Em alta no Bahia, Artur admite sonho olímpico

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Artur em jogo do Bahia no Brasileirão (MARCELO MALAQUIAS/FramePhoto/Gazeta Press)
Artur em jogo do Bahia no Brasileirão (MARCELO MALAQUIAS/FramePhoto/Gazeta Press)

Por Afonso Ribeiro e Josué Seixas

O baixinho e velocista Artur é uma das esperanças do Bahia em busca de um triunfo sobre o Grêmio, nesta quarta-feira, a partir das 19h15, na Arena Fonte Nova, em Salvador, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Destaque do Esquadrão na temporada, o camisa 98 não esquece das origens, relembra os primeiros passos no futebol, enaltece o suporte da família e sonha com uma oportunidade na seleção brasileira olímpica. Um detalhe é que ele é o maior assistente do ataque do time, o melhor do Brasil em 2019, e está em terceiro na artilharia.

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"Temos jogadores de qualidade, experientes, estamos focados e confiantes em fazer um grande jogo para buscar a classificação. Jogaremos diante do nosso torcedor e vamos em busca do triunfo, tomando os cuidados necessários, mas sabendo que temos a capacidade de derrotar o Grêmio", avisou o jogador, em entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes.

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Mesmo jovem, o cearense canhoto de 21 anos já acumula longa quilometragem em andanças pelo país – sempre no mundo da bola. Após início na base do Ceará, transferiu-se ainda aos 16 anos para o Palmeiras. Destaque entre os garotos do Verdão, chegou ao profissional em 2016 e foi convocado para a seleção sub-20 no ano seguinte.

"Foi difícil sair do Nordeste, pois era muito novo, mas sabia que seria um grande desafio e que poderia fazer a diferença para a minha carreira. Como disse, meus pais sempre fizeram questão de estar perto e me dar todo suporte. Isso facilitou muito na minha adaptação e para que eu pudesse realizar meu sonho de chegar a um grande clube, poder ir para a Seleção Brasileira de base. Todas as dificuldades valeram muito a pena", analisou o atacante.

"Graças a Deus, sempre tive apoio dos meus pais. Meu pai e minha mãe sempre me incentivaram, no Ceará, no Piauí, em São Paulo, Paraná, Bahia... sempre fizeram de tudo para que eu pudesse ir aos treinos, me acompanharam durante toda a minha carreira, me dando o suporte familiar necessário para eu exercer minha profissão. O amor dos meus pais e o conselho que eles me dão, até os dias de hoje, fazem toda diferença", completou.

Emprestado pelo Palmeiras, o atacante cearense balançou as redes oito vezes com a camisa do Londrina em 2017 (Gustavo Oliveira/Londrina EC)
Emprestado pelo Palmeiras, o atacante cearense balançou as redes oito vezes com a camisa do Londrina em 2017 (Gustavo Oliveira/Londrina EC)

Sem espaço na equipe principal, Artur ganhou rodagem em 2017. Defendeu o Novorizontino no Paulistão – disputou cinco jogos – e vestiu a camisa do Londrina na Primeira Liga e na Série B do Campeonato Brasileiro. Foram oito gols em 39 jogos e a liderança nas assistências da Série B em 2017 pela equipe paranaense, o que despertou a atenção de outros clubes para o ano seguinte.

Em 2018, porém, foram poucas oportunidades no Palmeiras: apenas sete partidas em toda a temporada e nenhum gol marcado. A virada de ano abriria novas oportunidades para o jovem atacante. Ambicioso por voos maiores na carreira, Artur foi procurado pelo Ceará, clube que o revelou, mas optou pelo Bahia.

"Ainda sou jovem, então quero ter ainda muitos anos de carreira, ganhar muitos títulos, fazer gols, dar assistências... Só isso (risos). Acho que é pensar em um passo de cada vez. O importante é poder ter uma sequência, ajudar a equipe, os companheiros... Eu trabalho muito forte no dia a dia para seguir evoluindo e poder alcançar meus objetivos", disse.

Apesar da preferência pelo Esquadrão, o atacante cearense destaca a gratidão pelo Alvinegro, que ainda detém 30% dos direitos econômicos, e assegura que se sente em casa na terra natal. "Com certeza, tenho muita gratidão aos profissionais que me ajudaram no começo de carreira. Foi muito importante para que eu pudesse começar a construir uma história no futebol. Fortaleza ainda é uma cidade em que me sinto em casa, gosto de passar folga e as férias lá, então só tenho boas lembranças", frisou.

Com poucos meses no time profissional, Artur disputou o Sul-Americano sub-20 de 2017 pela Seleção Brasileira (Lucas Figueiredo/CBF)
Com poucos meses no time profissional, Artur disputou o Sul-Americano sub-20 de 2017 pela Seleção Brasileira (Lucas Figueiredo/CBF)

Em Salvador, o camisa 98 do Bahia vive a melhor fase da curta e intensa carreira – 33 partidas e seis gols com a camisa vermelha, azul e branca, entre Campeonato Baiano, Copa do Nordeste, Sul-Americana e Brasileirão. As boas atuações despertam o interesse de equipes do exterior, de acordo com o Blog do Nicola. Pela idade, também é nome cogitado para os Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, no Japão, mas prefere manter o foco nos desafios atuais.

"É uma competição que todo mundo que é fã de esportes gosta de assistir, onde estão os maiores atletas de todos os lugares do mundo. Seleção Brasileira sempre é um sonho, um objetivo, mas não tenho que pensar nisso, tenho que focar no meu trabalho no clube. Acho que podem ter falado algo por eu ter idade para disputar as Olimpíadas, mas procuro me concentrar só no Bahia e o resto será consequência", ponderou o atacante, que disputou duas partidas do Sul-Americano sub-20 de 2017 pela seleção, no Equador.

Conterrâneo e ex-companheiros são referências

Ainda jovem, Artur não esconde que busca referências e exemplos em outros jogadores para evoluir na carreira, tanto na conduta profissional quanto no estilo dentro das quatro linhas. Um conterrâneo de destaque no futebol brasileiro – e na seleção – e dois ex-companheiros no Verdão compõem o trio de escolhidos.

Pouco utilizado no Palmeiras, atacante canhoto lembra de ex-companheiros como referências positivas para a carreira (Cesar Greco/Ag. Palmeiras)
Pouco utilizado no Palmeiras, atacante canhoto lembra de ex-companheiros como referências positivas para a carreira (Cesar Greco/Ag. Palmeiras)

"Everton é um ótimo jogador, fez uma excelente Copa América com a Seleção Brasileira e já vem desempenhando um bom papel no Grêmio nos últimos anos. Com certeza é um exemplo para nós, atacantes, que gostamos de ir pra cima, tentar o drible, buscar uma assistência e a finalização", disse o jogador do Bahia.

"Dudu, do Palmeiras, Gabriel Jesus, do Manchester City, são jogadores em que me espelho. Tive o privilégio de conviver com eles no Palmeiras, no profissional e na base, e são caras que sempre mostraram muita dedicação nos treinamentos, humildade e uma grande capacidade de decisão. Procuro me inspirar neles, sem dúvidas", pontuou.

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