Argentina em seu labirinto para organizar a Copa América

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A menos de três semanas para o apito inicial da Copa América-2021, a decisão sobre se a Argentina sediará o torneio ainda é incerta, condicionada a rígidos protocolos sanitários em meio ao pior momento da pandemia de covid-19.

"Precisamos saber se a Conmebol tem capacidade de cumprir os requisitos que estamos exigindo", disse o chefe da Casa Civil, Santiago Cafiero, em declarações à Radio10 nesta quinta-feira.

As condições foram entregues na quarta-feira durante uma reunião em Buenos Aires entre o presidente Alberto Fernández e o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez.

Em um comunicado após a reunião com Fernández, a entidade esportiva afirmou que "o governo argentino apresentou à Conmebol um protocolo rígido para que a Copa América seja realizada no país".

"Foram avaliados os aspectos organizacionais e logísticos - com a eventual autorização de novas sedes - e tudo o que diz respeito aos protocolos sanitários", acrescentou a Conmebol.

Entre as exigências do governo está a redução do número de integrantes das delegações. "Eles demoraram a defini-lo, entendo que devem falar com todas as delegações para ver se cumprem os protocolos que a Argentina está exigindo", disse Cafiero.

"É complexo, isso sempre é feito com muito dilema, mas a ideia é tentar seguir em frente", disse.

Pouco antes, a ministra da Saúde, Carla Vizzotti, disse que "a rigor, receber entre 1.000 e 1.200 pessoas de diferentes localidades com um protocolo muito rígido não é uma situação epidemiológica de grande relevância".

Representantes da Conmebol inspecionaram estádios nos últimos dias na Argentina em caso de adição de sedes para os jogos originalmente programados na Colômbia, já excluída da organização, incluindo a final do dia 10 de julho.

- 'Albiceleste' se prepara -

Com o astro Lionel Messi recém-chegado a Buenos Aires, a seleção argentina começa a esquentar seus motores no centro da Associação Argentina de Futebol (AFA) em Ezeiza (sul), onde foi montada uma verdadeira fortaleza para manter isoladas cem pessoas envolvidas com a Albiceleste.

Os argentinos estão focados nas próximas duas rodadas das Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar-2022, no dia 3 de junho, contra o Chile e a Colômbia, em 8 de junho, mas já pensam na Copa América para acabar com o longo jejum de títulos que vem desde 1993.

Esta será "uma Copa especial, diferente, porque com certeza não haverá público. Mas, mesmo assim, pessoalmente, eu realmente quero estar lá novamente", disse Messi dias atrás.

- Pior momento da pandemia -

A Argentina está passando por um momento sanitário crítico com 75.588 mortes por covid-19 e mais de 3,6 milhões de infecções em 45 milhões de habitantes.

O governo aposta que o confinamento de 9 dias que começou no sábado passado e termina no próximo domingo permitirá que a curva de contágio seja interrompida.

No dia 16 de maio, quando a Argentina atingiu 3,3 milhões de infecções e 70 mil mortes, o presidente havia dito que o país estava preparado para receber a Copa América, mas alertando que "depende de como tudo evolui e do que a Colômbia vai fazer também".

Dez dias depois, a Colômbia foi excluída como co-organizadora com a Argentina, em meio a um surto social com dezenas de mortos.

Nesse período, a Argentina acumulou mais 5.500 mortes e 300.000 infecções.

Fernández disse posteriormente que estava disposto a sediar todo o torneio que acontecerá de 11 de junho a 10 de julho, mas destacou que será "uma Copa para a televisão" sem a presença do público nos estádios.

O governo sabe que qualquer que seja a decisão, terá um custo político, no momento em que a imagem do presidente sofre com uma situação econômica crítica, de inflação altíssima e da gravidade da pandemia.

- River dispara alerta -

As partidas das semifinais da Copa da Liga local, que seriam disputadas no fim de semana, foram adiadas para 31 de maio.

Por outro lado, o governo dispensou o cumprimento das restrições aos times envolvidos em torneios internacionais, para que as partidas da Copa Libertadores e Sul-Americana desta semana sejam disputadas sem alterações.

Mas o caso do River Plate disparou todos os alarmes. A equipe conseguiu superar o contágio de cerca de trinta jogadores e auxiliares, mas na quarta-feira chegou a notícia da morte por covid de um motorista que dirigiu para o time.

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