Após quarto lugar no Mundial, brasileiro coloca ciclismo no radar da medalha para Tóquio 2020

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Henrique Avancini durante prova na Itália (Pierre Teyssot/Action Plus via Getty Images)
Henrique Avancini durante prova na Itália (Pierre Teyssot/Action Plus via Getty Images)

Por Guilherme Costa, de Lenzerheide, Suíça

O brasileiro Henrique Avancini, de 29 anos, parece um intruso no ciclismo mountain bike, dominado por europeus. No Campeonato Mundial de mountain bike, disputado no último sábado, conquistou a quarta posição, repetindo o posto do ano passado, e foi o único atleta que não nasceu no velho continente entre os 14 primeiros colocados. Vice-líder do ranking mundial, o fluminense, nascido em Petrópolis, já está entre os cotados para uma medalha na Olimpíada de Tóquio 2020. Segundo o ciclista, este é o objetivo.

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– Estou buscando chegar nos Jogos Olímpicos como candidato a medalha, e hoje já sou um candidato. Preciso desenvolver vários pontos, e estamos no caminho, são pequenos detalhes, então agora é limpar a cabeça e seguir em frente – disse o brasileiro.

O ciclismo olímpico é disputado em cinco modalidades: pista (velódromo), estrada, BMX, mountain bike e BMX Freestyle, esse último fará sua estreia em Tóquio 2020. O melhor resultado da história olímpica brasileira foi o de Flavia Oliveira, sétima na prova de resistência na Rio-2016.

No sábado, Henrique ficou atrás do maior nome da história do ciclismo mountain bike, o suíço Nino Schurter, que alcançou seu sétimo título, do italiano Gerhard Kerschbaumer e do holandês Mathieu van der Poel. A prova foi disputada em Lenzerheide, uma montanha na Suíça que, no inverno, recebe competições de esqui, mas no verão é um paraíso para os ciclistas. Henrique saiu com um pingo de decepção após a prova:

– Gostaria de ter brigado mais próximo da medalha, não estava tão distante da medalha, nem da vitória, mas faltou um “golinho”. Eu esperava um pouco mais, estar acima deste grupo intermediário. Agora é analisar, é difícil brigar com esses caras. Eles são agressivos, e eles se impõem, então temos que quebrar essa barreira – disse.

A Suíça é a escola mais tradicional do mountain bike. Neste Mundial, foram cinco atletas entre os quinze primeiros colocados. E, algumas vezes, as bicicletas se encontram no meio da prova, causando quedas, como aconteceu duas vezes com Henrique na última volta, em ambos os casos, ocasionados após encontros com o suíço Floran Vogel, que chegou em quinto.

– Ah, a gente fala que tem a parede suíça, é complicado. Ou você tem um gole a mais para sair deles, ou fica no inferno suíço. Fiquei bem chateado, nós éramos o grupo da quarta colocação, poderíamos tentar a terceira posição, mas perdi tempo e força, fui para o chão duas vezes, e atrapalhou todo o grupo que estava tentando buscar o terceiro – disse.

Na chegada da prova, Henrique foi falar com Vogel, que pediu várias vezes desculpa pelos ocorridos. O brasileiro discutiu um pouco, mas aceitou o perdão do suíço e cumprimentou o adversário.

A modalidade é disputada em Jogos Olímpicos desde Atlanta 1996, e, nas seis edições realizadas, apenas ciclistas europeus foram ao pódio. Henrique crê que o pódio em uma grande competição está cada vez mais perto.

– O quarto lugar do Mundial do ano passado foi uma barreira quebrada, a sensação de quebrar uma barreira. Aqui foi diferente, eu queria mesmo a medalha. Os três da minha frente são os três grandes fenômenos da modalidade. Mas não estou distante deles, tenho que melhorar em algumas áreas- disse.

A carreira de Henrique foi promissora desde o início. Com apenas 17 anos, em 2006, já foi nono colocado no Mundial júnior da modalidade, despontando como grande nome. No ano seguinte, foi campeão pan-americano das categorias de base. A partir de 2009, começou a disputar etapas da Copa do Mundo. Representou o Brasil na Olimpíada do Rio, ficando em 23º.

Atualmente, faz parte da Cannondale Factory Racing Team, uma das principais equipes do mundo, e fica na Europa a maior parte do tempo. É o atual vice-líder do ranking mundial, posição que deve manter até o fim da temporada. Nesta temporada, além da quarta posição no Mundial, também ficou em quarto em duas etapas do circuito.

– Vendo qual era nosso objetivo na temporada, mais uma vez fui bem. Fiz uma boa corrida, briguei por uma medalha. Meu objetivo do ano foi conquistado. Não tenho nada a reclamar da temporada, não é à toa que eu estou em segundo no ranking mundial. Cresci muito – concluiu.

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