Argentina sem Messi nada nas águas perigosas da repescagem

Por Daniel MEROLLA
O técnico da Argentina, Edgardo Bauza

A suspensão do astro Lionel Messi e a derrota para a Bolívia por 2 a 0 ligaram o sinal de alerta na Argentina, que está na zona de repescagem das Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia, a quatro rodadas do fim.

Como se não bastassem os problemas, o treinador Edgardo Bauza está na corda bamba. A Associação de Futebol Argentina (AFA) decide nesta quarta-feira a nova cúpula que vai comandar o esporte no país e os mandatários podem mudar o técnico.

Foi uma terça-feira (28) tenebrosa. O primeiro golpe veio desde Zurique. Sem avaliar a súmula dos árbitros, a Fifa descarregou uma punição de quatro jogos de suspensão a Messi. O jogador insultou o bandeirinha depois da vitória contra o Chile, em Buenos Aires. A TV mostrou sua conduta.

"Dá pra ver que o insulta, sim. Todos vimos. Aconteceu com Ibrahimovic no Manchester United, que depois das imagens da cotovelada foi suspenso por três jogos", falou a lenda Diego Maradona.

Mas Maradona advertiu que não vai ficar "de braços cruzados". "Se tenho que levar o caso ao Comitê da Fifa que puniu Messi, vou levar", anunciou. Mas a Fifa raramente volta atrás em suas decisões.

"Quatro jogos é um disparate. Existem agressões que são mal intencionadas e às vezes pegam só dois jogos. Isso foi verbal, é muito exagerada a punição", avaliou o ex-treinador da seleção argentina César Menotti.

- Velhos rancores -

O lendário ex-goleiro paraguaio José Luis Chilavert falou que a suspensão é "uma vingança da Fifa ao futebol argentino e Messi paga as consequências".

Os atritos e discussões com a AFA vêm desde o início da grave crise institucional e financeira que a Federação atravessa. A Fifa interveio, mas os remédios temporários foram piores que a doença. Agora, pela primeira vez em três anos após a morte de Julio Grondona, a direção vai ser decidida por votos.

A suspensão deixou a seleção argentina sem o goleador para o duelo chave contra o Uruguai, no estádio Centenário de Montevidéu. O camisa 10 também vai desfalcar contra Venezuela e Peru, ambos em casa, e vai poder voltar na última rodada contra o Equador, na altitude de Quito.

"Estamos vivos e com a ideia de classificar para o Mundial", falou Bauza. Mas a Argentina está em quinto, na zona da repescagem, com 22 pontos, atrás Uruguai e Chile, ambos com 23.

Mas a Argentina colocou a corda no pescoço por conta própria. A equipe não tem estilo de jogo nem personalidade vencedora. Além disso, os grandes jogadores que brilham na Europa não acrescentam o talento que se espera deles.

Sem Messi, o time venceu apenas um jogo, empatou quatro e perdeu três. Com o camisa 10, a Argentina venceu cinco e perdeu um.

- Chover no molhado -

Com Messi no vestiário, a seleção não aguentou a altitude de 3.600 metros de La Paz.

"Substituir Messi é impossível", pontuou Menotti. O ajuste poderia vir pelo lado do treinador e de alguns jogadores. "Para mim, nada me abala. Estamos fortes para seguir. Estamos firmes com os jogadores", se defendeu Bauza.

Mas o treinador ainda não explicou como conseguiu classificar o time como brilhante, na noite cinza da vitória magra contra o Chile. O pênalti duvidoso cobrado por Messi garantiu os três pontos.

A imprensa e milhares de torcedores pedem pela convocação de Mauro Icardi, da Inter de Milão, entre outros jogadores. Os pedidos também fazem referência a dar descanso para jogadores da geração anterior, que não conseguiram vencer grandes torneios.