Argentina sente ausência de Messi e Neymar voa para a Copa do Mundo

Por César LOPEZ
Neymar comemora após marcar contra o Paraguai

Lionel Messi está machucado com a punição imposta pela Fifa, que o suspendeu por quatro jogos e o retirou da fase final das Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, onde o Brasil já garantiu vaga com Neymar e companhia.

Enquanto a Rússia aguarda ansiosa o retorno do "jogo bonito", imagem da imbatível seleção montada por Tite e que venceu o Paraguai por 3 a 0, a Argentina sente as quatro partidas de ausência do camisa 10, que saíram de um escritório em Zurique e ameaçam o futuro dos "hermanos".

Desde que o ex-treinador do Corinthians assumiu a amarelinha, carregada de descrédito e falta de esperança, o Brasil mudou radicalmente de postura. Contra os Guaranis, a equipe alcançou a oitava vitória seguida, chegou a 33 pontos e garantiu presença no Mundial com quatro rodadas de antecedência.

"Mudou praticamente tudo. Devemos muito a ele", resumiu o lateral esquerdo Marcelo.

Mas se no Brasil a classificação antecipada é sinônimo de festa, na casa dos vizinhos o gosto amargo percorre as ruas.

Messi cumpriu a primeira das quatro partidas de suspensão contra a Bolívia, na terça-feira (28), e o time perdeu por 2 a 0, caindo para a incômoda zona de repescagem. Pouco para os vice campeões de 2014, que precisarão suar sangue nos últimos jogos.

"É lamentável que não possa jogar. Alguém fez algo para que isso acontecesse", se queixou com desconfiança o treinador Edgardo Bauza, que avaliou a punição da Fifa como severa e afetou os planos em La Paz.

"Estamos vivos e com muita vontade de nos classificarmos para a Copa. A luta continua", acrescentou o questionado técnico argentino, que não convence e que já desperta rumores sobre possível demissão. A Associação de Futebol Argentino (AFA) vai passar a ter uma nova cúpula nesta quarta-feira, e pode tirar Bauza do cargo. A AFA está afundada em crise financeira e institucional sem precedentes, desde a morte do todo poderoso Julio Grondona.

- Colômbia e Chile se acertam -

A Colômbia não sabia o que era vencer em Quito desde a eliminatória para a Copa da França-1998, quando os cafeteiros se impuseram no Equador com um gol de Faustino Asprilla.

Os comandados de José Pekerman ignoraram as estatísticas e saíram do Olímpico Atahualpa com uma valiosa vitória por 2 a 0. O resultado encheu os pulmões da equipe, que assumiu a vice colocação com 24 ponto e briga por uma vaga automática para a Rússia.

"Jogos como este são os que te fazem sonhar", destacou Pekerman. "Vamos precisar do talento individual de cada um e aproveitar o impulso desde jogo", insistiu o treinador argentino.

A Venezuela, lanterna e eliminada depois da derrota por 3 a 1 contra o Chile, em Santiago, vai ser o próximo teste para o time liderado por James Rodríguez. Na seleção, o camisa 10 transforma a amarga posição de reserva no Real Madrid em gols e boas atuações.

O Chile, por outro lado, se recuperou da derrota em Buenos Aires e chegou aos 23 pontos, assumindo a quarta colocação.

"Precisávamos vencer assim, sendo superior ao rival e criando muitas situações de gol. Nós fizemos tudo o que é pedido a um time de futebol: fizemos gols, criamos situações e vencemos um jogo dificílimo. Quem não está feliz é porque subestimou o que poderia acontecer", comentou o treinador da "La Roja" Juan Antonio Pizzi.

O melhor para os bi-campeões da América são os próximos confrontos nas eliminatórias contra Paraguai, Bolívia e Equador, que não aparentam ser grandes adversários. Antes da última partida contra o Brasil, em outubro, o Chile já pode estar com a vaga garantida.

O Uruguai, com 23 pontos e na terceira colocação, se mantém no topo por conta do que fez durante a competição. O time de Luis Suárez perdeu as últimas três partidas, a última para o Peru, por 2 a 1, e voltou a embolar o cenário da briga pelas vagas diretas para o Mundial.