Atlético-MG se prepara para ter nova arena após ano histórico

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Paralelamente ao bom momento em campo, a torcida do Atlético-MG vive a expectativa de pisar em seu estádio próprio no bairro Califórnia, a aproximadamente 11 km da área central de Belo Horizonte.

A construção da Arena MRV deverá ser concluída até o quarto trimestre de 2022, provavelmente em outubro, e inaugurada em 2023.

A diretoria faz planos para alavancar o seu faturamento com o matchday (somatória de receitas de bilheteria, sócio-torcedor, comercialização de camarotes e venda de produtos do clube, alimentos e bebidas), além de locações para eventos corporativos e atrações culturais.

"A arena multiúso vai garantir ao clube R$ 100 milhões a mais e nos ajudará a cumprir a meta de conseguirmos uma receita de R$ 500 milhões anuais até 2026", projeta o CEO do Atlético, Plínio Signorini.

Historicamente com uma boa média de público, o time manda seus jogos no Mineirão ou no estádio Independência, ambos de responsabilidade do governo de Minas Gerais e cedido à administração privada.

Em um terreno de 128 mil metros quadrados, o futuro endereço terá capacidade para 50 mil pessoas, com 18 portões de acesso e estacionamento com mais de 2.300 vagas. A equipe de engenharia responsável pelo empreendimento visitou todas as arenas construídas para a Copa do Mundo no Brasil e outras em países como Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Itália e Portugal em busca de ideias, inspirações arquitetônicas e inovações tecnológicas.

No local deverão ser erguidos um museu do Atlético-MG, bares, restaurantes e lojas de conveniência. "Temos a ambição de sermos a arena mais tecnológica do Brasil", afirma Bruno Muzzi, CEO da Arena MRV. "Pensamos, desde a concepção do projeto arquitetônico, um equipamento multiúso que auxilie o produtor."

Como exemplo, Muzi cita quatro acessos ao campo, com dez metros de largura cada um, que possibilitará o trânsito de uma carreta sem o risco de danificar o gramado e agilizará o processo de montagem e desmontagem de palco e demais estruturas de um evento.

"A estimativa é que a receita somente com eventos culturais e empresariais seja de, aproximadamente, R$ 40 milhões por ano", afirma.

Diferentemente do modelo estabelecido entre Palmeiras e a WTorre para a viabilização do Allianz Parque, por exemplo, o Atlético-MG será o único responsável pela administração e ficará com toda a arrecadação do estádio. A construtora MRV detém apenas os naming rigths.

Para adquiri-lo, a empresa se compromete em pagar R$ 60 milhões por um contrato de dez anos --o período do acordo será calculado após o estádio receber licença para operação.

A obra, com custos de R$ 612 milhões, está a cargo da Racional Engenharia, sediada em São Paulo, que venceu o processo licitatório ante outras duas empresas.

"É 100% do Atlético. O clube é o detentor do estádio. A Arena MRV é uma SPE [Sociedade de Propósito Específico] criada para ser responsável pela obra e operação do estádio, mas, embora seja um CNPJ diferente, é uma empresa que pertence ao clube", afirma Muzzi.

Como comparação, no contrato estabelecido entre Palmeiras e WTorre, esta última arcou com as obras da arena multiúso e, em contrapartida, terá por 30 anos direitos de explorar o estádio economicamente.

A empresa fica com as receitas de naming rights, camarotes e eventos, como shows. Ela precisa repassar uma parcela do valor obtido para o Palmeiras -5% dos naming rights e dos camarotes e 20% do obtido em eventos.

Por algumas vezes, em razão de shows no Allianz, o Palmeiras se viu obrigado a procurar outro estádio para mandar seus jogos. "A prioridade na Arena MRV será sempre receber jogos do Atlético", diz Muzzi.

Com um passivo de quase R$ 1,2 bilhão, o Atlético-MG conta em parte com o empenho de mecenas -entre eles o dono da própria MRV, Rubens Menin- para viabilização do projeto, além de uma engenharia financeira, na qual estão envolvidos R$ 300 milhões referente à venda de 50,1% das ações do clube sobre o shopping Diamond Mall.

O contrato de naming rights e a venda de cadeiras cativas ajudam a complementar a fatura. A princípio, o banco BMG se comprometeu em transferir R$ 60 milhões ao clube. Em contrapartida, teria o direito às cadeiras cativas.

"O BMG é um grande parceiro do Atlético e garantiu a compra de cadeiras cativas, caso fosse preciso. Porém, felizmente, a venda foi um grande sucesso, esgotamos dois setores, e não será preciso que o banco compre esse ativo da Arena MRV", explicou Muzzi.

O clube já arrecadou R$ 152 milhões com as vendas de cadeiras cativas, que dispararam em meio à boa fase do time campeão do Brasileiro e da Copa do Brasil. Foram negociadas 777 unidades em novembro (média de 26 por dia) e, somente na primeira semana de dezembro, 461 (66 por dia).

Dois dos três setores foram esgotados, nos valores de R$ 45,9 mi e R$ 35,9 mil. Ainda está sendo comercializado o estacionamento, no qual o usuário paga R$ 35 mil e tem direito a uma vaga coberta por 15 anos, e o mural alvinegro. Neste último, o torcedor desembolsa de R$ 400 a R$ 500 para ter o seu nome personalizado em azulejo no estádio. Toda essa verba, segundo o clube, é utilizada para o pagamento da obra.

A futura casa do Atlético-MG deverá ficar pronta no final de 2021 Ueslei Marcelino 6.dez.2021/Reuters **** Apesar de o estádio ter previsão de ficar pronto no quarto trimestre de 2022, a inauguração está prevista somente para o dia 19 de maio de 2023. O Atlético deverá receber uma equipe do exterior, provavelmente do futebol europeu. O Paris Saint-Germain é o alvo do momento. Nesse dia, o cantor Nando Reis deverá se apresentar como homenagem à cantora e torcedora atleticana Cássia Eller.

A diretoria preparou um calendário de atrações, que começará no dia 25 de março de 2023 (quando o clube completará 115 anos de existência) com a instalação das traves, o primeiro chute a gol e a apresentação de uma orquestra sinfônica. Em abril, receberá shows de música eletrônica. No dia 27 de maio, haverá um festival com a presença de artistas como Ivete Sangalo, Jota Quest e a dupla César Menotti e Fabiano.

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