'Com a cara de Renato' - O Grêmio deixou para trás o fantasma de Roger Machado

Renato Gaúcho é o grande responsável pela conquista da Copa do Brasil em 2016, mas apesar de pedir uma estátua sua na Arena, o próprio treinador do Grêmio admitiu que utilizou muito do esquema e do estilo de jogo de seu antecessor, Roger Machado, quando chegou.

Pontualmente, o maior ídolo da história do clube gaúcho, além do fator motivacional, fez uma mudança no sistema defensivo, trocou a marcação por zona pela individual, sobretudo nas bolas paradas, e conforme pode ser notado nos jogos do ano passado e nesta temporada, acelerou a definição das jogadas. Com a cara de Renato, o Grêmio é mais objetivo.

Alguns pontos do time, que goleou o Veranópolis, por 5 a 0 nas quartas do Gauchão, e enfrentará o Deportes Iquique, nesta terça-feira (11), às 21h45 (de Brasília), pela Libertadores, na Arena, devem ser analisados.

A ascenção de Bolaños

Douglas se lesionou no começo da temporada. A previsão de ficar até seis meses afastado do time e a falta de um outro camisa 10 no elenco - Lincoln ainda é muito jovem e inexperiente - preocupou os torcedores gremistas. No entanto, Bolaños, na sua posição preferida, brilhou. Se tornou, de forma diferente, o motor do time. Por ele, passam todas as jogadas.

Miler Bolanos Zamora Gremio Copa Libertadores 09032017
(Foto: Lucas Uebel/Grêmio/Divulgação)

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Ele não dá passes improváveis e longos, como o Maestro fazia, mas com toques rápidos, curtos e em direção ao gol, cria para ele ou para os companheiros inúmeras chances de marcar. Com o equatoriano, as jogadas saem de forma menos "mágica", mas o futebol é repetição, e nisso Renato e Roger concordam.

Deixando de lado a excelente fase que Douglas vivia no final de 2016, o estilo mais objetivo do Grêmio de Renato tem até mais a ver com o futebol de Bolaños, essencialmente, do que com que o do camisa 10, que com Renato teve ainda mais liberdade e por vezes jogava entre os zagueiros, algo mais fácil, levando apenas a característica em conta para um atacante de ofício realizar.

Ramiro como destaque

Junto de Douglas, o volante, improvisado como meio-campista pelo lado direito, encontrou seu melhor desempenho com Renato, se tornando solução para os problemas da equipe. Em função que em boa parte da passagem de Roger pelo Grêmio, era cumprida por Giuliano, Ramiro é talvez o mais regular com Renato, marcando gols importantes e sendo o mais dedicado, tanto na defesa quanto no ataque. A entrega do jogador de 23 anos, nos treinamentos e jogos, é invejável e exemplo para os demais.

Ramiro Zamora Gremio Copa Libertadores 09032017
(Foto: Lucas Uebel/Grêmio/Divulgação)

O maior trunfo: O grupo na mão

O 4-2-3-1 nunca foi abandonado e possivelmente não será. A posse de bola, a marcação em cima, também continuam como características. Os ajustes que Renato fez durante a Copa do Brasil - menos toques na bola, mudanças na defesa, no posicionamento de alguns jogadores, mais fluidez na definição das jogadas (seja com Douglas ou Bolaños) - estão cada vez mais evidentes, assim como excelente relacionamento e conhecimento dos seus atletas.

Renato conhece bem seu grupo e tem encontrado soluções inteligentes, como quando colocou Ramiro mais recuado, em sua posição de origem o experiente Léo Moura à frente do lateral direito. Na verdade, são abordagens diferentes, as de Renato e Roger, mas o principal é que hoje, não há mais uma influência direta do ex-treinador na forma de jogar da equipe.