Apesar da influência da arbitragem, Corinthians não jogou para merecer a vaga nas quartas da Copa do Brasil

Alexandre Guariglia
·3 minuto de leitura


Por mais absurdo que isso possa soar, a eliminação do Corinthians na Copa do Brasil não surpreende, tanto pelo que tem mostrado em toda a temporada, quanto pelo que apresentou nos dois jogos diante do América-MG, que mereceu a vaga nas quartas de final da competição. Apesar da polêmica com a arbitragem, corintianos precisam voltar para a realidade e focar no Brasileirão.

Se pegarmos os 180 minutos das oitavas de final, foram poucos os momentos em que o Timão foi melhor do que o Coelho. Na Neo Química Arena, por exemplo, o goleiro Matheus Cavichioli quase não foi ameaçado e o time mostrou um repertório paupérrimo na criação de jogadas de ataque, pior ainda para finalizá-las. O adversário, porém, teve mais volume para sair vencedor.

E saiu mesmo, depois de uma falha grotesca de todo o sistema defensivo alvinegro, que novamente, dessa vez na Arena Independência, deu espaços para o América-MG ameaçar a meta de Cássio. Sorte que os mineiros tiveram dificuldades para concluir a gol e aproveitar a vulnerabilidade dos paulistas. Algo que estendeu a esperança corintiana por mais alguns minutos da decisão.

Se a defesa, que entre altos e baixos, continua sendo umas das principais forças do Corinthians, foi falha, imagine então o setor ofensivo, que é um problema desde o início da temporada. O primeiro tempo foi fraquíssimo nesse sentido, novamente com poucas chances criadas, cenário bem parecido com os 90 minutos disputados em São Paulo. Não é coincidência, é algo crônico. E piorou com a saída de Cazares, único que conseguiria ser "diferente" no jogo.

As entradas de Gabriel e Cantillo no meio-campo nos lugares de Xavier e Éderson, aliadas à mudança e postura da equipe, deram uma nova cara para a partida. O Timão passou a jogar mais no campo de ataque e implementou uma ligeira pressão, empurrando o Coelho para seu campo de defesa. Tanto é que criou algumas boas oportunidades, incluindo o lance do pênalti em cima de Matheus Davó, que havia acabado de ter uma chance de gol de cabeça.

Com a cobrança convertida por Fagner, concluiu-se talvez os melhores 15 minutos do Corinthians nas oitavas de final da Copa do Brasil. Em seguida o time tentou emplacar um jogo mais inteligente, controlando o ritmo para buscar, quem sabe, o segundo gol para definir a classificação no tempo normal. Mas bastou o América-MG se reorganizar para provocar os erros corintianos.

Em um desses momentos, Lucas Piton acabou tocando a mão na bola (de forma involuntária) dentro da área e o árbitro acabou marcando pênalti para o Coelho, convertido por Rodolfo. Apesar da justa reclamação corintiana pela interpretação da arbitragem em um lance que mudou a história do jogo, é preciso atentar para o todo e não usar essa circunstância como desculpa para eliminação. Sendo que a péssima partida de ida foi mais decisivo no geral.

Além disso, a eliminação dará mais semanas livres para Vagner Mancini trabalhar com o elenco e ajustar muitas coisas que ainda não puderam ser acertadas pelo treinador. Tudo isso com foco no Brasileirão, que é a única competição do clube até fevereiro e em que há muita coisa em jogo, como por exemplo se afastar de vez da zona de rebaixamento e, talvez, buscar vaga em uma competição sul-americana. A fase é de reconstrução e não de conquistas.

- Agora, curiosamente, a gente vai ter tempo de trabalho, então isso vai jogar a favor de uma equipe que quer se recuperar na temporada, que tinha algumas ambições e elas foram aos poucos escapando. Hoje (quarta-feira), infelizmente, a gente está fora, ao meu ver por um erro de arbitragem, porque o pênalti foi um lance interpretativo, mas isso não justifica, a gente tem que melhorar sim na temporada, focar no Brasileiro, recuperar os pontos, subir na tabela, mostrar um jogo realmente diferente,. Embora tenha tido uma evolução, ela precisa acontecer agora - comentou Vagner Mancini em entrevista coletiva