Assessora de time russo é a única no meio e explica: 'Ser mulher na Rússia é sempre difícil'

Yahoo Esportes
Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram

Uma simpática jovem loira de 24 anos que está sempre sorrindo, pronta para ajudar e que não perde uma partida do Lokomotiv Moscou, seja em casa ou fora.

Esta é Anna Gallay, assessora de imprensa do clube moscovita e a única a desempenhar esta função na linha de frente da zona mista e contato com os atletas entre os 16 clubes da primeira divisão do país.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Fanática pelo futebol e pelo Loko, ela desempenha a função há quatro anos e desde então já pôde comemorar três títulos. Dois da Copa da Rússia e o mais recente e importante o do Campeonato Russo de 2017/2018, quando o time acabo com um jejum de 14 anos.

Também esteve em Istambul (TUR) em setembro para ver o retorno da equipe a Champions League após 13 temporadas. Também é apresentadora e repórter de programas na Loko TV, o canal do clube. Sua intensa rotina de trabalho e amor ao clube é registrado em fotos em seu perfil no Instagram.

Em entrevista ao Yahoo Esportes, ela falou deste amor pelo clube e os desafios de uma mulher no futebol em um país no qual elas não têm vida fácil em uma sociedade como um todo, como ela mesmo diz.

“Ser mulher na Rússia é sempre difícil (risos). Mas qual a importância do seu sexo quando você está fazendo o trabalho que realmente ama?

Confira a entrevista

Quando você se apaixonou pelo futebol? Pode explicar por que gosta tanto do esporte?

– Comecei a gostar de futebol quando eu tinha 12 anos. Tudo de uma forma normal para uma criança, brincando com os amigos na rua, chutando uma bola. Nesta mesma época eu vi pela televisão um jogador chamado Diniar Bilialetidnov, que também defendia a seleção russa e gostei muito. Fui ver onde ele jogava e descobri que era no Lokomotiv. Desde então, eu comecei a assistir futebol e torcer para este time.

Quantos anos você tinha quando você foi a um jogo pela primeira vez?

Eu tinha entre 13 e 14 anos e pedi para meu pai me levar no jogo entre Lokomotiv e Spartak ainda no antigo Luzhniki. Isso foi em novembro de 2008, e fazia muito frio. Eram muitos torcedores do Spartak e poucos nossos. Mas nós ganhamos por 1 a 0 e eu me senti a pessoa mais feliz de todas naquele dia. Depois de quase meio ano teve o jogo de volta e foi quando eu estive em nosso estádio.

Quando você começou a trabalhar com o Lokomotiv? O que você pode nos contar sobre seu trabalho? Quais são as suas principais tarefas?
Depois que terminei a escola, eu comecei a fazer faculdade de jornalismo e estava 100% certa que iria trabalhar apenas com esporte. E claro que queria trabalhar na assessoria de imprensa do Lokomotiv. Este era o meu maior sonho, mas não sabia se conseguiria. Mas eu consegui! Quando estava no terceiro ano de faculdade fui chamada para fazer estágio no clube. O estágio seria por apenas três e neste tempo eu viajei com a equipe para Astrakhan, onde disputamos a final e acabamos campeões. Depois disso fui convidada para trabalhar em definitivo com o clube. O que faço como assessora de imprensa? São várias as tarefas. Desde escrever textos para nossa revista chamada “Nosso Loko” a ajudar a imprensa no contato com nossos jogadores. Também outros trabalhos de organização interna. E claro que todas as informações que os torcedores vêm nas redes sociais e na internet são produzidas por nossa equipe. Nos últimos tempos, eu também estou trabalhando na assessoria da nossa equipe feminina. É um trabalho muito interessante de se fazer e que tem um grande contraste com o futebol masculino.

Quais são as suas melhores lembranças deste período? Os títulos que o Lokomotiv ganhou?
São vários os momentos de felicidade, algumas partidas e também viagens pela Rússia e para o exterior. Todos proporcionados pelo time. Se falarmos de título, então o dia mais feliz da minha vida é 5 de maio de 2008. O dia do título do campeonato russo. Era um dia que todos nós esperamos ao longo de toda a temporada e festejamos de forma incrível. Este dia não vai sair nunca da memória.

