Assassinato do menino João Pedro: "O Estado invade as favelas e atira à esmo"

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Por Rennan Leta

O sistema de segurança pública do Rio de Janeiro fez mais duas vítimas nesta segunda-feira (18): João Pedro Mattos, 14 anos, morador do Complexo do Salgueiro, em no município de São Gonçalo, e Iago César Gonzaga, 21 anos, morador da favela do Acari, Zona Norte da cidade. Em 2020, segundo a plataforma Fogo Cruzado, já são 24 adolescentes baleados no Grande Rio, com a metade dos tiros sendo em situações que contaram com a presença de policiais. Isso mostra que o governo Witzel, que "mira na cabecinha e fogo", mantém a guerra contra a favela mesmo durante a pandemia da Covid-19. 

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Com o argumento de combate ao tráfico de drogas, o Estado invade as favelas e atira à esmo. Dentro da quarentena, entre os dias 14 de março e 13 de maio, a plataforma Fogo Cruzado registrou 992 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio. Além de inocentes mortos e feridos, as operações registram ações que ferem a nova lei de abuso de autoridade, em vigor desde o dia 3 de janeiro deste ano.

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O caso do jovem João Pedro, que chegou a ficar desaparecido por mais de 12h após ser resgatado por um helicóptero, retrata que a invasão domiciliar por parte da polícia é algo rotineiro. Relatos de testemunhas mostram a crueldade que fizeram com ele, mesmo após gritarem que no local só tinham crianças. O território da favela é visto como "terra sem lei" pelos agentes de segurança e isso resulta em novas vítimas todos os dias, sempre com o mesmo estereótipo.

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A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL) protocolou um Projeto de Lei sobre as operações policiais em tempos de pandemia, que prevê a suspensão das operações táticas da polícia nas favelas durante o período de bloqueio total. A medida se faz extremamente necessária, uma vez que essas ações chegam a impedir a distribuição de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade. O morador de favela do Rio de Janeiro precisa lutar contra o coronavírus, a fome, a falta de água e a violência das operações. 

O Rio de Janeiro já teve medidas extremas tomadas na questão de segurança pública, como a criação das UPPs e a Intervenção Federal, e mesmo assim a violência na favela só aumentou. A pacificação foi apenas uma máscara para continuar violando direitos do favelado. A política de segurança pública é apenas para uma parcela da sociedade e não podemos mais permitir que continue assim! A vida na favela importa e não pode mais ser vista como nada pelas autoridades governamentais. Ou o Estado muda a forma de atuação, ou continuaremos vendo casos em que ações policiais resultam na perda de vidas inocentes para apreender duas pistolas enferrujadas

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