Após decepção na Rússia, má campanha na Copa América pode 'balançar' Tite na Seleção; técnicos opinam

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(Foto: Getty Images)
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Por Caio Calazans (@Cabrito13)

A Copa América que voltará a ser disputada em solo brasileiro após 30 anos tem início marcado para 14 de junho próximo. No jogo de estreia, a Seleção Brasileira enfrentará a Bolívia no Estádio do Morumbi. A competição, que é disputada desde 1916, comemora neste ano cem anos desde que a nossa seleção conquistou a taça pela primeira vez. Mais que isso, a Copa América algumas vezes funcionou como um termômetro para medir o quanto o técnico da Seleção Brasileira tem de “vida útil”. E Tite, antes quase uma unanimidade, enfrentou críticas após o futebol decepcionante apresentado na Copa da Rússia e mira ser campeão da primeira Copa América que disputará.

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Ciente que uma má campanha pode estremecer a relação com a torcida e imprensa, o técnico do Brasil preferiu mesclar o elenco com jogadores jovens como Éder Militão e David Neres, e experientes como o lateral Daniel Alves (36 anos), os zagueiros Thiago Silva (34 anos) e Miranda (35 anos) e o meia Fernandinho (34 anos). Dos 23 convocados, 14 disputaram a última Copa do Mundo. O ex-técnico da Seleção Brasileira, Sebastião Lazaroni, campeão da última edição realizada no Brasil, destaca a importância de conquistar o título: “Agora é uma nova chance um novo momento, fez uma convocação aí de jogadores com bagagem, uma larga experiência para tentar atender o anseio de todos para vencer a Copa América”.

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Historicamente, é visível a relação entre má campanha no torneio continental e a queda de alguns técnicos da Seleção. Dunga caiu praticamente no mesmo dia em que a Seleção foi eliminada na primeira fase em 2016. O técnico já havia resistido à queda um ano antes, quando o Brasil, ao menos, se classificou em primeiro na fase inicial, caindo nas quartas de final. Embora não tenha sido demitido de imediato, a desclassificação da Seleção de Mano Menezes nas quartas de final, em 2011, também significou o início do fim da confiança da torcida e imprensa com o treinador. Em outros casos, a Copa América, em vez de azedar a relação, fortaleceu o trabalho de técnicos no comando da amarelinha. Que o digam os estreantes em Seleção Vanderlei Luxemburgo, campeão em 1999, Dunga, campeão em 2007 e Lazaroni, campeão em 1989.

O técnico Jorginho, atualmente na Ponte Preta, vencedor da Copa América como jogador há 30 anos e, posteriormente, como auxiliar de Dunga em 2007, destaca que nesta competição cheia de rivalidade, não basta só vencer: “A questão da pressão da torcida, né. Querendo sempre uma vitória, mas também uma vitória consistente, uma vitória com qualidade, o time jogando bem. A cobrança da imprensa é muito forte, porque a cobertura aqui é muito maior do que em outro país.” Apesar de ser a Seleção mais vencedora do continente, o Brasil é apenas o terceiro maior vencedor da Copa América com oito títulos, atrás do Uruguai (15) e da Argentina (14).

O ex-lateral na Seleção em 1989, titular na Copa do Mundo de 1990 e campeão mundial pelo Brasil em 1994, acredita que a catimba e as provocações são as principais dificuldades do torneio continental: “O jogador brasileiro é muito emocional. A gente precisa muito de um equilíbrio nessa área. Então eu creio que é a maior dificuldade que a gente tem. Em termos de competitividade, isso aí a gente está acostumado a enfrentar em qualquer lugar que a gente jogue. Por exemplo, na Europa, a competitividade é muito grande, mas coisa que não existe na Europa é essa questão dessas provocações”. Ele relembra que o título da Copa América de 2007, como auxiliar de Dunga, fortaleceu a confiança no trabalho da Seleção Brasileira junto à imprensa e torcida: “A gente não pode contar com grandes nomes que tinham parado: Rivaldo, Ronaldo, Cafu, Roberto Carlos. Ali trouxe uma certeza de que estávamos tomando um rumo diferente, descobrindo novos jogadores”.

Confiante em uma boa campanha no torneio deste ano, Lazaroni entende que a Seleção de Tite vinha fazendo um bom trabalho, mas sofreu com fatores extracampo no mundial da Rússia: “A seleção foi muito bem nas Eliminatórias, se mostrou apta, jogando bom futebol, compacta. Quando era atacada, mostrava recursos para se defender e nunca deixar de atacar a recuperação da bola, seja com velocidade ou mesmo o trabalho de toda equipe evoluindo para o ataque. Depois disso nós tivemos problemas para o Mundial, lesões, contusões. Alterou o pensamento tático e acabou caindo nas quartas de final. Aí se mostrou uma Seleção vulnerável, aberta, sofreu os contra-ataques e acabou não tendo o resultado que nós esperávamos”.

O desempenho de Tite em competições sul-americanas teve conquistas e boas campanhas em clubes. Em 2007, o técnico teve campanha de destaque levando o Grêmio à final da Copa Libertadores da América, no ano seguinte, foi campeão da Copa Sul-Americana com o Internacional de Porto Alegre. Um dos resultados mais marcantes da carreira do técnico foi em uma competição continental: o título da Libertadores, de forma invicta, e com a maior campanha brasileira da história da competição com o Corinthians, em 2012. Na Seleção desde 2016, Tite conquistou o Superclássico das Américas (antiga Copa Rocca), em 2016.

Esta será a 46ª edição da Copa América, mas apenas a quinta em território brasileiro. Nas outras quatro (1919, 1922, 1949 e 1989), a Seleção Brasileira não decepcionou e foi campeã para delírio da torcida. O Brasil integra o grupo A com Bolívia, Venezuela e Peru. O primeiro jogo será contra a Bolívia em 14/06 no Estádio do Morumbi, na sequência a Seleção viaja a Salvador para enfrentar a Venezuela na Arena Fonte Nova e no dia 22/06 fecha a participação na primeira fase ante a seleção peruana na Arena Corinthians, em São Paulo. A final do torneio será disputada em 07/07, no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro.

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