'Sempre sobra para alguns': finalista na Ponte, Yago desabafa sobre Timão

Gabriel Carneiro

Yago começou a temporada passada como titular do Corinthians, um status que ainda não havia alcançado em muito tempo de clube. Substituto de Gil, que foi vendido ao futebol chinês pouco antes, o zagueiro que completou sua formação no Parque São Jorge acabou o ano sem o mesmo prestígio. Ele encarou um processo de doping (do qual foi absolvido, aliás), sofreu com três lesões de certa gravidade e não conseguiu ajudar o Timão a evitar um 2016 menos frustrante dentro de campo. Resultado? Abriu 2017 sendo emprestado por um ano à Ponte Preta.

Há três meses no elenco da Macaca, que hoje é finalista do Campeonato Paulista justamente contra o Corinthians, Yago desabafou sobre seu momento em entrevista ao LANCE!. Sem esconder o descontentamento pela decisão do Timão de emprestá-lo, o jogador de 24 anos sabe que "não adianta chorar" e põe foco na possibilidade de participar como titular do primeiro título da Ponte Preta. Tudo isso sem esquecer que sua saída do Corinthians pode não ter sido motivada simplesmente por razões técnicas.

- Ano passado foi um pouco difícil para mim. Oscilei bastante junto com a equipe e infelizmente tive três lesões, além do problema com o doping, que atrapalhou bastante. No início deste ano o Corinthians tinha outros bons zagueiros e decidiu que eu precisava sair para jogar mais. Não vi problema nenhum, para mim foi ótimo, estou jogando, na final. Infelizmente o futebol é assim, mas não tem o que chorar ou ficar triste - diz Yago, que vê a "oscilação" como um problema comum a todos os jogadores do Corinthians em 2016.



- Ninguém gosta de ser preterido, mas futebol é assim. Não tem como sobrar para todos, aí sempre sobra para alguns, dois, três, cinco. Creio que nós que saímos, eu, Lucca, Marlone, Guilherme, e outros, não tivemos culpa de nada. Não foi o ano do Corinthians mesmo, todo mundo foi mal. É só você ver o Fagner, que para mim é o melhor lateral do Brasil. Ano passado até ele gerou um pouco de dúvida pelo desempenho, isso só prova que o ano de todos foi difícil e acaba sobrando para alguns. Mas ficou no passado, agora estou podendo mostrar meu verdadeiro valor - desabafa o zagueiro.

Yago jogou 39 partidas pelo Corinthians no ano passado, sendo 37 como titular em 67 confrontos ao longo de todo o ano, envolvendo pré-temporada, Paulistão, Copa do Brasil e Brasileiro. Em 2017, ele seguiu o caminho de outros dez jogadores emprestados pelo Corinthians (Douglas ao Avaí, Rodrigo Sam ao Água Santa, Claudinho ao Santo André, Alan Mineiro à Ferroviária, Gustavo ao Bahia, Jean ao Vasco, Marlone ao Atlético-MG, Luidy ao Figueirense, Lucca à própria Ponte Preta e, prestes a ser confirmado, Guilherme ao Atlético-PR).

Ao lado de Lucca na Macaca, o zagueiro soma 16 partidas, por Paulistão, Copa do Brasil e Sul-americana, e já marcou até um gol neste ano. E se pintar outro gol decisivo nas finais do Estadual, justamente contra o Corinthians?

- (Risos) Não posso pensar dessa forma. O que quero mesmo é me preparar bem para essa final e pela vontade de Deus nós conseguirmos o título. Só penso na Ponte Preta, ciente da importância que teria esse título para todos. Mas o futuro a Deus pertence. Caso eu venha a ser decisivo nessas partidas sei que o torcedor corintiano vai entender. O futebol é assim.

CONFIRA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA DE YAGO AO LANCE!









Elenco da Ponte Preta

Elenco da Ponte (Yago sentado, ao centro) (Foto: Reprodução)

Quais você acha que são as razões da boa campanha da Ponte no Paulistão? Foi uma surpresa chegar na final?
Eu acho que a gente deve isso primeiramente a Deus, e também ao fato da gente acreditar. A Ponte é tida como a quinta força do Estado, mas é um time de Série A, briga de igual para igual com os grandes. O que fizemos foi acreditar e trabalhar. A partir do momento em que acreditamos que daria certo as coisas aconteceram, então não foi surpresa. Claro que se for olhar o começo do campeonato poderia até falar, mas a gente ganhou força, fizemos o mesmo número de pontos do Santos, aí ganhando corpo e confiança chegamos aqui.

E você se sentiu adaptado rapidamente? Já são 16 jogos em três meses.
A adaptação aconteceu muito rápida. Eu cheguei e já conhecia algumas pessoas, tinha o Lucca que joguei junto no Corinthians, o pessoal é bem simples, do estafe à diretoria. Cheguei e em uma semana já fui para os jogos, na outra já fui titular, tudo muito rápido. Estou gostando do meu campeonato e dos demais, porque coletivamente tem sido ótimo. O Pottker está se sobressaindo, mas todos fazem um grande campeonato.


Você joga as finais? Não tem aquela história de acordo de cavalheiros por causa do empréstimo?
Pô, joguei o campeonato todo. Quero jogar a final também (risos). Mas acho que não existe nenhuma cláusula, não. Estou pronto para ajudar a Ponte.

Você trabalhou bastante tempo com o Fabio Carille. É surpresa ele estar desempenhando tão bem o trabalho como treinador de fato?
Desde 2013, quando subi para o profissional, vejo ele trabalhar e sei o valor que ele tem. É um cara que dispensa comentários, com quem aprendi muita coisa, tipo posicionamento, parte técnica. O Fabio é um cara que se eu falar um "a" vou estar sendo injusto e ingrato. E agora ele está tendo a chance de mostrar a quem não conhece, com um time organizado, crescendo ofensivamente partida após partida. Ele vai crescer muito na função.

Em que tipo de coisa o Fabio te ajudou no Corinthians?
Antes do Corinthians eu jogava na base da Portuguesa e sempre com três zagueiros na formação. Eu não tinha noção do trabalho na linha de quatro, e com ele aprendi esses atalhos. Passe também ele me ensinou bastante coisa.

Então o treinador que ajudou a te formar agora pode lamentar uma boa atuação sua?
(Risos) Eu quero dar o meu melhor e ele vai dar o melhor dele. Creio que preciso um pouco mais do que ele, a Ponte também precisa mais que o Corinthians. Mas esse reencontro vai ser bem legal, vontade e disposição não vão faltar. São dois times que jogam parecidos, a Ponte com a chegada do Kleina se organizou bem. Vamos trabalhar essa semana, ver o que esperar e jogar, porque o pessoal de Campinas está bem motivado para esse jogo, mesmo sabendo que o Corinthians é favorito.

Você considera mesmo o Corinthians favorito?
Com certeza. Sei que eles estão precisando se firmar, que há dúvida entre a torcida, mas com a gente não é diferente. A Ponte não ganhou nenhum título, e para nós jogadores é especial chegar até uma final. O Corinthians é favorito, sim, mas nós eliminamos Palmeiras e Santos. Quem sabe também não podemos sonhar que é possível.












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