Atlético Nacional: das polêmicas com o narcotráfico à solidariedade

Felippe Rocha
Rival do Botafogo nesta quinta já conquistou duas vezes a Libertadores: uma com a influência de Pablo Escobar e a outra marcada pela fraternidade pós-tragédia da Chape

Às 21h45 (horário de Brasília) desta quinta-feira, o Botafogo vai em busca da segunda vitória na fase de grupos da Copa Libertadores. No Estádio Atanasio Girardot, o Glorioso vai encarar o Atlético Nacional, que vem de derrota na primeira partida. A noite vai colocar em campo dois gigantes do continente, mas com histórias bastante diferentes. O Alvinegro quer protagonismo, o primeiro troféu da competição, enquanto os Verdes celebraram em 1989 e em 2016. Mas entre essas conquistas é que está a história do time de Medellín.

O Atlético é o maior vencedor do campeonato nacional (15 conquistas), e vem dominando nos últimos dez anos: foram seis títulos em 20 torneios (são dois por ano). O time foi o primeiro colombiano a levantar a Libertadores, mas aquele título, assim como alguns torneios envolvendo equipes do país na época, sofreram a influência do narcotráfico. A lenda e depoimentos contam que Pablo Escobar, um dos mais conhecidos e também mais sanguinários traficantes de drogas do mundo, participou das conquistas.

"El Patrón", morto em 1993, lavava dinheiro investindo no futebol. Era torcedor do Independiente, da cidade de Medellín, assim como o Atlético. Mas Escobar investia nas equipes do país e se tornou popular - ao ponto de ser eleito deputado -, dentre outras maneiras, ao construir campos de futebol pelo país. Ele foi acusado de chantagear, comprar e ameaçar árbitros na Libertadores de 1989, conquistada pelo Verde e Branco. Realidade ou exagero, torcidas rivais não perdoam. E o clube ficou marcado.

Em entrevista ao Globoesporte.com, em 2015, Juan Pablo Escobar, filho do ex-traficante, negou tamanha participação do pai no âmbito esportivo, inclusive na morte do assistente Álvaro Ortega. Também em 1989, ele anulou um gol do América de Cali, contra o Independiente, o que teria irritado Pablo Escobar. O Campeonato Colombiano daquele ano foi cancelado. No ano seguinte, o jogo de volta das quartas de final da Libertadores, do Atlético Nacional contra o Vasco, foi adiado por pressão sobre a arbitragem.

No entanto, a imagem maculada dos Verdes mudaria completamente no ano passado. O olhar brasileiro voltou de vez à equipe com as vitórias imponentes sobre o São Paulo, pela Libertadores. Conquistado o título, ainda em julho, o nome do Atlético Nacional voltaria, agora eternizado pela solidariedade, em novembro. A tragédia com o avião que levava a Chapecoense para o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana uniu os clubes e os países.

O clube colombiano abriu mão do título, os torcedores locais homenagearam os mortos de diversas formas e foram solidários aos brasileiros, que perdemos compatriotas do meio esportivo e da imprensa. Do Botafogo, Bruno Silva e Camilo já estavam no elenco alvinegro. Os dois disputaram duas temporadas na Chapecoense e perderam dezenas de amigos na queda do avião nas proximidades de Medellín.

Nesta quinta-feira, o Botafogo será o primeiro time brasileiro a enfrentar o Atlético Nacional, na casa do rival, após o ocorrido. Fossem outros tempos, estariam os jogadores e a arbitragem temerosos. Quando a bola rolar, a expectativa é de um ambiente de emoções positivas.












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