Após ano de ouro, Rebeca Andrade fala da carreira e do mal entendido com post político

Rebeca Andrade durante o Mundial de Ginástica em 2022. Foto: Tim Clayton/Corbis via Getty Images
Rebeca Andrade durante o Mundial de Ginástica em 2022. Foto: Tim Clayton/Corbis via Getty Images

Menina de ouro do Brasil, talvez o melhor rótulo para Rebeca Andrade, multicampeã na ginástica artística. O ano de 2022 se define como épico, de confirmação do talento da jovem paulista de 23 anos. A atleta do Flamengo mostrou no último mundial a que veio, com a conquista de duas medalhas, ouro e bronze.

Rebeca falou em entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes as nuances do mágico momento na carreira, os bastidores do mundial realizado recentemente em Liverpool-Inglaterra, seu começo na ginástica até o estrelato e uma polêmica envolvendo a polarização entre os presidenciáveis Lula (PT) e Bolsonaro (PL).

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A ginasta teria curtido publicações contra o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Após a repercussão, o rótulo de ‘bolsonarista’, o influencer Felipe Neto veio em defesa da ginasta e enfatizou: “Ela não é minion”. Posteriormente, Rebeca veio a público para desmentir supostas acusações.

“Pessoal, acabei de ver alguns comentários sobre postagens que eu curti no Instagram nas últimas semanas, e vim aqui explicar a situação. Prezo muito pelos meus princípios e pelo que acredito como mulher preta, mulher cidadã. Curti algumas postagens sem que tivesse sequer visto os conteúdos, como pode acontecer com todo mundo”, destaca.

POSIÇÃO POLÍTICA

“Bom, a minha forma de me posicionar é com a política pública como educação, esporte, saúde e ali aconteceu algo que pode acontecer com qualquer outra pessoa. Então, antes de qualquer coisa, coloquei o que eu achava que deveria colocar naquele momento para que não ficasse nenhum mal-entendido. E é isso”.

GRATIDÃO

“A palavra que sintetiza a minha performance, eu acho que é gratidão. Porque quando eu subi naquele pódio tanto na medalha do individual quanto na do solo, eu estava tão grata e tão feliz. Ter conquistado mais uma vez, subir no pódio, tocar o hino do Brasil numa competição tão grande e tão importante”, enfatiza o momento emblemático na carreira.

Para Rebeca, mais que resultados, conquistas, a superação protagonizou uma trajetória repleta de frutos

“O desafio mais marcante na minha carreira foram as minhas cirurgias. Foram os maiores desafios, porque não foi só um desafio físico, mas também um desafio mental. Foi intensa, mas consegui passar e deu tudo certo”.

BASTIDORES DE LIVERPOOL

“Olha, eu acho que ser especialista é muito difícil. Mas se bem que que você completa em todos os aparelhos também é difícil porque você precisa fazer todos naquele dia. Mas ser especialista também é complicado porque você só tem um aparelho. Exemplo: no individual que são todos os aparelhos, se você vai mal, saltou, você vai mal na paralela ainda tem chance de resgatar no solo, foi o que aconteceu comigo no mundial. A minha paralela não foi muito boa nesse mundial. Mas a minha nota de trave e de solo cobriram a minha paralela. Eu acho que quando você é especialista, você faz um aparelho só, não tem essa forma de cobrir sua nota. Se você não vai muito bem, só tem aquela chance ali. Então, eu acho que ser especialista é mais difícil que fazer individual. O individual geral é bem mais cansativo e complicado. O que mais marcou nesse mundial para mim foi a medalha individual geral porque é algo que transmitiu essa sensação incrível que eu senti na hora.”

PRESSÃO, FAVORITISMO!

“Eu não enxergo como uma pressão assim. É muito legal ser considerada a favorita, mas a minha cabeça, eu vou sempre da mesma maneira para fazer o meu melhor, para estar feliz e sair do ginásio satisfeita com tudo que eu fiz durante as minhas apresentações. Eu acho que esse vai ser sempre o meu foco, porque se eu ficar parando para pensar no que as pessoas esperam, no que as pessoas querem, no que as pessoas estão falando, não sei se vou estar focada. Fazer a minha parte de chegar no ginásio e estar concentrada no que eu tenho que fazer. Eu vou pensar que que tenho que ganhar, ser a favorita, essas coisas e tal. Com isso, eu não conseguirei fazer a minha melhor performance. Então, eu acho que não é onde o meu pensamento deve estar. É bem claro isso na minha mente. Eu não enxergo como um tipo de pressão. Na hora da competição, tudo pode acontecer, sendo a favorita ou não. Então é chegar lá para fazer o melhor e sair feliz, sabe!? Estar feliz e sair feliz”!

PREPARAÇÃO PARA O MUNDIAL

“Bom, o planejamento para o mundial foi parecido com o da Olimpíada. A gente fez o nosso treino mais vezes com a equipe completa. Eram mais dias de solo, precisei me preparar muito, fazer muita preparação física, academia para deixar o meu corpo sempre forte, sempre muito firme. Bom, por conta das lesões, eu preciso sempre estar muito preparada pra tudo que vai acontecer. Cuidei ainda mais da minha alimentação e continuei o mesmo processo, com a minha psicóloga dentro do ginásio fazendo a melhor ginástica que eu poderia fazer, sempre me respeitando muito. Num dia eu chegava muito cansada ou sentindo muita dor, conversava com o meu treinador que é o Francisco e ele compreendia que aquele dia não dava para fazer e me respeitava. No dia que eu chegava bem, fazia tudo da melhor maneira que eu podia ali no momento. Então foi assim a minha preparação, me respeitando muito e sempre pronta ali para fazer o melhor”.

NO TOPO DO MUNDO, FÉ, DEDICAÇÃO

“Eu sempre acreditei porque era algo que eu queria muito, queria muito ter as minhas medalhas olímpicas, medalhas mundiais medalhas panamericanas. Poder viajar e conhecer lugares novos, cultura e tal. Então, eu posso dizer que quando eu era bem nova eu acreditava sim que poderia chegar no topo.”