Apesar da fama, japoneses têm problemas de organização na Olimpíada

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Ito Mima, atleta do Japão no tênis de mesa. Foto: Steph Chambers / Getty Images
Ito Mima, atleta do Japão no tênis de mesa. Foto: Steph Chambers / Getty Images

O Japão se preparou para receber a Olimpíada em 2020 porque tinha certeza de que o evento seria uma guinada social e econômica do país. Pelo menos foi isso que o então primeiro-ministro Shinzu Abe vendeu para a população, que acreditou.

A pandemia Covid -19 chegou, provocou o adiamento dos Jogos por um ano e jogou para os ares todo o manual montado pelos japoneses para o evento.

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Em tudo o que não está previsto nas regras pré-estabelecidas (e a Covid criou várias situações assim), eles têm tido dificuldades. Pelo menos entre julho e agosto, a tão conhecida organização do país se tornou um mito.

Os jornalistas credenciados para cobrir a Olimpíada eram obrigados a cumprir uma quarentena de quatro dias trancados nos seus quartos de hotéis. Têm direito a apenas 15 minutos por dia para irem à rua comprar comida. Para garantir o cumprimento, a organização colocou fiscais se revezando em turnos de oito horas na recepção de cada hotel oficial do evento.

Mas esses funcionários não sabiam quem eram os profissionais hospedados e ignoravam se eles entravam e saíam.

Quando a data do início dos Jogos se aproximou, passageiros passaram até cinco horas nos aeroportos até serem liberados.

Causou escândalo a visão de pessoas ligadas à Olimpíada vistas bebendo álcool nas ruas de Shinjuku, um dos bairros de vida noturna mais agitada em Tóquio. Mas a infração também era cometida pelos japoneses. A bebedeira depois das 20 horas e os comerciantes vendiam álcool, duas infrações do estado de emergência imposto no país.

Moradores da capital disseram ao Yahoo Brasil que o problema é o cansaço da população com as promessas do governo. Duas vezes foram impostas as mesmas regras com a promessa de que não se repetiriam e que o sacrifício valeria a pena.

Na terceira, parte dos locais, principalmente mais jovens, se rebelaram. Não é difícil ver gente andando nas ruas sem máscara à noite.

Mesmo a estratégia de isolamento montada para os atletas tem problemas. Houve casos de quem chegou á Vila Olímpica e não tinha um quarto designado. Uma solução teve de ser achada às pressas e a improvisação não é forte dos japoneses. Os voluntários também não conseguem impedir a confraternização entre os esportistas, algo que não deveria acontecer.

Isso fez com que o protocolo tivesse de ser alterado às pressas. Os atletas deveriam usar máscara o tempo todo, menos na hora de comer, dormir ou competir/treinar. No pódio, estavam proibidos de tirar. Agora podem ficar com o rosto à mostra por 30 segundos.

A bolha para funcionários, voluntários e imprensa também não funciona e não é raro eles terem de dividir ônibus de janelas fechadas e abarrotados.

Por causa das restrições de eventos considerados de alta demanda (como finais da natação), o comitê organizador criou o conceito do ingresso a serem distribuídos para integrantes de delegações e jornalistas, de acordo com os países que estão competindo naquele dia. Mas os japoneses esquecem de pedi-los na entrada e qualquer um que não os tenha, mas possua uma credencial, consegue entrar nas arenas.

Nas revistas nos estádios e ginásios, todos que chegam devem medir a temperatura e lavar mão com álcool gel. Mas se a fila for grande, alguns não passam pelo processo, que se torna por amostragem.

As regras que valem apenas para alguns criaram confusões e questionamentos. Tudo se torna pior pelo problema de comunicação. São raros os voluntários que falam inglês.

Os japoneses têm tentado compensar tudo isso com a sua descomunal educação, capaz de se curvar para cumprimentar todos os que passam, mesmo que sejam dezenas por minuto, e a vontade de ajudar. Mas quando não sabem o que fazer, apenas dizer “sory”, a versão linguística do país do “sorry” (sinto muito).

Sem Covid-19 e em um mundo normal, provavelmente o Japão faria a mais organizada Olimpíada da história. Mas com tudo de cabeça para baixo e fora do normal, os organizadores não sabem como reagir ou improvisar.

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