Athletico evita altos investimentos, mas colhe frutos de boa gestão

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Athletico tem sido um raro exemplo no Brasil de um clube que tem atravessado a pandemia da Covid-19 sem contrair novas dívidas, a despeito do cenário que tem provocado queda de receitas. Também é o único que atualmente disputa três torneios simultaneamente, sendo finalista em dois deles: a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana.

Em busca de seu segundo título internacional em três anos, a equipe encara neste sábado (20) o Red Bull Bragantino na decisão da competição continental. O duelo será às 17h (de Brasília), no estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai.

A busca pelo bicampeonato no mata-mata sul-americano, conquistado pelos paranaenses em 2018, é um dos reflexos dos bons resultados colhidos pelo clube a partir de um modelo de gestão amparado em três pilares: venda de direitos de transmissão, bilheteria junto com sócio torcedor e transferências de atletas.

Na contramão de 14 dos 20 clubes participantes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2020, que encerraram o exercício fiscal com déficits, o Athletico teve superávit de R$ 136 milhões, de acordo com os dados do relatório do banco Itáu BBA sobre o balanço financeiro dos clubes.

"Nós temos uma administração continuada, dentro de uma mesma políticas e estratégias, aplicadas há anos. Sempre gastando menos do que a gente ganha, sem fazer loucuras, como investir para ganhar a qualquer preço. Principalmente porque, no futebol, essa garantia não existe", diz à reportagem o presidente do Conselho Administrativo do Athletico, Mario Celso Petraglia.

A longo prazo, contudo, o clube ainda terá de arcar com uma dívida de R$ 459 milhões, do financiamento da reforma da Arena da Baixada.

Mesmo com a queda importante das receitas de 2019 para 2020, como a arrecadação com direitos de TV (de R$ 167 milhões no primeiro ano para R$ 75 milhões no segundo), o clube se manteve no azul devido, sobretudo, ao aumento de quase 50% na receita gerada com a venda de jogadores, totalizando na última temporada R$ 152 milhões.

Duas negociações foram determinantes para alcançar esse valor. A primeira foi a venda do volante Bruno Guimarães para o Lyon (FRA), por 20 milhões de euros (R$ 93 milhões à época). Depois, o Nice (FRA) pagou 8 milhões de euros (cerca de R$ 47 milhões na época) pelo zagueiro Robson Bambu.

Já durante a pandemia, uma decisão de Petraglia também teve impacto nas contas. O dirigente optou por não reduzir a mensalidade dos sócios sob o argumento de que "o clube quebraria" se não fosse ajudado.

O tom alarmante deu resultado. Apesar da crise sanitária, a receita com sócios e bilheterias, que são somadas no balanço, foi a terceira maior do clube em 2020, rendendo aos cofres da agremiação R$ 27 milhões, uma queda de 48% em relação ao ano anterior (R$ 52 milhões).

Mesmo com dinheiro em caixa, o cartola implementou uma política de redução de custos e não investe na contratação de grandes estrelas.

Atualmente, o técnico Alberto Valentim comanda um time que mescla atletas experientes, como o goleiro Santos, 31, e o zagueiro Thiago Heleno, 33, com peças mais jovens, como o lateral Abner, 21, e o atacante Renato Kayzer, 25.

Na campanha que levou o time até à decisão da Sul-Americana, o Athletico passou por times tradicionais como o América de Cali (COL), a LDU (EQU) e o Peñarol (URU).

Na Copa do Brasil, sobretudo na reta final, o caminho também não foi fácil. Nas quartas, eliminou o Santos e, na semifinal, passou pelo Flamengo --a decisão será contra o Atlético-MG, em jogos marcados para os dias 12 e 15 de dezembro. Campeã em 2019, a equipe do técnico Valentim busca o bicampeonato.

O duelo com os cariocas foi especialmente fundamental para motivar os jogadores do time paranaense.

A despeito da enorme diferença financeira que há entre o clube com maior faturamento no país em 2020, com R$ 595 milhões, e o sétimo neste ranking, com R$ 279 milhões, o Athletico superou o Flamengo em pleno Maracanã por 3 a 0 no jogo de volta, depois de um 2 a 2 na ida.

De acordo com Petraglia, o próximo passo da gestão agora será abrir o capital do clube. "Com isso, nós queremos preservar por mais tempo nossos talentos."

Estádio: Centenário, em Montevidéu (URU)

Horário: 17h (de Brasília) deste sábado (20)

Árbitro: Andrés Matonte (URU)

VAR: Leodan González (URU)

Transmissão: Conmebol TV

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