Atletas farão testes diários de Covid-19 na Olimpíada de Tóquio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os organizadores dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio divulgaram nesta quarta-feira (28) atualizações das regras sanitárias para o megaevento, que será realizado em meio à pandemia de Covid-19.

A cerimônia de abertura da Olimpíada está marcada para 23 de julho, daqui a 86 dias.

Em um comunicado conjunto do COI (Comitê Olímpico Internacional), IPC (Comitê Paralímpico Internacional, na sigla em inglês), organização da Tóquio-2020 e autoridades japonesas, ficou estabelecido que os cerca de 11 mil atletas esperados precisarão fazer testes diários de coronavírus. Anteriormente, a previsão era de exames no mínimo a cada quatro dias.

Aqueles que tiverem mais proximidade com os atletas estarão submetidos às mesmas regras. De acordo com o documento, as datas e horários dos testes serão definidos de acordo com a programação de cada evento esportivo.

"As medidas incluídas nos Playbooks (livros de regras) publicadas em fevereiro deste ano foram revisadas e significativamente atualizadas a fim de abordar o surgimento de novas cepas de coronavírus mutantes e a evolução da situação da pandemia", diz o comunicado.

Será exigido de todos que viajarem ao Japão dois exames negativos de coronavírus antes do voo. Após a chegada ao país, as pessoas serão testadas diariamente por três dias. Depois desse período e ao longo da estada, a periodicidade dos exames poderá variar de acordo com a função e nível de contato com os atletas.

Todos os participantes deverão, a princípio, usar exclusivamente veículos oficiais dedicados aos Jogos e não estarão autorizados a pegar transporte público. Haverá restrição ainda nos locais de alimentação permitidos.

A atualização das regras traz uma definição do que será considerado "contato próximo" de quem teve resultado positivo de Covid-19: "aqueles que têm contato prolongado (por 15 minutos ou mais), dentro de um metro, sem usar máscara facial. Isso é particularmente aplicável quando esse contato ocorre em espaços fechados, como quartos de hotel ou veículos. Os casos serão confirmados pelas autoridades sanitárias japonesas".

Uma terceira versão dos livros de regras está prevista para junho, mesmo mês em que é esperada a definição sobre a permissão ou não de público residente no Japão nas arenas.

A vacinação não será obrigatória, mas tem sido estimulada pelos organizadores, principalmente nos países em que as campanhas avançam mais lentamente. O Brasil, por exemplo, deverá contar com doação de doses da empresa Sinovac feitas pelo Comitê Olímpico da China e repassadas pelo COI para imunizar sua delegação.

Partes do Japão, incluindo Tóquio, foram colocadas em um novo estado de emergência no fim de semana, e a maioria do público japonês acha que os Jogos, adiados de 2020 para 2021 por causa da pandemia, deveriam ser cancelados ou adiados novamente, segundo pesquisas de opinião.

O estado de emergência, que deve durar até 11 de maio, exige o fechamento de restaurantes e bares que servem bebidas alcoólicas, assim como de grandes lojas, cinemas e outros estabelecimentos comerciais. Além disso, exclui espectadores de grandes eventos esportivos.

A taxa de infecção no país voltou a subir para os maiores níveis desde janeiro, e cada vez mais são decorrentes de novas variantes do vírus. Nesta quarta-feira, Tóquio relatou 925 novos casos.

"Estamos em um momento em que devemos discutir a realização do evento, tendo em conta a situação do aumento dos contágios e a pressão sobre o sistema de saúde, como fatores mais importantes. Meu alerta é que se pense em vários fatores. É responsabilidade do comité organizador dos Jogos e dos outros responsáveis explicar aos cidadãos a decisão que tomarem sobre a realização da Olimpíada", disse Shigeru Omi, principal assessor médico do governo.