Após Rio-2016, Brasil tem trunfo para boa campanha em Tóquio-2020

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O bom desempenho do Brasil na primeira semana dos Jogos de Tóquio pode ser explicado em parte pelo fato de o país ter sido sede há cinco anos. Até o momento, o Time Brasil conquistou sete medalhas (1 ouro, 3 pratas e 3 bronzes), ocupando a 17ª posição na classificação. E ainda há espaço para mais, já que a segunda semana terá finais de esportes coletivos, em que a delegação brasileira é historicamente forte.

Outro fator que impulsiona a performance nacional é a estreia de novas modalidades. Tanto surfe (ouro de Italo Ferreira) quanto skate (pratas de Kelvin Hoefler e Rayssa Leal) renderam medalhas ao Brasil.

Levantamento do jornal Folha de S.Paulo analisou o desempenho de todos os países-sede das Olimpíadas, considerando tanto o ano como anfitrião quanto os Jogos imediatamente anteriores e posteriores. Em geral, o ano como sede é o de melhor desempenho dos países. No evento seguinte tende a haver uma queda, mas o patamar fica acima das Olimpíadas anteriores. Seguindo essa lógica, o aproveitamento do Brasil agora deve ser pior que no Rio-2016, mas melhor do que Pequim-2008 ou Londres-2012, por exemplo.

O levantamento mostra que, após abrigar os Jogos, os países-sede tiveram perda média de 38,6 medalhas (ou redução de 43%) sobre o total de pódios em disputa. A queda mais significativa é justamente em número de ouros (15,2 medalhas, em média) do que nas comendas de prata (13) e bronze (10,4).

Mesmo com essa queda, porém, o anfitrião tende a ficar num patamar superior às demais Olimpíadas. A China, por exemplo, quando foi sede em 2008, obteve cem pódios. Em Londres-2012, caiu para 91, número ainda muito superior a Atenas-2004 (63 pódios). Nas últimas sete Olimpíadas, em cinco o anfitrião teve aproveitamento melhor nos Jogos seguintes em comparação às disputas anteriores de quando foi sede.

Países que são potências esportivas naturalmente sofrem quedas menos bruscas nas Olimpíadas pós-sede --ou até melhoram o desempenho. Por outro lado, nações periféricas têm mais dificuldade para manter a performance. Ou seja, para esses países, competir em casa é muito importante.

O caso da Grã-Bretanha, uma potência olímpica, ilustra a primeira situação. Quando competiu em Londres-2012, os atletas do Team GB conquistaram 6,81% dos pódios em disputa. Quatro anos depois, no Rio, a faixa de conquistas se manteve praticamente a mesma, com 6,89% das comendas indo parar em pescoços britânicos. Ou seja, atuar no Brasil foi ainda mais positivo do que competir em casa.

Os Estados Unidos são outro exemplo interessante. Na última vez que sediou os Jogos de Verão, em Atlanta-1996, o país conquistou 12% de todas as medalhas. Em Sydney-2000, a colheita caiu para 10% das provas em disputa. A queda de uma Olimpíada para outra foi de apenas 7,9%.

Os americanos também são a exceção à regra. Em Los Angeles-1984, o país ganhou incríveis 25,3% das medalhas. Quatro anos depois, em Seul, obteve 12,7% dos pódios, queda de 46%. O que explica o fiasco?

A mudança de desempenho ocorreu por fatores políticos. Em 1984, as Olimpíadas sofreram boicote dos países da Cortina de Ferro, capitaneados por União Soviética e Alemanha Oriental, duas das maiores potências olímpicas do mundo. Sem concorrentes fortes, os americanos fizeram a festa. Na Coreia do Sul, porém, voltaram a enfrentar soviéticos e alemães-orientais, o que explica a queda mais acentuada.

Entre nações periféricas, o pós-Olimpíada é mais traumático. O maior tombo pós-1950 foi sofrido pelo México. Em casa, em 1968, o país ganhou 1,71% das medalhas em disputa, incluindo vitórias improváveis como nos 200 m peito da natação, com Felipe Muñoz. Em Munique-1972, a delegação mexicana ganhou só uma medalha, ou 0,17% do total da competição. O tombo foi de 88,9%.

A Grécia é o caso mais recente de nação da periferia do esporte que sediou os Jogos e viu o desempenho desabar na Olimpíada seguinte. Em Atenas-2004, assim como o México em 1968, o país que abrigou a primeira edição dos Jogos Olímpicos ganhou provas que normalmente não teria nem subido ao pódio.

Foi o que aconteceu, por exemplo, em atletismo e saltos ornamentais. Como resultado, o país amealhou 1,73% das medalhas em disputa. Em Pequim-2008, já enfrentando séria crise financeira, os gregos ganharam apenas 0,31% das medalhas. A queda também foi significativa: 81,3%.

E o Brasil em Tóquio, como fica nessa história? No Rio-2016, o Time Brasil conquistou 1,9% das medalhas. É um patamar entre países da periferia esportiva, como México (1,71%) e Grécia (1,73%), e um pouco abaixo de uma potência esportiva como a Espanha, que conquistou 2,7% dos pódios em Barcelona-1992.

Na ocasião, a delegação espanhola terminou em sexto lugar no quadro geral. Em Atlanta-1996, acabou em 13º, com queda de 22,7%. O Brasil, por sua vez, ficou na 13ª posição no Rio, logo à frente dos espanhóis.

É esperada uma pequena queda em Tóquio. Até agora, além das conquistas no surfe e no skate, o país subiu ao pódio outras quatro vezes em modalidades tradicionais, com uma prata na ginástica (Rebeca Andrade) e três bronzes (Daniel Cargnin e Mayra Aguiar, no judô; e Fernando Scheffer, na natação).

Há também um fator imponderável e inédito nessa conta: a pandemia, que gerou um ciclo olímpico conturbado, com competições canceladas e dificuldade de treinamento.

"Com a pandemia, ficamos um pouco sem referência. A gente não teve confronto com outros atletas. Com a retomada das competições, vimos alguns bons resultados e percebemos quão foi importante aquela Missão Europa que fizemos", disse Marco La Porta, chefe de missão brasileira em Tóquio, antes do início do evento, referindo-se ao período de treinamento do Time Brasil no velho continente no ano passado.

Na mesma entrevista, o dirigente disse acreditar que, no Japão, a delegação brasileira chegará "muito próximo do número de medalhas" dos Jogos do Rio. "Mas decidimos não estabelecer nenhuma meta."

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