Apaixonados pela Seleção, amigos acompanham os passos da delegação brasileira em São Paulo

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Com certeza existe amor em SP. A cidade que recebeu o estigma de não ser tão receptiva à Seleção Brasileira, é a mesma de Eric (26) e Leonardo (35), dupla de amigos que, ao saberem que a delegação brasileira ficaria na capital paulista durante essa semana, decidiram acompanhar de perto.

No primeiro dia de treinamentos, com a Seleção ainda longe de estar completa, os dois eram os únicos na porta do CT Joaquim Grava, onde os atletas do Brasil treinavam na parte interna, visando o duelo contra a Colômbia, nesta quinta-feira (11), às 21h30, na Neo Química Arena, pela 11ª rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022.

E a saga iniciou antes mesmo da programação brasileira começar de fato. No domingo (7), à noite, Eric e Leonardo foram até o hotel onde a Seleção está hospedada, em Guarulhos, na Grande São Paulo, pois sabiam da possibilidade das primeiras chegadas.

- Como a gente gosta da Seleção, a gente vem por amor, por toda história. Falo por mim, venho de uma geração de 1994, 1998, depois 2002, vivenciei uma geração abençoada, de craques. Talvez a geração que pegou depois do penta não se empolgue tanto - disse Leonardo à reportagem do L! na porta do CT Joaquim Grava.

E a ideia de chegar antes foi um tiro certeiro para a meta de Léo, que tinha como alvo específico o ex-goleiro Cláudio Taffarel, campeão mundial pela Seleção Brasileira em 1994 e que hoje integra a comissão técnica de Tite.

Natural de Jaboticabal, cidade do interior de São Paulo, Leonardo aproveitou um recesso de 15 dias na empresa onde trabalha com exportação de amendoins, para seguir a Seleção, sonhando com um autógrafo do ídolo em suas camisas das Copas do Mundo de 1994 e 1998, que tem como relíquia.

- Minha maior inspiração desde a infância. Tenho toda uma história de ter tentando sido goleiro no passado, feito testes nos clubes e as coisas não vingaram. Em 1994, quando a Seleção foi tetra, eu já vestia roupa de goleiro, com seis, sete anos de idade, e o cara era o Taffarel. Tem uma geração nova de goleiros, evoluídos, mas, para mim, o maior de todos é o Taffarel - relembrou Leonardo.

Taffarel e torcedor
Taffarel e torcedor

Leonardo conseguiu uma foto com o ídolo Taffarel (Foto: Reprodução)

Taffarel camisa 94
Taffarel camisa 94

Taffarel autografou as camisa de 1994 (foto) e 1998 de Leonardo (Foto: Reprodução)

Após cerca de duas horas esperando as primeiras chegadas da Seleção, Eric e Leonardo acompanharam o ingresso do primeiro veículo transportando representantes da delegação brasileira, nele estava Taffarel. E aí, nem a tentativa de um segurança em impedir o contato atrapalhou o momento. O esforço de Léo e a receptividade do tetracampeão mundial tornaram o sonho do fã em realidade.

- A gente detectou o hotel que a Seleção iria se hospedar através das redes sociais. Combinamos e tínhamos a previsão de apresentação extraoficial na noite de domingo, aí fomos na aposta. Chegamos por volta das 16h, entramos na recepção e aguardamos. Imaginávamos que a comissão técnica chegaria primeiro, até porque eles que dão o exemplo, e aí tínhamos a esperança de ver o Tite ou até mesmo o Taffarel - contou Leonardo.

- Quis ajudar, ele me pediu para eu ir com ele, que não queria ir sozinho, e eu fui - acrescenta Eric.

Mas ninguém disse que o autógrafo e a foto do ex-goleiro eram o suficiente para a dupla de torcedores da Seleção. E eles seguem a trajetória em busca de registros com os atletas brasileiros, com o desejo de, quem sabe, até mesmo baterem um papo com Neymar.

Eric já teve a experiência de conversar com alguns atletas durante a Copa América de 2019, realizada no Brasil.

- Eu consegui ver alguns jogadores da Seleção em 2019. Não tinha pandemia, era mais tranquilo. Alguns jogadores atendiam na saída e retorno dos treinos. Falei com o Cássio, Willian, Gabriel Jesus, Philippe Coutinho, Daniel Alves, Marquinhos e o Tite. Tirei foto com todos. Fiquei mais feliz até pelo Tite, porque sou corintiano - relembrou Eric.

- A gente gostaria de conhecer os atletas atuais. Quem não iria querer uma foto com o Neymar? Meu primeiro objetivo eu consegui, que era o meu maior sonho. Agora, se a gente conseguir conhecer a Seleção de forma geral e o Neymar que é a maior referência atua - completou Léo.

Amigos há cinco anos, o futebol e o rock n´roll uniram uma dupla que quase nada tem em comum: a diferença de idade entre eles é de quase 10 anos, Eric tem 26 e Leonardo 35; a distância entre Jaboticabal e a Zona Sul de São Paulo é de quase seis horas; Eric é corintiano e Leonardo palmeirense; um é mais calado e o outro bem mais falante. Só que a Terra é redonda e dá voltas como a bola nos pés, e o mundo do futebol foi o suficiente para que estilos tão distintos de pessoas firmassem uma amizade ímpar.

- A gente vai aos shows de rock, falamos de futebol, embora torcemos para times diferentes. Nos conhecemos no show do Aerosmith, em 2016, que eles vieram tocar no Allianz Parque - disse Léo.

- A gente já tinha alguns amigos em comum, por conta dos gostos. Gostamos de futebol, rock alternativo, rock nacional - completou Eric.

A saga dos dois amigos, portanto, seguirá até a próxima segunda-feira (15), quando a Seleção deixa a cidade de São Paulo rumo a San Juan, na Argentina, onde na terça-feira (16), encara os Hermanos, no que será o último jogo da Canarinho em 2021.

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