Após 56 anos, Uefa anuncia fim da regra do gol fora de casa

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(arquivo) O presidente da Uefa, o esloveno Aleander Ceferin, após uma coletiva de imprensa na sede da organização no dia 4 de dezembro de 2019 em Nyon (Suíça)

Após 56 anos de cálculos nas competições europeias de clubes, a Uefa vai abolir já a partir da próxima temporada a regra dos gols fora de casa, que serviu para decidir a classificação entre duas equipes empatadas em um confronto de ida e volta, anunciou nesta quinta-feira o seu comité executivo.

Introduzida em 1965, essa regra será substituída por dois tempos de 15 minutos de prorrogação e, em seguida, por uma eventual disputa nos pênaltis, disse a entidade.

A vantagem concedida ao gol fora de casa não se justifica mais, explicou a Uefa.

A entidade confirma que "desde meados da década de 1970" houve uma redução progressiva da diferença entre as vitórias em casa e fora de casa (de 61%/19% para 47%/30%), assim como a diferença entre os gols marcados em casa ou fora em cada partida.

Entre os motivos apontados, "a melhor qualidade e a dimensão unificada dos campos de jogo, o aumento das condições de segurança ou a melhoria da arbitragem", junto com "condições de viagem mais confortáveis", enumerou a Uefa.

A abolição desta regra foi "debatida em várias reuniões da Uefa nos últimos anos". "Embora não tenha havido unanimidade de opiniões, vários treinadores, torcedores e outros jogadores questionavam a sua justiça", disse o presidente da entidade, Aleksander Ceferin.

A vantagem do gol fora de casa acabou "indo contra o seu objetivo inicial, uma vez que desencoraja as equipes da casa a atacar - especialmente nos jogos de ida - pois temem sofrer um gol que daria às equipes uma vantagem crucial aos adversários", continuou Ceferin.

- Fim da 'calculadora' -

E outro argumento, "a injustiça, especialmente nas prorrogações, de obrigar a equipe da casa a marcar dois gols se a equipe visitante marcar um", acrescentou o dirigente esloveno.

A vantagem dos gols fora de casa permitiu, por exemplo, ao PSG eliminar o Bayern de Munique nas quartas de final da Liga dos Campeões na temporada passada, depois de vencer por 3 a 2 em Munique e perder por 1 a 0 em casa.

No anúncio desta quinta-feira, a Uefa não menciona o impacto da pandemia de covid-19, mas as arquibancadas vazias por mais de um ano criaram confusão entre jogar em casa e fora, deixando fora da equação ambientes efervescentes como Anfield, a casa do Liverpool, ou o Signal Iduna Park, o templo de Borussia Dortmund.

No futebol, esporte profundamente arraigado em suas tradições, em que os torcedores costumavam 'puxar a calculadora' na fase de mata-mata, o fim dessa regra havia sido solicitado por diversos atores nos últimos anos, mas também tinha defensores.

O primeiro efeito desta alteração é que as prorrogações e os pênaltis vão aumentar nos jogos eliminatórios da Liga dos Campeões, Liga Europa e Conference League, a nova competição que fará sua estreia nesta temporada.

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