Após luta por pagamento igualitário, EUA vai dividir prêmio de US$ 13 milhões na Copa entre seleções masculina e feminina

Graças a uma batalha judicial que durou seis anos e terminou em fevereiro com um acordo judicial entre a seleção feminina e a US Soccer, órgão que comanda o futebol nos Estados Unidos, a premiação alcançada nesta Copa do Mundo será dividida igualmente entre os jogadores da seleção masculina e da seleção feminina. A regra também prevê a divisão dos valores recebidos pela seleção americana nas próximas edições da Copa do Mundo de futebol feminino.

Nesta terça-feira, a seleção masculina venceu o Irã por 1 a 0, confirmando a vaga nas oitavas de final. A vitória também garantiu, no mínimo, uma premiação de 13 milhões de dólares, que será dividida igualmente entre os times masculino e feminino. Ou seja, cada um receberá 6,5 milhões de dólares. Segundo o site "Front Office Sports", esse valor já é maior do que a seleção feminina dos EUA recebeu nas duas últimas edições da Copa do Mundo somadas, 6 milhões de dólares.

Nos Estados Unidos, o futebol feminino é muito mais bem-sucedido do que o masculino internacionalmente. O país é tetracampeão da Copa do Mundo de futebol feminino, com títulos em 1991, 1999, 2015 e 2019.

A divisão foi uma vitória obtida após seis anos de uma batalha judicial entre o time feminino e as lideranças do futebol no país. A US Soccer, entidade que organiza o futebol no país, sofreu grande pressão: nos Estados Unidos, muitas jogadores são mais conhecidas do que os jogadores masculinos, como por exemplo Megan Rapinoe, uma das lideranças no processo judicial. O processo irritou patrocinadores após a federação americana argumentar nos autos que as jogadoras eram menos talentosas. Então presidente do órgão, Carlos Cordeiro chegou a renunciar após as críticas sofridas.

Em 2020, após uma derrota judicial, Joe Biden, então ainda candidato a presidente, ameaçou cortar recursos para a Copa do Mundo de 2026, que os Estados Unidos irão sediar com Canadá e México, caso fosse eleito.

— Ao time feminino, não desista desta luta. Ainda não acabou. À US Soccer: paguamento igual, agora. Senão, quando eu for presidente, vocês podem ir para outro lugar atrás de recursos para a Copa do Mundo — escreveu Biden.

Em fevereiro deste ano, a Comissão para Pagamento Igualitário, um órgão público do governo americano, indicou que concordava com a demanda das jogadoras por pagamento igual para jogadores homens e mulheres na seleção. Pouco depois, a federação cedeu e aceitou a mudança. Além de aceitar o mesmo tipo de pagamento para homens e mulheres, a federação também pagou 22 milhões de dólares como reparação.