Após decepções recentes, Flamengo prega cautela no mercado e busca repetir índice de acertos de 2019

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Com o orçamento mais curto e a perda de mais de R$ 100 milhões em função da pandemia da Covid-19, o Flamengo foi obrigado a ter uma postura diferente nesta janela de transferência. Bem mais cautelosa do que a dos últimos anos. Tanto que única contratação até o momento foi a do zagueiro Bruno Viana, que chegou por empréstimo do Braga, de Portugal.

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Os recursos limitados para investimentos deixam a diretoria rubro-negra sem margem para erros na hora de contratar. Nesse cenário, o clube se inspira nos acertos de 2019, quando teve um aproveitamento impressionante no mercado: dos nove reforços, oito terminaram a temporada como titulares. Sem dúvidas, esse sucesso fora de campo impulsionou o bom desempenho da equipe de Jorge Jesus rumo aos títulos do Brasileirão e da Libertadores.

Em 2020, no entanto, o panorama mudou e o índice de acertos no mercado foi menor. No total, oito atletas chegaram ao clube no ano passado e a maioria não conseguiu se firmar. São os casos de Michael, Léo Pereira, Gustavo Henrique, Thiaguinho e Pedro Rocha (que já não faz mais parte do elenco rubro-negro).

Entre eles, as situações de Léo Pereira e Michael se tornaram mais simbólicas e retratos do que o Flamengo não pretende repetir em 2021. Tanto o zagueiro quanto o atacante foram contratados por altos preços do Athletico-PR e do Goiás, respectivamente, e não tiveram bom desempenho com a camisa rubro-negra até o momento.

Por outro lado, Pedro, Isla e Thiago Maia se mostraram bons reforços ao elenco e podem ser considerados acertos recentes da diretoria. Os casos do volante e do atacante, inclusive, se tornaram exemplos de um novo tipo de contratação explorado pelo Flamengo: o empréstimo com opção de compra.

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Assim, o Flamengo consegue reforçar o elenco com um investimento menor a curto prazo e ainda tem a possibilidade de conhecer o atleta de perto antes de contratá-lo em definitivo. Essa estratégia reduz o risco de contratações frustradas e foi usada na negociação por Bruno Viana, junto ao Braga. O zagueiro ficará cedido até dezembro deste ano, e o Flamengo terá a opção de compra no valor de 7 milhões de euros (cerca de R$ 45 milhões).

Outro tipo de reforço bem-visto pela diretoria rubro-negra são os jogadores livres no mercado, como Rafinha. No entanto, no caso do lateral-direito - que negocia uma possível volta ao Rubro-Negro -, os dirigentes vivem um dilema interno se o investimento em altos salários valeriam à pena. No momento, o impasse impossibilita o final feliz da negociação, que deve ter um desfecho até o fim de semana.

Além deles, o Rubro-Negro busca se reforçar em outras posições e também lida com a saída de jogadores. O último foi o jovem Natan, negociado com o Red Bull Bragantino. Para Rodrigo Tostes, VP de finanças do clube, a venda de atletas tornou-se essencial para o clube se reforçar nesta temporada sem comprometer a saúde financeira.

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- Mas não vamos fazer loucura. Não tem possibilidade disso. Existe um orçamento e ele tem que ser cumprido do ponto de vista de compra de atletas e também de venda. Só vai comprar atleta depois que vender. Precisamos manter o clube saudável e com as contas em dia. Não vamos abrir mão do que conseguimos. Essa é a orientação do presidente. Acima de tudo, temos que manter o Flamengo firme e saudável - disse Tostes, em entrevista ao "ge".

Diante desse cenário, o departamento de futebol do Flamengo estuda o mercado com paciência em busca de nomes para reforçar a equipe comandada por Rogério Ceni. Sem capacidade de investir em unanimidades - como Gerson, Arrascaeta ou Gabigol -, a criatividade e a análise criteriosa serão essenciais para não repetir as decepções do passado.