Após "ameaça de lockdown", Doria diz que imprensa não pauta medidas contra covid

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Sao Paulo's Governor Joao Doria flashes the victory sign as he and former Brazilian President (1995-2003) Fernando Henrique Cardoso take part in an event in defence of life and to promote the importance of the vaccine against the novel coronavirus COVID-19, at Bandeirantes Palace in Sao Paulo, Brazil, on January 25, 2021. (Photo by Nelson ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Governador de São Paulo, João Doria, não comentou sobre a possibilidade de lockdown (Foto: Nelson Almeida/AFP via Getty Images)
  • Governador João Doria disse que imprensa não pauta medidas contra coronavírus

  • Doria afirmou estar preocupado com a situação do estado de São Paulo

  • Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência, indicou que é preciso esperar para avaliar resultados da fase emergencial

Na manhã desta quarta-feira (17), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), havia comentado que poderia endurecer medidas de combate ao coronavírus. No entanto, durante a coletiva do governo estadual, se esquivou ao ser questionado sobre um lockdown, ou seja, um confinamento.

"De maneira muito respeitosa, preciso responder a você e aos outros jornalistas: quem pauta as decisões do governo de São Paulo não é a imprensa, muito menos nessa área de saúde. É o Centro de Contingência do Covid-19, eles que nos pautam daquilo que devemos e não devemos fazer, e quando devemos fazer", disse Doria. Em seguida, o governador passou a palavra para Paulo Menezes e João Gabbardo, coordenadores do Centro de Contingência.

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Doria afirmou que está preocupado com a situação de São Paulo, mas que não garantiu que seriam implementadas novas mudanças. "Eu não disse que 'certamente', eu disse que 'eventualmente' essas medidas poderiam ser adotadas", respondeu aos jornalistas. "Apenas reconheci que o estado é grave, que temos uma situação bastante dramática no estado de São Paulo e em todo o Brasil."

Segundo dados apresentador pelo secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, o estado de São Paulo tem 89,9% dos leitos de UTI ocupados. Na Grande São Paulo, o índice é de 90,6%. O índice de isolamento social ficou em 44% na última terça-feira, (16).

Durante a fase emergencial, na região metropolitana, o número de usuários do transporte público caiu 61%, segundo dados das concessionárias.

Para Paulo Menezes, os efeitos da fase emergencial, que já está em vigor desde segunda-feira (15), só serão sentidos nas próximas semanas. Por isso, considera que é preciso esperar para pensar em restringir ainda mais as medidas.

Segundo Doria, cada munícipio tem a liberdade de tomar medidas mais restritivas para frear o avanço da covid-19. É o caso de Araraquara, Rio Preto e Ribeirão Preto, por exemplo. "O que não pode ser feito é afrouxar as medidas", explicou o governador.

Fase emergencial

Desde o último dia 15, São Paulo vive a fase emergencial do Plano SP. A nova medida vale por duas semanas, até dia 30 de março. Na fase emergencial, não poderão haver atividades esportivas, lojas de material de construção terão de fechar, assim como os serviços de retirada de todos os setores. O campeonato Paulista de futebol também será suspenso. Os jogos serão paralisados entre 15 e 30 de março.

Os cultos religiosos também estão suspensos, mas as igrejas vão continuar abertas para aqueles que quiserem rezar de forma individual.

Drive-thrus e serviços de delivery de restaurantes e outros estabelecimentos comerciais podem funcionar 24 horas por dia.

Há ainda um toque de recolher entre 20h e 5h. Não será permitido circular durante o período, a não ser que seja estritamente necessário. Aglomerações estão proibidas e as máscaras são obrigatórias em ambientes internos e externos. Durante o período, paulistanos não poderão frequentar praias e parques.

Maior colapso sanitário da história

A situação de colapso se repete em praticamente todos os estados do Brasil. De acordo com o Boletim do Observatório Covid-19, divulgado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o país vive o maior colapso sanitário da história do país.

Entre as 27 unidades da federação, 24 estados e o DF estão com ocupação de leitos de UTI acima dos 80%. Entre esses estados, 15 tem ocupação maior que 90%. Roraima (73%) e Rio de Janeiro (79%) são as únicas duas unidades da federação com índices mais baixos.

Nesta terça, 16, o Brasil também atingiu o maior número de mortes registradas em 24 horas pela Covid-19: 2.841 pessoas.

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