Arquibancadas expõem como Brasil ficou para trás da Europa no combate à Covid

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Foi o último jogo da seleção da Dinamarca na fase de grupos da Eurocopa. Depois de duas derrotas, para Finlândia e Bélgica, só restava aos dinamarqueses vencerem os russos em Copenhague. A cada gol na vitória por 4 a 1, a cena se repetiu nas arquibancadas do Parken Stadium: abraços trocados, copos de cerveja lançados para o alto, o sorriso nos rostos pintados com a bandeira do país.

O resultado de uma política bem-sucedida de combate à Covid-19 está sendo televisionado. A depender de quem assiste, promove o choque com a realidade. É o caso do Brasil. Eventos esportivos transmitidos para o mundo todo, com público em estádios e ginásios, mostram o fruto colhido por quem defendeu isolamento e vacinação, em vez de remédios para tratamento precoce sem eficácia comprovada pela ciência.

As cenas reforçam o equívoco das medidas governamentais diante da pandemia. A goleada dinamarquesa foi assistida por 23.644 pessoas no estádio, com capacidade para 38 mil. Longe dali, Uruguai e Chile se enfrentaram na Arena Pantanal com o ruído de torcida artificial saindo dos alto-falantes.

Quando o torcedor que assistiu à goleada dinamarquesa trocou de canal e se deparou com a Copa América, que o presidente Jair Bolsonaro se esforçou para realizar no Brasil, e seus estádios vazios, teve uma explicação visual das consequências do negacionismo. Não há truculência presidencial que camufle a realidade das arquibancadas em Copenhague e em Cuiabá.

A ciência ajuda a explicar o contraste. De acordo com o site "Our World In Data", até domingo, a Dinamarca já havia aplicado ao menos a primeira dose da vacina em 51,98% de sua população. No Brasil, esse número era de 29,52%.

Os diferentes estágios de imunização não são a única explicação. A Dinamarca permite torcedores em seus estádios porque desde fevereiro tem menos de uma morte causada por Covid-19 a cada milhão de habitantes. No mesmo período, esse número no Brasil tem sido de no mínimo cinco, com picos de 14. No domingo, foi de 9,69 mortes a cada milhão. Enquanto os moradores de Copenhague tentam deixar o luto para trás, ele persiste no Mato Grosso, de mãos dadas com a média móvel de mortes diárias na casa das 30 desde maio, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, dos EUA.

Além da Eurocopa, outro evento que desperta interesse no Brasil são os playoffs da NBA. A competição serve para mostrar que havia tempo para o país corrigir sua estratégia no combate à pandemia, reduzir as perdas humanas e acelerar o retorno da torcida às competições. Os americanos celebram a volta de uma rotina praticamente normal enquanto se aproxima a definição do próximo campeão da liga de basquete. No Brasil, nada indica de que haverá condições sanitárias para que torcedores celebrem no estádio o próximo vencedor do Brasileirão, com a última rodada marcada para dezembro.

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