Após 4 anos, Brasil domina Sérvia com ataque mais equilibrado e centroavante de ofício

LUSAIL, QATAR, 24.11.2022 - - Partida entre Brasil Sérvia, válida pela estreia das seleções na fase de grupos da Copa do Mundo 2022, realizada no Lusail Stadium, no Qatar, nesta quinta. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
LUSAIL, QATAR, 24.11.2022 - - Partida entre Brasil Sérvia, válida pela estreia das seleções na fase de grupos da Copa do Mundo 2022, realizada no Lusail Stadium, no Qatar, nesta quinta. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Brasil e Sérvia, fase de grupos da Copa do Mundo, 2 a 0 no placar. Quatro anos depois, a história se repete com o mesmo desfecho, mas um enredo bem diferente.

A equipe do técnico Tite estreou no Qatar com uma formação mais equilibrada em relação àquela que havia enfrentado os sérvios em 2018. Dominou amplamente o confronto, frequentou mais o campo adversário, atacou pelos dois lados e venceu com gols típicos de um centroavante.

Richarlison definiu o placar finalizando jogadas geradas pelo lado esquerdo, por Vinícius Júnior. Na ponta oposta, Raphinha também conseguiu criar boas situações. Neymar, por sua vez, articulava e vinha de trás. O quarteto resume a nova forma de jogar da seleção.

Dados analisados pela reportagem mostram que o camisa 9 teve uma participação mais característica de um homem de área, na comparação com o antigo dono da posição. No duelo anterior, Gabriel Jesus circulava pelo campo, mais recuado e caindo pela esquerda. Deu apenas um chute a gol, contra três do sucessor.

A movimentação pela esquerda não era só coincidência. Há quatro anos, Neymar chamava o jogo para aquela região. Atuava como um ponta agudo, numa formação baseada no esquema 4-3-3, acelerando na direção da área.

Na nova configuração, é Vinicius quem ocupa o flanco e avança até o fundo. O camisa 10 ainda aparece por ali com frequência, mas flutua mais lateralmente e atua como um armador. No Qatar, Neymar só finalizou três vezes, duas delas da intermediária. Na Rússia, havia dado sete chutes a gol, seis de dentro da área.

O posicionamento médio da seleção nesta estreia mostrou um esquema mais agressivo, com três atacantes de ofício além de Neymar. Algo mais próximo de um 4-1-4-1, com Lucas Paquetá se aproximando de Casemiro nas ações defensivas.

O mapa das ações brasileiras mostra que, em 2018, o Brasil teve mais dificuldades para entrar no campo do adversário e passou mais tempo trocando bolas de um lado para o outro no setor defensivo.

Com os dois lados funcionando bem desta vez, Raphinha preencheu mais o ataque do que William, titular na Copa passada. O novo ponta direita apareceu duas vezes em condições de balançar a rede, ambas dentro da área. Já o antecessor não tinha dado nenhum chute a gol há quatro anos.

No geral, os dados reforçam o amplo domínio da seleção. Foram 22 finalizações dadas e 5 sofridas, contra 14 e 10, respectivamente, no encontro de quatro anos atrás.

Dos 11 titulares que iniciaram o duelo contra os sérvios em 2018, quatro estavam novamente na formação que entrou em campo no Qatar: o goleiro Alisson, o zagueiro Thiago Silva e o volante Casemiro, além de Neymar.

Contando também os reservas acionados, Gabriel Jesus completa a lista dos cinco que participaram das duas partidas. Ele era o titular do ataque, e agora saiu do banco na etapa final para substituir justamente Richarlison.

Hoje titular da lateral direita, Danilo havia iniciado a Copa de 2018 como dono da posição, mas se lesionou logo na estreia e deu lugar ao reserva Fagner a partir do segundo jogo.

O duelo entre Brasil e Sérvia pela Copa de 2018 aconteceu na terceira rodada da fase de grupos. A vitória foi construída com um gol em cada tempo. O primeiro do volante Paulinho, vindo de trás, e o segundo do zagueiro Thiago Silva, de cabeça, em cobrança de escanteio.

A equipe europeia, por sua vez, teve sete figurinhas repetidas neste ano. Além dos defensores Milenkovic e Veljkovic, do meia Milinkovic-Savic e dos atacantes Zivkocvic, Tadic e Mitrovic, todos titulares, também foi acionado o ponta Radonjic, outra vez saindo do banco.