Como foi você para estar em Istambul para a primeira partida do Lokomotiv na Champions League depois de tantos anos sem disputá-la? Como foi esta viagem à Turquia?
Esperamos muito pela oportunidade de jogar a Liga dos Campeões. Há sete anos eu prometi que só iria a uma partida de Liga dos Campeões se fosse com o Lokomotiv. Nos últimos anos foram diversas as oportunidades e convites para assistir a um jogo do torneio, fosse com o CSKA ou o Spartak jogando. Mas eu queria ouvir o hino da Liga dos Campeões tocando pela primeira vez apenas com o Loko. E a primeira partida da fase de grupos nós jogamos for a de casa contra o Galatsaray. E digo que este hino me deixou emocionada e arrepiada. E quando jogamos a partida seguinte em casa (contra o Schalke 04) esta sensação se repetiu. Como você para de se maravilhar com este momento?

Qual foi a sua primeira viagem com o time?
Como já havia dito anteriormente, foi a viagem a Astrakhan para a final da Copa da Rússia de 2015. Como tudo para mim era novo, foi uma emoção incrível.

O que você pode nos dizer de sua relação com os jogadores? Vejo que eles te respeitam muito.
O time é um mecanismo especial. Não é fácil ganhar a confiança, não é algo automático. Mas se o time reconhece você, isto é 50% do sucesso do seu trabalho, pois seu trabalho é se comunicar com a equipe. Eu nunca tentei me exibir na frente dos atletas ou ser alguém que não sou. Sempre fui eu mesma: sincera, responsável, receptiva e pronta para responder a qualquer pergunta e manter uma boa conversa. Claro que o começo, eu diria os seis primeiros meses, não foi fácil. Mas hoje levo tudo de uma maneira muito melhor do que no início.

Quais são os seus jogadores favoritos?
Não gostaria de destacar apenas um jogador do time! Não seria justo. Eu gosto de cada jogador de um jeito, assim que desfruto bastante da nossa relação. São pessoas muito legais e amáveis.

É difícil para uma mulher na Rússia trabalhar com esporte? Pode ser impressão minha, mas eu vejo mais mulheres na imprensa esportiva aqui do que no Brasil.
Ser mulher na Rússia é sempre difícil (risos). Mas acho que no jornalismo esportivo é mais fácil para mulheres, pois os jogadores querem ter contato para dar entrevista e são muito respeitosos tendo como base as experiências que vivi; Não houve momentos complicados. Pelo contrário, os jogadores são até mais sensíveis e abertos com as mulheres.

Você já sofreu algum tipo de preconceito por ser uma mulher em um ambiente majoritariamente masculino? No Brasil, tivemos e temos problemas de assédio, insultos e preconceito.
No começo eu tive algumas dificuldades, mas não apenas por ser uma mulher e sim por vir trabalhar no clube sendo muito jovem, com apenas 20 anos. Mas qual a importância do seu sexo quando você está fazendo o trabalho que realmente ama? Eu amo o que faço todo dia e amo o Lokomotiv. E sempre fui muito respeitada.

Além do futebol, de qual outro esporte você gosta? Costuma seguir outras modalidades?
Quando eu era criança, eu jogava tênis, mas parei de jogar por causa de lesão. Depois, na escola, fiz partes dos times de basquete e vôlei. Mas pela TV, eu gosto de ver qualquer tipo de esporte!

E você gosta de jogar futebol? Já tentou?

Uma vez em um campo do nosso time, após o treino, eu fiz algumas embaixadinhas e brinquei um pouco com a bola e disseram que n’ao fui mal. Foi muito legal e fiquei contente. Mas aí acabou a minha relação com a bola.

Quando você não está trabalhando, o que é difícil por causa do calendário apertado, o que você gosta de fazer?
Quando não estou trabalhando? Eu não sei o que é isso (risos).

Como é a sua relação com os torcedores? Você costuma interagir muito em seu Instagram?
Os torcedores me conhecem principalmente por causa dos vídeos no nosso canal “Loko-TV”. A atitude em relação a mim é mista. Muitos gostam de ver a imagem de uma garota positiva, alegra. Para outros isso é ruim e incomoda. Mas isso é problema de cada um. No Instagram eu sou muito ativa e tendo interagir com todo mundo, responder às perguntas. Acredito que isso seja parte do meu trabalho. Amamos os nossos torcedores.

Leia mais:

– Ferroviário-CE cometeu um ‘atentado’ contra a Copa do Brasil
 Juninho Capixaba troca o Corinthians pelo Grêmio
– BlackStar procurou Flamengo e Corinthians?

Leia também