Aras investiga invasões a hospitais, mas não vê crime em fala de Bolsonaro

Brazilian President Jair Bolsonaro (R) greets Brazil's Attorney General Augusto Aras during his inauguration ceremony in Brasilia, on October 2, 2019. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Brazilian President Jair Bolsonaro (R) greets Brazil's Attorney General Augusto Aras during his inauguration ceremony in Brasilia, on October 2, 2019. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou a abertura de investigação contra os responsáveis pelas invasões a hospitais durante a pandemia de coronavírus, incluindo políticos e pessoas com foro privilegiado.

“Condutas dessa natureza colocam em risco a integridade física dos valorosos profissionais que se dedicam, de forma obstinada, a reverter uma crise sanitária sem precedentes na história do país. Observadas as condições de procedibilidade, os eventos narrados, dotados de gravidade, podem ensejar, em tese, a responsabilidade criminal dos seus autores, razão pela qual solicito a Vossa Excelência a distribuição da presente notícia-crime para adoção das medidas que o(a) Promotor(a) natural compreender necessárias”, diz o pedido de Aras.

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Segundo a revista veja, a investigação não atingirá o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mesmo ele tendo encorajado apoiadores a filmarem eventuais irregularidades em hospitais de campanha.

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Na avaliação da PGR, a conduta de Bolsonaro não configuraria crime. A ação ilegal está no ato dos invasores. Neste domingo (14), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, chamou os atos nos hospitais de “criminosos”.

“Invadir hospitais é crime - estimular também. O Ministério Público (a PGR e os MPs Estaduais) devem atuar imediatamente. É vergonhoso – para não dizer ridículo – que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública”, escreveu Mendes no Twitter.

Durante live na última quinta-feira, Bolsonaro incentivou pessoas a entrarem sem autorização nos hospitais de campanha, após questionar o número de mortes por Covid-19 no Brasil.

"Seria bom você fazer isso na ponta da linha. Tem hospital de campanha, hospital público, perto de você, arranja uma maneira de entrar e filmar. Tem muita gente fazendo isso, para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis. Isso nos ajuda", declarou o presidente.

Após a fala de Bolsonaro, um grupo invadiu o hospital Ronaldo Gazolla, no Rio de Janeiro, para verificar se havia leitos desocupados, chutando portas e derrubando computadores. Aos gritos de “Mentira! Mentira!”, eles também questionaram o diagnóstico de Covid-19 recebido por uma suposta familiar morta no local.

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