasileira Nathalia Almeida faz post patrocinado. Foto: Instagram
Nadadora do Flamengo e Seleção Brasileira Nathalia Almeida faz post patrocinado. Foto: Instagram

Enquanto esse mercado cria forma no Brasil, os atletas olímpicos aproveitam para conseguirem recursos com foco em alto nível e desenvolvimento da carreira principalmente no período de grandes eventos.

“Aumentou muito [engajamento nas redes] desde a última olimpíada. Comecei a postar muito mais e já em Tóquio ganhei quase dez mil seguidores. Antes dos jogos não tinha oito mil e agora estou com quase 18 mil. Isso atrai as empresas. Eu já passei a receber produtos e isso acaba ajudando, porque não preciso gastar dinheiro para comprar suplemento, por exemplo”, analisou a nadadora do Flamengo e Seleção Brasileira Nathalia Almeida.

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